quarta-feira, 28 de novembro de 2012

ludleopelomundo.blogspot.com

ludleopelomundo.blogspot.com
Olha o truque: botei o nome do novo blog no título para aparecer no blogroll de quem acompanha o ludleoreloaded. Porque eu fico trocando de blog e isso avacalha os links das pessoas.

Esse negócio de ficar mudando de blog é engraçado, né? Eu já tive:

O Disneylud, quando trabalhei na Disney;

Lud & Leo, quando me casei e me mudei para interior;

O Ludmilismos, quando me tornei uma feminista prática (antes eu era teórica);

lLud & Leo reloaded, para contar como eu e o Leo estávamos nos preparando para sair pelo mundo;

E agora o Lud & Leo pelo mundo, para contar as nossas aventuras a partir de um mês do embarque.

E sem esquecer o minimalizo, para falar de minimalismo junto com a Fê.

Em suma, toda vez que mudo de fase, mudo de blog. Talvez fosse mais fácil fazer um blogão chamado donaludmila, mas a variedade é tempero da vida. Pelo menos eu acho.

Eu sou uma pessoa muito varienta.

domingo, 25 de novembro de 2012

Faltam só 4 semanas de trabalho!

A última semana foi bem meia-boca: o Leo teve de ir pra BH, e eu fiquei sozinha e a pé. O que não seria  problema se não estivéssemos na temporada de chuvas de Brasília, uma cidade plana que adora alagar. Confesso que meu amor pelo transporte público diminuiu bastante, mesmo com um dos motoristas do ônibus que eu pego ter ficado com dó de mim e deixado eu embarcar, embora ele estivesse entregando o veículo no ponto final.

A minha conclusão é que ficar com os pés (e as meias, e o sapatos, e a calça abaixo do joelho) encharcados me deixa de mau-humor. E que se eu pegasse ônibus sempre, e não só de vez em quando, eu definitivamente compraria umas galochas e uma capa de chuva. Que, não sei porque cargas d'água, não é fácil de achar no Brasil, um país tropical no qual chove tanto.

A parte boa é que a semana terminou, o Leo voltou, e agora só faltam 20 dias úteis para a nossa alforria licença! Dia 21 de dezembro a gente devolve o apê, pega o carro e se manda para BH, onde vamos passar o natal, nos despedir dos amigos e embarcar!

Para comemorar, blog novo: ludleopelomundo.blogspot.com. E Facebook: www.facebook.com/ludleopelomundo. Vejo vocês lá!

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

James Bond, seu estúpido

Fui ver Skyfall. Já que tinha um monte de críticas elogiando e que eu tinha visto Casino Royale e gostado da Vesper.

Meu único consolo é que paguei meia (por causa do cartão de crédito). Por que James Bond, né. Aquela coisa babaca de ser durão e playboy. E machista até o último fio de cabelo (ralo - se bem que quem sou eu para falar).

Atenção: revelações do roteiro à frente.

Agente de campo Eve. Quer dizer, ex-agente de campo
A história começa com uma perseguição automobilística. Quem dirige é uma agente, a Eve. Imaginei: progresso, uma agente mulher! Que nada. Na caçada, ela quebra o espelho retrovisor do carro (coisa que agentes homens nunca fazem no cinema) e tem de escutar do bonitão: "Tudo bem, você não estava usando ele mesmo". Momentos depois, ele AGARRA o volante para fazer o carro bater no alvo. Ela agarra o volante enquanto ela está dirigindo, gente. Acho que é a maior ofensa que você pode fazer a um motorista. Nunca vi nenhum personagem agarrar o volante quando o motorista... é homem.

Bond passa o resto do filme fazendo piadinhas com Eve (tá certo que ela atirou nele. Mas cara... desapega!). E no final do filme ela deixa de ser agente de campo pra virar secretária da chefia do MI6. Vi umas discussões na net em que pessoas defendiam que foi ela que escolheu - livremente - deixar de atuar em campo, e que a posição burocrática assumida era importante, então NEM É uma situação machista. Não, imagina. Tem muito mais glamour ficar atrás da mesa.

A M, única mulher em situação de comando no MI6, morre e é substituída pelo Ralph Fiennes. Antes disso, ela enfrenta uma CPI britânica e é incapaz de se defender. No interrogatório, quem interfere para ajudá-la? O Ralph Fiennes, claro, por que como é que uma mulher ia dar conta de se explicar sozinha?

E tem a Sévérine, a Bond Girl da vez. Cuja escravidão sexual começou aos 12 anos. Que pede ajuda ao Bond. E o que ele faz? Chega no barco dela e vai entrando junto com a moça no chuveiro. (De novo: o povo da net diz que ela estava esperando Bond com duas taças de champanhe. No mundo de quem duas taças significam  automaticamente sexo? E se ela só queria tomar umas?)

Se alguém acha que o James Bond está ficando menos machista - como o Casino Royale autoriza a imaginar -, tá na hora de rever seus conceitos.

Mudando totalmente de assunto: o Daniel Craig não tem lábio superior. O Leo disse que ele trocou pela licença para matar.

É o Bond do Tigrão


quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Cabeça redonda e ventos favoráveis

O meu lindíssimo corte de cabelo Playmobil foi crescendo e começou a tomar o formato de cogumelo do penteado do Javier Barden em Onde os Fracos Não Têm Vez. Aí voltei à cabeleireira e pedi pra ela fazer um corte que permitisse que o cabelo crescesse sem precisar de retoques constantes (o Playmobil precisava, eu é que não providenciava).

O salão da moça é no subsolo do prédio onde o Leo trabalha. Ela corta bem e não cobra caro. Mas é chata, gente. O Leo cortou lá uma vez e saiu indignado, porque ela o acusou (a palavra é essa mesmo) de "ter deixado o cabelo crescer muito". Eu respondi que ele tinha feito certo em não retrucar, porque não se deve contrariar uma pessoa que está empunhando uma tesoura afiada na altura do nossos olhos.

Quanto a mim, toda vez que vou lá ela fala mal do cabelo pré-corte - sendo que é ela que corta, vejam bem. E sempre diz que "agora está muito melhor, mais jovem". Eu não sei o que fazer com tanta juventude.

A parte boa é que, depois de ter reclamado bastante que o meu cabelo estava muito quadrado e curto, ela fez um monte de camadas e eu saí de lá com uma linda cabeça redonda, que é o meu estilo preferido (porque acho que ele envia toda uma mensagem subliminar a respeito do tamanho do meu cérebro - cabeção, né, gente?)

A outra notícia boa é que as negociações a respeito da minha licença estão caminhando lindamente. Acho que agora sai.

sábado, 17 de novembro de 2012

Primavera em Paris


Eu tenho um monte de sonhos, como quase todo mundo. Uns se realizam, outros não; alguns são esquecidos. Volta e meia surge um novo.

Faz muito tempo (tipo 20 anos, sério) que tenho vontade de morar uma temporada em Paris. Morar mesmo: alugar um apartamento, fazer mercado, cozinhar em casa. Já flertei com a ideia em mais de uma ocasião, mas acabei não batendo o martelo. Será medo de trocar o sonho de uma cidade perfeita por uma realidade menos encantadora?

Então uma das paradas do nosso sabático será Paris. Vamos passar abril (o mês do meu aniversário!) todinho lá. Originalmente eu queria estudar francês, mas o Leo me convenceu que vale mais a pena estudar em uma cidade mais barata (Lyon, que parece ser fofa!) e passar cada hora disponível na Cidade-Luz passeando e nos divertindo.

Está decidido mesmo: não só escolhemos o apartamento como pagamos. A empresa só libera o dinheiro para o locatário depois que a gente se instala, mas a grana já foi descontada no cartão.

Não tem mais volta. É realizar o sonho ou realizar o sonho!

segunda-feira, 12 de novembro de 2012

Novidades da Alemanha

Já faz mais de ano que eu e o Leo decidimos vender tudo e nos lançarmos em uma grande aventura. Aí, no segundo semestre de 2012, não é que a irmã I. arrumou um emprego na Alemanha - e já se mandou pra lá?

Ficamos felizes porque um pedaço da família vai ficar mais perto da gente em 2013. Mas ainda estou me recuperando do choque. Faz um tempão que a gente está pensando, planejando, economizando. Já ela resolveu ir pra Europa e uns meses depois estava lá, instalada e pimpona.

E olha que sorte (pra ela e pra nós): ela está morando em Frankfurt, que é hub de rotas aéreas. Vai ser fácil visitar e passear.

Sem falar que a possibilidade de ir várias vezes à Alemanha me deixou empolgada a aprender uma língua nova. Aí a irmã I. me mandou segurar a onda: segundo uma amiga dela (que fala inglês e francês e trabalha em uma empresa internacional de alta tecnologia - a última reunião de trabalho dela foi em Paris, gente), "a vida é muito curta para aprender alemão".

Cara, que dúvida: aprendo alemão ou umas duas ou três línguas mais fáceis?

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Frustração e ansiedade

Continuo enrolada com a minha licença do trabalho. Ontem finalmente consegui falar com uma chefona e ela explicou que o problema é que, se eles dão licenças maiores que um ano, dá briga na hora de contratar gente nova ("se vocês estão precisando de funcionários, porque deixam os que vocês têm ficarem fora um tempão?").

Ou seja: não é uma questão de boa-vontade dos poderes superiores, é questão de política interna. E se eu soubesse disso há dois, três meses, eu já teria começado a planejar a vida dentro das possibilidades que tenho. A culpa é minha mesmo, que preferi acreditar em uma abordagem gradativa e delicada em vez de ir direto à cúpula - e levar logo um não pelas fuças. Em termos práticos, além das longas semanas de ansiedade, as passagens aéreas andaram ficando mais caras e os apezinhos legais e em conta estão sendo alugados.

Como a esperança é a última que morre, ainda me agarro a fiapos dela enquanto espero uma resposta definitiva na sexta-feira.

Mas já estou organizando a papelada para o plano B.

sábado, 3 de novembro de 2012

Saldo das férias

Estive de férias. Duas semanas passadas com a família e os amigos em BH. Fiquei muito à toa, conversei muito, pensei muito.

Principalmente em uma frase que li na internet (sem autoria): "A gente não está aqui para se descobrir. A gente está aqui para se construir."

Achei tão bonito e tão autônomo. "Se descobrir" pressupõe que você nasce com qualidades e aspirações prontas, e conhecê-las é a chave para alcançar o sucesso e a felicidade. "Se construir" quer dizer que você pode decidir o que é importante e trabalhar nisso, sem ter de ficar esperando uma revelação iluminada sobre o seu eu interior.

"Se construir" te chama na responsa.

Concordo que é mais fácil buscar caminhos que estejam em harmonia com nossos gostos e inclinações. Só que a gente tem um monte, um montão de gostos e inclinações. E se fizermos só o que é agradável e fácil, é bem possível que fiquemos patinando sem sair do lugar.

sexta-feira, 19 de outubro de 2012

Desembaraço de carga

(Desse jeito o blog vai virar um diário do meu relacionamento com a administração pública, mas acho bom contar quando a genta é bem atendida e tudo dá certo, já que muita gente adora reclamar que "nada funciona neste país".)

Meus pais viajaram no início do ano para os Estados Unidos. Minha mãe comprou uns lustres (herdei minha pão-durice dela, mas de uns tempos pra cá ela anda valente com as compras). A loja se encarregou de mandar entregar no Brasil.

Um monte de e-mails e oito meses depois, chegou a notícia que os lustres estavam no terminal de cargas do aeroporto de Confins. Meu pai consultou um despachante, que adiantou que cobraria um salário mínimo para cuidar do caso. 

Desaprovei o despachante, porque lembram, a pão-durice... Consultei a internet, a mãe de todas as repostas, e achei rapidinho instruções da Infraero. Fiz umas ligações, confirmei uns procedimentos, e ontem meu pai, o Leo e eu nos mandamos para o aeroporto. 

Confins, como bem diz o nome, é longe pra caramba. Gastamos o mesmo tempo indo e voltando e liberando os lustres (2 h para cada). Chegando no terminal, passamos na Receita Federal (para pagar o Imposto de Importação), na Receita Estadual (para pagar o ICMS) e na Infraero (para pagar a taxa de capatazia e armazenagem). Emitem as guias na hora, e meu pai pagou tudo no caixa rápido do Banco do Brasil. 

Andamos de lá pra cá e de volta de novo, mas todo mundo que nos atendeu foi atencioso e paciente. E o moço da Receita Federal ainda lembrou que, se a gente olhasse as guias e achasse que o total dos pagamentos era uma loucura, podia sair correndo e largar a encomenda lá. 

No fim das contas, as taxas e impostos dobraram o custo dos lustres. Mas como eu disse, minha mãe está valente. 





terça-feira, 16 de outubro de 2012

Certidão Negativa de Débitos

Recebi uma cartinha da Receita Federal me cobrando uns dinheiros. Nem me afligi muito, porque eu tinha certeza que estava pago (e também porque os dinheiros eram poucos).

Tem um centro de atendimento virtual no site da Receita (o e-CAC). Fucei por lá e descobri que eu tinha declarado em 2009 uns débitos de renda variável (na época, o Leo brincava com ações e a gente ganhou uns tostões). Declarei e paguei, mas os valores eram relativos a meses específicos e eu fiz um pagamento grandão somando tudo. O sistema não enxergou. Logo, cartinha.

Juntei os meus papéis e fui bater na porta do atendimento físico ao contribuinte. Cheguei lá às 7 da manhã, hora em que começa o expediente, crente que ia ficar até o almoço. Saí de lá às 7:25, com uma certidão negativa de débitos na mão (que eu nem pedi - depois de encaixar meu pagamento gordo nos débitos em aberto, o atendente imprimiu e me deu).

A parte ruim? É que eu cheguei ao trabalho cedo, cedíssimo.

quarta-feira, 10 de outubro de 2012

Deus. Asa. Cobra.

É o que me vem à mente quando penso que existe um programa chamado Vai pra onde? e que ele é comandado pelo Bruno de Luca.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Será que trabalhar durante a viagem vale a pena?

Fiquei pensando que bem que eu podia escrever umas matérias de turismo durante a nossa grande aventura e vender pra revistas e jornais brasileiros. Eu sou jornalista, com diplominha e tudo, né? Embora hoje trabalhe com comunicação interna, que é um jornalismo chapa-branca (isto é, a gente só dá notícia boa). Ou seja, eu ganharia uns trocados no percurso, o que não é ruim.

Ontem caiu a ficha: ganhar uns trocados não é ruim, mas eu estaria basicamente pagando para trabalhar. Porque não acho que eu vá conseguir milhares de reais por matéria (não mesmo). Então eu bancaria a viagem e gastaria várias horas do meu tempo de lazer pesquisando e levantando informações (porque estamos falando de jornalismo, não de diarinho de viagem. Eu adoro diarinho de viagem, mas uma coisa é uma coisa e outra coisa é outra coisa) e receberia, bem, uns trocados. Ou pelo menos era assim na época em que eu uma jornalista recém-formada e free-lancer.


segunda-feira, 1 de outubro de 2012

Objetivo: serenidade diante das chateações do dia a dia

O chuveiro de casa queimou. O Leo foi comprar uma resistência nova na hora do almoço. O carro começou a soltar fumaça e teve de ser abandonado momentaneamente.

Parte boa: o carro pifou depois do Leo comprar a resistência. E sobrou no bolso exatamente o dinheiro necessário para pegar o ônibus e chegar no trabalho (2 reais). E o ônibus que chegava no trabalho passava logo ali.

Parte boa 2: o Leo trocou a resistência e o chuveiro ficou melhor do que antes de queimar (às vezes ele passava de muito quente para bem frio meio aleatoriamente).

O Leo é muito tranquilo mas objetos que estragam o deixam bem irritado. Acho que é porque ele tem aquela crença da modernidade de que os mecanismos devem funcionar sempre e indefinidamente. Dessa vez, no entanto, ele levou numa boa: não só não reclamou como fez questão de ressaltar a parte boa da situação.

É aquela coisa: somos seres em construção e aperfeiçoamento, sempre.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Surto de vaidade

Decidi trocar de método anticoncepcional e parei de tomar pílula. Muita alegria, economia mensal, obrigação diária de menos e um efeito colateral: umas poucas mas terríveis espinhas no rosto.

Eu as chamo carinhosamente de "minhas perebas". Elas são gigantes e doem muito por quase duas semanas. Uma hora, decidem parar de doer mas gastam outro tempão desaparecendo. Então, deixam de lembrança uma bela mancha no lugar.

Fiquei esperando elas irem embora do mesmo jeito que vieram, isto é, sozinhas. Não funcionou. Aí emburrei. Me importo muito menos com minha aparência do que antes, mas 36 anos nas costas e espinhas na cara ninguém merece.

Desencavei do armário uns sabõezinhos anti-acne, um sérum contra manchas que por sorte não tinha perdido a validade e, glória aos céus, um corretivo. Faz um bom tempo que não me preocupo em esconder minhas olheiras: ele veio bem a calhar pra disfarçar minhas perebas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Faltam só 3 meses E preparação é tudo

Alegria, alegria: faltam só três meses pra gente puxar o carro (vamos emendar o natal com férias e licença). Na prática, são 50 dias úteis, porque tem férias no meio (que vamos usar para ir receber o sobrinho novo). A cada dia que passa eu fico mais feliz. De acordar sorrindo mesmo.

Então eu leio muitos blogs de brasileiros que foram para Europa, pra estudar e/ou trabalhar. E, desculpaê, fico com vontade de sacudir alguns. Pessoa vai ilegal, sem pesquisar nada antes, e fica de mimimi porque o único trabalho que consegue são umas faxinas, sendo que no Brasil era gerente de multinacional. Só posso imaginar que alguns realmente acreditem que o famoso "jeitinho brasileiro" se aplique ao mundo todo e que autorização de residência é para os fracos.

Eu acho que a gente está bastante preparado, até psicologicamente. Estamos indo com passaporte europeu, com dinheiro guardado, sem pretensão de trabalhar. E mesmo assim achamos que vamos passar uns perrengues, umas raivas, que umas horas vamos sentir saudades do pão-de-queijo e dos amigos.

Sinceramente, há momentos em que eu não sei distinguir audácia de burrice falta de noção.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O enigma das pessoas que vivem em cidades maravilhosas

Ultimamente um problema vem me intrigando: será que quem mora em cidades icônicas (Nova York, Paris, Florença, Rio de Janeiro) é mais feliz que os outros? Se sim, porque todo mundo não muda pra lá? Se não, o que eu estou indo fazer naquelas bandas?

Talvez a resposta esteja na opção: é possível que quem escolheu se instalar nesses lugares se sinta mais satisfeito do que quem nasceu em Buenos Aires ou arrumou emprego em Barcelona. Ou talvez seja questão de sorte: você pode combinar com o estilo de vida da sua cidade natal, ou não.

Nunca fui fã de grandes metrópoles. Não faço questão de baladas empolgantes. Às vezes acho que seria muito feliz em uma cidade pequetita e mimosa, como Ouro Preto - contanto que eu morasse perto de uma biblioteca e de uma faculdade.

Às vezes acho que a gente se acostuma. Depois de uns meses, a beleza das ruas e dos prédios vira lugar-comum.

Talvez a solução seja ficar se mudando sempre.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Portuguesa com certeza

Um dia escutei um cabeleireiro brasileiro contar que tinha passado um tempo trabalhando em Portugal. E que, enquanto no Brasil o povo gostava de escova e de progressiva, lá as portuguesas, que tinham cabelo liso e fino, queriam é volume.

Fiquei pensando na injustiça que me fez nascer no Brasil com cabelo liso e fino (meu sonho é ter uma grande cabeça redonda. Não tem xampu volumizador que dê jeito).

Nesta terça-feira, saiu meu passaporte vermelho. Agora é oficial: tenho cabelo - e tudo mais - de portuguesa, mesmo.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Deixa eu contar minha historinha com Paris

A primeira cidade estrangeira que conheci foi Paris. Eu tinha 16 anos e fiquei alucinada.

Isso foi há 20 anos. Na época, não tinha internet. Viajar para outro país era caro, difícil e complicado. Você dependia das informações das revistas de turismo (poucas) e das agências de viagem. Chegando ao destino, tudo era surpresa e descoberta. Foi uma viagem de família: meus pais, irmã D. e eu (a gente escolheu viajar em vez de ganhar festa de 15 anos).

Andando pelas ruas de Paris, eu pensei: "Bem que um dia eu podia morar aqui." E botei na lista de sonhos inalcançáveis.

Uns 5 anos depois, a irmã D. arrumou um emprego, trabalhou durante um ano e juntou dinheiro para, nas férias da faculdade, passar um mês em Paris estudando francês. Achei a ideia sublime. Era um jeito de realizar aquele sonho inalcançável lá de trás. Só que a irmã D. era corajosa; eu era um serzinho tímido e sem recursos financeiros para tal empreendimento. Botei na lista de sonhos eventualmente alcançáveis.

O tempo passou. Fiquei menos boba e mais corajosa. Formei, arrumei emprego, casei. Voltei a Paris a passeio - uns poucos dias que só serviram pra confirmar que continuava rolando um clima. Só, que, em vez de realizar o sonho, eu ficava arrumando desculpas: que queria estudar mais francês para aproveitar melhor as aulas (raciocínio parecido com o de quem quer entrar em forma antes de começar a ir à academia). Que não dava pra passar o mês todo de férias lá, já que existiam tantos lugares que a gente queria conhecer. Que ficava muito caro. E que isso, que aquilo e que aquilo outro.

Mas então, 20 anos depois, o sonho está perto de se realizar. Vamos começar nosso sabático alugando um apartamentinho e morando janeiro, fevereiro e março em Paris, fazendo francês na Alliance Française, enfrentando o frio porque será inverno.

Mal posso esperar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Faltam só 100 dias!

Já tá decidido: 21 de dezembro é o dia da alforria. A gente sai do Planalto Central para passar o natal em BH e não volta nunca mais.

Ou pelo menos não volta logo. 15 meses de liberdade estão garantidos.

O Leo, que é o homem das planilhas, avisou que podemos começar a fazer risquinhos em nossas baias de trabalho, igual a condenados em paredes de prisão (Conde de Monte Cristo feelings). Quer dizer, já podíamos estar fazendo isso, mas 100 é um número redondo e bonitão.

Enquanto isso, na Sala da Justiça... estamos vendo apartamentitos pra alugar em Paris. Ô cidade cara, sô. Mas tem um lado bom: quase tudo que a gente encontra é do tamanho ou maior do que a nossa habitação atual. Aí achamos luxo.

"Olha, Lud! Só faltam 100 dias!"
(Edmundo Dantès e Abade Faria)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como viver legalmente na Europa

Para minha surpresa e alegria, descobri que as pessoas não precisam ser cidadãs europeias ou estarem matriculadas em cursos para ficarem mais de três meses (o máximo permitido aos turistas) no Velho Mundo. Hoje, setembro de 2012 (a legislação pode mudar), Portugal, França e Alemanha (e provavelmente vários outros países europeus) dão autorizações de residência se você quer dar uns longos passeios por lá.

Do que você precisa? De dinheiro ("meios de subsistência") e de seguro-saúde. De iniciar o procedimento no Brasil. E de paciência para tratar com o consulado de seu país de escolha, que pode ser razoavelmente lento ou surpreendentemente ágil, dependendo das condições metereológicas e da quantidade de pessoas na fila.

A legislação sobre o assunto, assim como a documentação para cada caso, muda muito. O melhor é falar com o consulado para saber as providências necessárias. Mas a notícia boa é que dá pra fazer, sim.

domingo, 9 de setembro de 2012

Ganha-ganha

Amigos nossos viajaram e pediram para a gente dar uma olhada na casa deles. Eu, mais que depressa, pedi para dar uma olhada especialmente próxima na máquina de lavar. Eles disseram que a gente podia ficar à vontade, e o resultado é que já lavamos umas roupinhas por lá.

Não só estamos tendo a oportunidade de usar o sabão em pó e o amaciante que herdamos da casa antiga - que tinha máquina de lavar -, como estamos economizando um dinheirinho com a lavanderia. Este mês, só pagamos para lavar as camisas socias de trabalho, que precisam ser passadas. O resto foi todo para a ótima máquina dos amigos.

O que é mais legal nessa história é que um perfeito ganha-ganha. Os amigos ficam felizes porque a gente rega as plantas; nós ficamos felizes porque lavamos roupa. O que eu acho mais chato da lavanderia aqui do condomínio é que ela gasta uns dois dias para devolver as peças, e você tem de levar pelo menos cinco de cada vez. Sem falar que, mesmo no pacote mensal, ela cobra 5 reais por unidade, o que significa que eu nunca levo meias e pijamas pra lá: lavo no braço, no tanque.

Este mês estou lavando na máquina. Alegria, alegria.

sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Muitas emoções e datas flutuantes

Deu a louca e a gente decidiu ir no fim de outubro de uma vez. A empolgação parou na sala do chefe: sinto muito, outubro não dá. É janeiro mesmo.

Na verdade, racionalmente janeiro é melhor. Está tudo planejado para a gente ir embora no finzíssimo de 2012: o contrato de aluguel, que termina antes do natal, a marcação das férias para o fim de outubro, a compra das passagens pra visitar a família, a última dose das vacinas, o pagamento do seguro do carro...

Só que nossa cabeça já está lá, na nova etapa da vida. Estamos ansiosos, indóceis, impacientes. O lado negativo de planejar o futuro com muito antecedência é que chega uma hora que está tudo pronto - só fica faltando o tempo passar.

E o tempo, esse danadinho, tem um ritmo próprio e não aceita interferências.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Filhos, melhor tê-los?

O grande problema de decidir não ter filhos é que a possibilidade fica eternamente em aberto. Por mais que você  esteja certa/o da sua escolha, sempre tem um fulaninho que prevê que você vai mudar de ideia. Quando você tem filho, não há essa chance: ninguém vai tentar te convencer que é bobagem, que bom é ficar sem. Pariu, tá parido.

Anunciar que já passei dos 35 (36, com orgulho) não adianta. As pessoas me contam da prima da vizinha do colega, que teve o primeiro rebento com 41. Engraçado que ninguém fala de adoção: sou eu que digo que, se um dia nessa vida mudar de ideia, tem esse outro jeito de ter herdeiros.

Posso imaginar eu e o Leo fazendo cinquenta, sessenta anos, e as mães/tias/primas perguntando: e vocês, quando é que vão se animar?

E a gente respondendo - como sempre respondemos: Aqui desse mato não sai coelho, não.

Nem filho.
Mato COM coelho. Não vejo nenhuma semelhança conosco.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Plano B. E C.

Ainda não tenho notícia do tamanho da licença de trabalho que vão me deixar tirar. Enquanto não batem o martelo, eu e o Leo, depois de termos ficado em choque por dois minutos, vamos bolando o que vamos fazer nos cenários X, Y e Z.

Nós somos o casal Plano B. Três caminhadas de 45 minutos no Parque da Cidade e já tínhamos isolado variáveis, fechado parâmetros e estabelecido estratégias. Ainda preferimos os três anos de aventura, mas se só rolar um sabático menor, há lá suas vantagens (nós somos o casal Copo Meio Cheio também). Um ponto positivo é que o dinheiro, que estava contadinho, passa a permitir algumas extravagâncias, como almoçar todo dia (brincadeirinha). Outro é que vamos nos preocupar menos com o que levar (uma mala "Europa no frio", embora volumosa, é bem mais fácil de fazer do que uma mochila "Índia no inverno + sudeste asiático tropical + Europa na primavera").

A Ásia não saiu da jogada, não: ela vai para 2014, ou será dividida em pedaços, já que é bem fácil - e barato - chegar lá saindo de, por exemplo, Frankfurt, do que do Brasil.

E aí vamos ficar janeiro, fevereiro e março na França. Sim, será inverno, com dias curtos e temperaturas congelantes, mas o casal Copo Meio Cheio está focando em lareiras, vinho, fondue, paisagens nevadas, tardes em museus e bibliotecas, preços menores porque é baixa temporada, menos filas e menos turistas.

E noites longas. Dormir muito é um talento pessoal.

Foto daqui

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O francês não me quer

Estou indignada. Fui fazer minha matrícula na Aliança Francesa da Asa Sul dez dias após o início das aulas e não tinha vaga para o meu nível no horário econômico de manhã. Absurdo! Como é que não previram que eu ia me rematricular? Justo eu, que sou ótima aluna e rata de mediateca? Esse povo não tem bola de cristal, não?

Brincadeirinha. Acho que fiquei em choque porque já frequentei várias escolas de idiomas e nunca, nunca tive esse problema. Jamais me impediram de pagar para estudar outra língua. Mas a Aliança Francesa tem um limite máximo de alunos em sala, sabe? Afe. E até agora nenhum deles desistiu do curso.

Eu sei, existem outros cursos de francês na cidade. Fiz várias ligações e descobri que, depois que você chega ao nível intermediário, a oferta de turmas e horários fica bem reduzida.

Estou pensando seriamente em estudar por conta própria este semestre. Isso é, me filiar à mediateca da Aliança (é só pagar uma taxa anual de 50 dinheiros), ler um monte de livros e revistas, ver uns programas no canal francês e abrir a gramática umas duas vezes.

Uma palhaçada, eu sei.

* * *

A mediateca da Aliança Francesa classifica os livros conforme o nível de proficiência dos estudantes.

Ignorem, gente, ignorem. Dependesse deles eu ainda estava lendo o Petit Nicolas.



* * *

Atualização: ontem mesmo fui à Aliança Francesa e me associei à mediateca. Foi só pagar 50 pilas (taxa anual), já que, como ex-aluna, eu já tinha cadastro. Saí de lá com três livros e três revistas. A mediateca é aberta à comunidade e eu recomendo fortemente.

domingo, 19 de agosto de 2012

Minha segunda casa virtual

No segundo semestre de 2011, eu e o Leo decidimos vender tudo e sair pelo mundo, mas preferimos ficar na moita antes de fecharmos com as chefias. Então, criei um outro blog, chamado Minimalizo, pra contar como estava sendo o processo de aprender a viver com menos. (É, minha vida funciona melhor quando eu escrevo sobre ela.)

Quando abrimos o jogo aqui, deixei o Minimalizo pra lá e passei a contar tudo no Lud&Leo Reloaded mesmo. Só que eu não estou sozinha nesse caminho: a Fê, amiga da faculdade de Comunicação e do resto da vida, também está simplificando.

Então, resolvemos fazer um blog em conjunto. Ressuscitamos o Minimalizo (e a Fê deixou o layout bonitão).


Continuo escrevendo aqui. Mas agora escrevo lá também.

sábado, 18 de agosto de 2012

Botaram o pé na minha janta - quer dizer, na minha licença

A má notícia de sexta-feira é que a licença que eu vou tirar do trabalho não pode ser de três anos, mas só de um.

É claro que vou tentar argumentar, negociar, chorar e ranger os dentes, mas a princípio o fato altera toda nossa programação.

Se não tiver jeito mesmo, vamos concentrar nossos esforços turísticos na Europa. O Leo quer voltar de lá tendo visitado todos os países.

Estamos meio desorientados com a notícia, mas ontem concluímos que não importa: tudo que fizemos para simplificar a vida e economizar continua válido e bacana. A jornada tem sido altamente proveitosa.

Em outras palavras: a grande aventura tem dado frutos antes mesmo de começar.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vida sem carro

Uma ideia com a qual a gente vem flertando há algum tempo é a de não ter um carro. Eu não dirijo, o Leo enjoou, e na ponta do lápis dá pra pegar muito táxi pelo preço do automóvel + combustível + seguro + imposto.

Carro é um conforto, a gente não nega. Mas, além da despesa, tem a parte chata, que é a manutenção, a revisão e eventuais acidentes (já bateram na nossa traseira. Mais de uma vez).

No nosso sabático, não vamos ter carro. Vamos andar de trem, bonde, metrô, ônibus, avião e a pé. Antes de partir, vamos vender o nosso. E aí, quando voltarmos, é bem possível que a gente continue sem.

Vamos nos organizar para isso: morar o mais perto possível do trabalho e de pontos de transporte público. E não ficar pão-durando no táxi quando quisermos sair à noite e visitar os amigos.

Se uma hora a gente achar que precisa de carro de novo, voltamos ao clube dos Senhores Volantes. Mas por enquanto estamos pensando que vamos gostar bem de sermos Senhores Andantes.



Atualização: a Isabella deixou nos comentário o link pra um texto muito bom a respeito de carros e táxis. Estou com o autor: "bom mesmo é ter vários carros e um time de motoristas à disposição. Infelizmente, nem sempre é possível."

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Desapego do cabelo

Meu cabelo é liso e marrom. Sempre foi comprido e já passou por um monte de cortes. No passado, fui meio ruiva, tingi de preto, tive luzes de várias cores. Uma hora achei que as tinturas estavam custando muito caro e larguei mão.

Aí comecei a cortar. Cortei curtinho mesmo em 2010. Depois ele cresceu. Agora ele tá igual ao da Dora the explorer.

Quando eu tinha cabelo comprido, eu escutava elogios. E passava cremes e fazia tratamentos e comprava xampus para valorizar a cor.

Já faz tempo que acho isso uma chatice. E hoje estou querendo cortar mais curto ainda. Sabem o que é lavar o cabelo em dois minutos, secar com a toalha e sair toda pronta e pimpona? É uma beleza!

Eu fico mais bonita de cabelo comprido? Fico. O povo me acha mais gatinha? Acha.

E eu ligo? Olha, já liguei. No momento, ligo não.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As loucas do papel contact

Olha só o perigo: papel contact é barato, fácil de achar e facilmente transmissível.

A Milene disse que pegou o vírus. Resultado: reformou os armários da cozinha.

Antes:
"Nossa cozinha tinha armários bege com puxadores de madeira bem desgastados."


Depois:
"Passei contact em tudo e coloquei puxadores novos."


Achei que ficou muito bacana. Com um rolo de papel contact branco (em torno de 11 reais) e puxadores, os armários ficaram novinhos! 

A loucura do contact não é só contagiosa: é também duradoura. Minha imaginação (e meus rolos) estão longe de acabar. No sábado, a irmã D. me escalou para fazer uma árvore no quarto do bebê.

Sabem de uma coisa? De turma a coisa anda muito mais rápido. Enquanto eu grudava, a irmã D. recortava e o afilhado mais fofo do mundo fazia o transporte das tiras.

Depois de umas três horas de trabalho, tínhamos uma árvore ventosa na parede do berço. (Os macaquinhos   simpaticíssimos são adesivos prontos.)


No final, depois de fazermos só mais uma folhinha e só mais um galhinho diversas vezes, a irmã D. confessou que também achou o contact viciante. 

Até deixei um pedaço na casa dela para casos de necessidade. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Estamos treinando: viagem de ônibus

A gente tem carro e costuma viajar com ele. Quando vamos visitar nossos pais de avião, pegamos um carro deles emprestado para ir de lá pra cá.

Só que, durante nossa aventura, não vamos ter essa moleza não. Vamos aproveitar os ótimos transportes públicos e usar transportes coletivos em conta para distâncias longas.

Então já estamos treinando: viemos visitar minha irmã, marido e afilhado de ônibus. Fomos de táxi até a rodoviária de BH (14 reais) e pagamos 29,75 por cada passagem para Divinópolis.

O ônibus era grande e confortável, com ar condicionado e cadeiras altamente reclináveis. Pegamos um trânsito danado em Betim e, se estívessemos de carro, ia rolar aquele stress da demora, do anda-e-pára e das buzinadas. De ônibus, não precisamos nos preocupar com nada disso: ficamos escutando música, conversando e dorminhocando.

Viagem de ônibus: aprovado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Nova carreira em vista: decoradora de interiores familiares

Como li vários blogues sobre o assunto e recobri minha casa de papel contact, estou achando que sei tudo de decoração. Ou pelo menos o suficiente para dar palpite nos apartamentos da família.

(Na verdade, é muito mais fácil fazer sugestões quando a gente não mora no lugar, simplesmente porque o olhar ainda não está viciado no jeito em que os móveis estão arranjados.)

O apartamento dos meus pais tem uma daquelas salas grandonas, de três ambientes. Minha mãe vive dizendo que "quer dar um jeito" na decoração, já que, quando se mudaram, simplesmente instalaram os móveis do apartamento antigo. Ela até já chamou uns decoradores para fazerem propostas, mas ela nunca gosta do que eles propõem.

Aí eu disse que EU ia ajudá-la a arrumar a sala. E comecei a entender porque às vezes os decoradores ignoram os clientes. É porque eles podem ser MUITO teimosos.

Minha mãe acha que sala da gente tem de ter a cara da gente, e não a cara da decoradora. Eu concordo. Só que "cara da gente" não pode ser um monte de objetos sem nenhuma relação entre si: móveis de vários acabamentos, enfeites de vários estilos, tapetes de várias cores. Quer dizer, até pode, mas aí não dá pra dizer que alguém se preocupou em deixar o ambiente harmônico. E  não sou eu que quero "dar um jeito" na decoração. É a minha mãe. Faz uns 10 anos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Minha vida passou diante de meus olhos

Dizem  que, instantes antes de morrer, sua vida toda passa diante dos olhos. Que nada. Ela passa quando você arruma sua gaveta de documentos, isso sim.

Quando saí da casa dos meus pais, deixei algumas roupas e alguns papéis. Ok, um montão de papéis. Na gaveta grande e funda, cabiam fotos, cartões de aniversário, relatórios das professoras do maternal, boletins do segundo grau, notas do curso de inglês (e cartinhas com elogios), históricos escolares, comprovantes de estágio, o certificado da OAB, os contracheques do emprego na Disney, o convite de formatura em Comunicação, cartas solicitando leituras críticas, as notas fiscais das matérias que vendi como jornalista freelance, as revistas nas quais foram publicadas as matérias que vendi como jornalista freelance, e toda uma papelada inútil relacionada, como a autorização para a compra da passagem para a Flórida (a quem interessar possa: 3.212 reais, lá em 2002. Sim, eu comprei a minha passagem no dia em que o dólar bateu nos quatro reais. A passagem ficou em 800 dólares, o que é bem razoável. Irrazoável era a cotação).

Agora minha vida passou diante dos olhos de vocês também.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Grande Cooperativa de Amigos

Uma maneira fácil de ser minimalista é ter amigos e pedir emprestado para eles coisas que você não quer comprar. O problema é que essa tática só funciona quando seus amigos não são minimalistas e não moram em apartamentos quarto-e-sala para economizar para uma grande aventura, e isso me deixou me sentindo um pouco egoísta.

Logo pensei em uma solução: fazer uma cooperativa de amigos minimalistas. Aí cada um teria só um objeto útil que é usado de vez em quando, como furadeira, grampeador industrial ou aparelho de fondue. Além de ninguém precisar de comprar e estocar um monte de ferramentas e eletrodomésticos, a gente estaria sempre se encontrando e trocando favores. Eu me candidataria para ser a guardiã do aparelho de fondue e ninguém derreteria queijo em sua casa sem me convidar.

* * *
As leitoras me deram a dica: tem várias pessoas no mundo falando e pensando sobre consumo cooperativo, que é a ideia por trás da grande cooperativa de amigos. Uma delas é a Rachel Boltman. Vejam um vídeo muito bacana clicando aqui.

terça-feira, 31 de julho de 2012

Férias e Pequena recaída já controlada

Tiramos uns dias de férias e viemos para BH. Aproveitamos para dar destino às 7 caixas (não muito grandes) que tínhamos despachado para o apartamento dos meus pais e que estavam empilhadinhas na área de serviço deles.

As 7 caixas não muito grandes estavam cheias de coisinhas das quais não quisemos nos desfazer, porque tinham um certo valor afetivo, como uma roupa de cama toda trabalhada que minha mãe trouxe do Nordeste e tolhas bordadas à mão que ganhamos da mãe do Leo. Em outras palavras, objetos que não dá pra repor depois, e que podem ser úteis quando voltarmos. Como não queremos deixá-las sem uso  durante 3 anos, distribuímos entre as famílias e dissemos para as mães irem usando.

Confesso que senti um apertinho no peito quando me despedi de um faqueiro lindo que ganhamos de casamento. Detalhe: um faqueiro lindo que nunca usamos. Ou seja, do qual eu não sentia a menor necessidade ou falta até olhar pra ele.

Respirei fundo e fui cuidar de outras coisas. Dali a 10 minutos, a pequena recaída já tinha passado. Estou contando aqui porque fiz uma nota mental de registrar o sentimento.

O desapego não é sempre fácil e natural para mim. É menos duro do que eu imaginava, mas às vezes eu solto um suspiro. Aí, em vez de ficar pensando no que eu estou abrindo mão, mudo o foco para o futuro, as viagens, a aventura, e dali a pouco estou preocupada é com as praias que eu vou conhecer na Tailândia.

PS: 2 das caixas eram de livros, claro. Metade meu pai comprou na venda de garagem, então eu só posso ser responsabilizada pela outra metade. Que ocuparam uma mísera prateleira na estante e que toda a família vai poder ler na minha ausência. Não deixa de ser desapego, principalmente para quem tinha centenas de volumes. E que ficava aflita quando alguém pegava um emprestado e não virava as páginas com o devido cuidado.

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Habemus cortina! OU Habilidades domésticas insuspeitadas 2

A Toca tem persiana em suas (duas) janelas - então, tecnicamente, eu não precisaria me preocupar com cortinas. Só que a persiana branquinha do quarto deixa entrar bastante luz, e também não é nenhuma beleza. Recuperei metade de uma das três cortinas do apê antigo, que o Leo tinha doado para um amigo (é, pedi de volta na maior cara de pau), e passei a caçar um instalador.


Liguei para umas duas lojas de cortinas, mas o povo só instalava as que eles mesmos confeccionavam. Então, passei a caçar uma furadeira.


Quem tem amigos não fica a pé, né? Arrumei a furadeira emprestada e o dono só não fez os furos ele mesmo porque a gente ainda não tinha providenciado os parafusos e buchas.


Na sexta de manhã, parafuso e buchas adquiridos (4 por 1 real) e Leo como (in)voluntário, toca a instalar a cortina. Marido foi esperto e colocou o trilho afastadinho da parede, já que a persiana horizontal é fininha e vai continuar lá (vou deixá-la eternamente aberta e esconder o cordãozinho feio). E ele tinha agourado que a cortina ia ficar comprida demais (ao que eu perguntei, toda impertinente, se ele nunca tinha ouvido falar da alta tecnologia da bainha de fita crepe), mas isso não aconteceu.


Fiquei encantada com a experiência: custou só 1 dinheiro, deixou o quarto bonito (e escuro, por causa do blecaute), e o Leo, sem nenhuma prática anterior, fez os furos, colocou o trilho suíço e encaixou as cortinas.

Como dizia nosso amigo Platão, a necessidade é a mãe da invenção.

Ou da mão na massa.

segunda-feira, 23 de julho de 2012

Roteiro para os primeiros seis meses!


Vamos embarcar para nossa grande aventura no dia 31 de dezembro. Isso quer dizer que passaremos a virada para 2013 nas nuvens, literal e figurativamente (e eu com a esperança de servirem uma champanhota à meia-noite, como já aconteceu com a irmã D. Há uns 15 anos. Num voo da Air France. Outros tempos).

Como não queremos enfrentar de cara o inverno europeu (dias muito curtos, temperaturas muito baixas, céu muito cinzento), vamos aproveitar para saracotear pelas bandas do Sudeste Asiático por uns meses e voltar para a Europa no início da primavera, como as aves migratórias. 


Preços e datas para quem gosta de saber das coisas nos míííínimos detalhes: 


Passagens grandes: 

A) Passagem de ida e volta saindo de BH para Barcelona com escala em Lisboa: 2650 reais. Precinho salgado por causa da alta temporada - e olha que a véspera do Ano-Novo é a data mais em conta! A gente passa a noite em Barça e pega um voo no dia seguinte à tarde para a Índia.

B) Passagem de Barcelona a Delhi, voltando de Pequim, com escala em Istanbul e chegada em Amsterdã:  1420 reais. Calma, a gente explica: a partir de Delhi, vamos usar voos curtinhos e outros meios de transporte para conhecer a Ásia. Em abril, a gente deixa Pequim para conhecer a Turquia, aproveitando a escala em Istanbul, e depois aterrissamos em Amsterdã, bem a tempo de ver as tulipas em flor. O preço dessa passagem ficou bacaninha, né não? 

Roteiro na Ásia:

Vamos começar pela Índia, que vai ser um desafio. Confesso que ela ficava lá no rodapé da nossa lista de destinos, porque sempre nos pareceu um lugar que exige toda uma preparação psicológica. Mas não vamos deixar de aproveitar a oportunidade (uma das minhas palavras favoritas!), já que a maior parte dos voos para o Sudeste Asiático dá uma paradinha por lá.

Vai ser uma Índia Express: só 6 noites, conhecendo Delhi, Jaipur e Agra (o Triângulo Dourado!). Se gostarmos, voltamos no futuro para uma exploração prolongada. Já nos disseram que a Índia e maravilhosa E exaustiva - logo, o ínicio da viagem é o melhor período para ir, pois estaremos animados e descansados. E, em comparação, os demais destinos vão parecer tranquilos e facinhos!

Da Índia voamos para Kathmandu, no Nepal, por 90 dólares. Vamos ficar uma semana para explorar a região de Kathmandu, Patan, Bhaktapur e o nascer do sol no Himalaia em Nargokat.

De Kathmandu o voo mais barato que conseguimos é para Kuala Lumpur por 129 dólares, onde inicialmente faremos só escala para partirmos para nosso primeiro período de férias... das férias. Voaremos por míseros 29 dólares para Phuket. 


De lá continuaremos pela Tailândia, pagando 71 dólares pelo voo para Chiang Mai, no norte do país, e depois, trem noturno para Bangkok. Os três destinos prometem praias, templos, elefantes e boa comida, tudo por ótimos preços.

Da Tailândia nos mandamos para o norte do Vietnã: voo de Bangkok para Hanoi baratinho, por 93 dólares. No Vietnã vamos cortar o país de cima para baixo, de trem e ônibus, e tirar as segundas férias das férias em alguma praia. (É muito cansativo turistar pelo mundo por meses, gente.) E de ônibus mesmo iremos de Ho Chi Minh para Phnon Phem, a capital do Camboja.

Depois de conhecer Phnon Phem e os famosos templos de Angkor Wat em Siem Reap, voaremos novamente para Kuala Lumpur. De lá, partimos para Cingapura,  Hong Kong e Macau (3 voos, 226 dólares).

De Hong Kong iremos de trem para o último destino asiático: China. Vamos passeando pelo pais até chegarmos a Pequim. Aí suspiraremos fortemente e pegaremos o voo para Istanbul.

Estamos planejando ficar umas duas semanas na Turquia. Depois, vamos para Amsterdam e passaremos uns dias nadando em tulipas. E da Holanda iremos para a França, realizar um sonho antigo: morar em Paris. Na primavera. Por dois meses.

Vai ser um primeiro semestre cheio de emoções. Aceitamos palpites e companheiros de viagem!

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Copos de cristal

Terminada a venda de garagem e as muitas doações, ficaram em nossas mãos umas coisinhas que botamos pra usar. Entre eles, copos de cristal lindos, que estiveram durante anos no armário enquanto a gente usava copos de requeijão (os bandidos não quebram, é impressionante). E quatro taças vermelhas, pois o conjunto de cristais foi pra BH de presente para a mãe do Leo. E pratos do aparelho de jantar que ganhamos no casamento e que só saíam da caixa em ocasiões especiais.

É engraçado como o apego excessivo faz com que a gente "economize" os objetos. E aí eu não usava nem deixava ninguém usar. Uma das coisas legais da nossa venda de garagem foi vermos muita coisa indo pra pessoas que iam curti-las e utilizá-las.

Hoje a gente mora em quarto-e-sala, mas toma água em copo de cristal e lancha em pratinho com filete de prata.


Coisas da vida. 

quinta-feira, 19 de julho de 2012

Quanto custa um período sabático na Europa?

Ô perguntinha difícil. Primeiro porque depende de um tanto de fatores; depois porque, não importa o valor que a gente colocar aqui, tem gente que vai nos achar pobretões pão-duros e gente que vai nos achar milionários esbanjadores.

Minha tentação é deixar pra falar de dinheiros depois que tivermos voltado, até porque aí não vai ser previsão, mas balanço. Mas o povo quer saber, assim como eu também queria quando comecei a pesquisar sobre o assunto.

Resposta: é menos do que você pensa e mais do você gostaria. 

Ok, agora em números. Segundo amigos que moram em Madri,  mil euros por mês, por pessoa, cobrem aluguel, contas e jantares eventuais. Se forem 2 pessoas, o valor individual cai pra 800 (1.600 o total mensal), porque há muitas despesas que dá para dividir. 

Isso é Madri. Sevilha é um pouco mais barato; Milão, um pouco mais caro. Some a isso a passagem de avião de ida e volta, que costuma ficar em torno de mil euros/cabeça. Pronto, já dá pra fazer uma projeção de quanto custa viver na Europa, sem trabalhar, curtindo a vida adoidado. O que, na nossa versão, é passeando a pé, pegando ônibus e metrô, aproveitando os festivais de rua, frequentando bibliotecas públicas, batendo ponto em museu nos dias grátis, cozinhando em casa e consumindo os produtos da estação. Quem quer viajar todo fim de semana, fazer montes de cursos e sair pra balada vai ter de guardar mais euros no cofrinho. 

Ou seja: o valor final depende tanto do que você quer fazer quanto do que não quer.

quarta-feira, 18 de julho de 2012

A beleza dos espaços pequenos

Eu achava que morar em um lugar pequetito por seis meses ia ser tranquilo. Pois está sendo mais que tranquilo - está sendo ótimo. A casa fica arrumada em um instante, conversamos sem levantar a voz quando um está na sala e outro no quarto, e a criatividade está a mil: todo dia inventamos uma solução original para alguma necessidade.

Já decidimos que, quando voltarmos do período sabático, vamos alugar um apê parecido: pequeno e  mobiliado. É tão prático, tão confortável, tão anti-entulhamento... (Antes de comprar a mochila, por exemplo, eu chequei se tínhamos espaço pra guardar).

Só tem uma coisa que a gente sente falta: máquina de lavar roupa. O futuro possível quarto-e-sala podia muito bem vir com uma.

E estantes. Vê lá se eu volto da nossa aventura sem uma grande caixa de livros enviada por navio cargueiro.

terça-feira, 17 de julho de 2012

A mochila azul

Eu sou a maior fã de mala de rodinha, mas segundo as averiguações do Leo, na Ásia o melhor é usar mochila, porque não é todo lugar que tem ruazinha pavimentada. Como quem vai para albergue é pra se molhar, decidimos comprar uma. O plano é partir com uma única mochila e mais uma bolsa de mão, adquirir outra no Nepal, onde os equipamentos de caminhada/escalada são subsidiados pelo governo (oi, Himalaia) e ficam bem em conta. 

Depois de ler milhares de posts no mochileiros.com, descobrimos que mochila é igual roupa (tem que experimentar) e igual roupa de marca (é cara). Localizamos uma loja física e lá fomos bisbilhotar. Voltamos para casa, pesquisamos mais, deliberamos e decidimos fechar no modelo Trip da Nord Outdoor, 50 + 10 L - isto é, um mochilão de 50 litros que vem com uma bolsa frontal destacável de 10, a "mochila de ataque". 



Custou 299 dilmas, o que não é barato, mas considerando o preço de outras marcas/modelos, não dá para reclamar. Parece que o sonho de consumo dos mochileiros profissa é a marca alemã Deuter, que custa uma fortuna (a versão equivalente à nossa fica em quase 900 dinheiros). Mas, já que a gente não vai acampar nem fazer trekking com a nossa, só viajar por uns meses, decidimos ir de Nord mesmo.

Esse modelo é bem bacana: tem divisões internas, um sistema que adapta a mochila ao tamanho do carregador, capa de chuva e capa de proteção pra hora de despachar como bagagem.

No fim do mês, vamos tirar uns dias de férias e viajar com ela, para sentir o drama.

Mas ela já ganhou pontos sem se esforçar: é da minha cor preferida.

domingo, 15 de julho de 2012

Novidades do fim de semana

1) Cortei o cabelo na quinta. Compramos uma mochila azul no sábado. Resultado: virei a Dora the explorer.


2) Descobri o Pinterest. É, eu sou fraca em redes sociais (digitais E analógicas). Para quem estava  copiando e colando imagens de decoração nos rascunhos de Gmail, é um grande progresso. 

3) Adquiri mais dois rolos de papel contact: um branco e um preto. (E fiquei pensando que, se fosse pra ser roots mesmo, eu devia ter comprado esses dois logo no começo e fabricado a estampa de zebra no braço.)

4) Me enrolei toda nos projetos da Toca. Minha missão era dar profundidade a esta parede bobinha aqui


para aumentar visualmente o espaço. Pois fazer isso com uns poucos metros de papel contact não é fácil, principalmente quando você percebe que o cinza das paredes é escuro o suficiente para você notar que ele existe, mas claro o bastante para não dar qualquer destaque ao contact branco.  

(Confesso: eu gostaria bem de cobrir a parede com essa estampa aqui:


Acho que ia ficar luxo, poder e sedução. E profundidade. Não vai rolar, é claro. Mas fica registrado.)

5) Falando em papel contact branco: me consolei ao descobrir que dá para colori-lo com uns lápis de cor aquareláveis que tenho por aqui. Mas ainda não sei direito o que fazer com essa descoberta.

6) Para não dizer que foi um fim de semana perdido, fiz uma gracinha com a mesa (mosaicos de contact. Sim, eu recortei um por um, com estilete. Mas só fiz esse lado da mesa, hohoho)



e outra com o portal que dá para o quarto:


É, eu pertenço à escola de decoração que acha que não há nada que não possa ser melhorado com a aplicação de preto, branco, quadrados, listras ou todos eles ao mesmo tempo.

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Meu nome é Lud e eu tenho um vício: papel contact.

Na quarta, me entreguei ao vício das 8 da noite às 11 e meia. Resultado:


Achei bacana porque separou o "ambiente" sala de jantar do "ambiente" sala de tevê:



Meus rolos de papel contact ainda não acabaram, mas já estou planejando mais uma visita ao fornecedor, opa, à papelaria para me reabastecer. Olho para as paredes cinzentas e os armários brancos da minha casa e só enxergo telas vazias a preencher. 


Não riam. Vício é coisa séria. 

quinta-feira, 12 de julho de 2012

Habilidades domésticas insuspeitadas

Prendas domésticas nunca foram o meu forte, nem o do Leo. Sempre tivemos diaristas. Hoje em dia penso que lavar, limpar e cozinhar são habilidades utilíssimas, e que posso muito bem usar meu cérebro avajantado (ahem) para dominá-las.

Admitamos que os skills do Leo são maiores que os meus. Num RPG, eu teria uns - 2 e ele, pelo menos uns 4. Ele cozinha um pouco, sempre operou a máquina de lavar, sabe trocar chuveiros e fazer compras no supermercado. Quando sou eu, compro um tablete de chocolate e um pacote de pipoca de microondas e acho que temos comida para uma semana.

Agora que moramos num quarto-e-sala, decidimos trocar a despesa de uma faxineira semanal pela despesa da lavanderia. Eu explico: temos um tanque escondido atrás de uma grande porta branca, mas nada de máquina ou varal. E a faxina pela qual pagamos 65 reais foi tão ridícula que pensei seriamente em começar a  limpar as kits vizinhas depois do expediente, já que por "limpar kits" entenda-se jogar água no chão e esperar ela secar sozinha.


Isso significa que vamos experimentar limpar o apê nós mesmos. Temos ido bem, e a área reduzida ajuda. Além disso, estou achando que não vale a pena levar toda e qualquer peça de roupa para a lavanderia, porque ela é careira. Então, eu pego meias, pijamas e roupas de caminhada, jogo em uma bacia cheia de água e uma quantidade aleatória de sabão em pó, deixo de molho e esfrego alegremente. Meus bracinhos doem durante o processo, o que quer dizer que esfregar e torcer é um ótimo exercício.


Sim, eu sei lavar roupa. Nem me lembrava disso, porque aprendi quando era criança, brincando na área de serviço, mas não que é que a técnica (é, é fácil mas tem técnica) ressurgiu dos pântanos da memória. 

As tarefas domésticas estão sendo divididas naturalmente, conforme as inclinações de cada um. Isto é, o Leo varre, passa pano no chão, lava a louça, faz as compras; aí eu fico com vergonha e corro para tirar o lixo e lavar as roupas.

E cuido da decoração, é claro.

terça-feira, 10 de julho de 2012

Menos espaço, mais consideração

Tendo dividido nossa área habitável por quatro, estamos desenvolvendo todo um novo modus vivendi. Não está sendo difícil, porque nós dois somos muito sossegadinhos e educados (e se entalamos juntos em algum lugar, aproveitamos para trocar uns beijinhos). Está sendo, isso sim, surpreendente: estou percebendo que, quando se tem menos espaço, o jeito é compensar aumentando o nível de consideração com o próximo.


Adoro sair do banho pingando igual ao monstro do pântano e encharcar o tapete do banheiro. Na casa anterior, eu tinha um banheiro e um tapete só pra mim, e ele secava até o banho seguinte. Na casa nova, como o tapete é um só, não faço mais isso, ponto. E escovo os cabelos de manhã e à noite, igual a um cachorrinho, para evitar o excesso de fios perdidos no chão claro. 


Nós dois gostamos de espalhar roupas pela casa, mas agora não rola, porque nem existem espaços horizontais disponíveis! E adquirimos o hábito de tirar os sapatos assim que abrimos a porta do apê, para não trazer sujeira da rua. 


Um dia desses, na aula, estávamos conversando com o professor, que é mezzo francês, mezzo brasileiro, sobre a questão do trânsito de Brasília. E como todo mundo que pode compra um carro correndo, ao invés de brigar para o transporte público melhorar. Ele comentou que acha que o fato de as pessoas usarem espaços em comum (no caso, ônibus/metrô/bonde) muito educativo - você aprende a esperar, compartilhar e ceder lugar. 


Eu concordo.

segunda-feira, 9 de julho de 2012

Balanço de um primeiro semestre econômico e minimalista

Lá pelo meio do segundo semestre do ano passado, decidimos apertar os cintos para guardar o máximo de dinheiro possível (a gente já guardava, mas queríamos economizar mais). Agora, terminado o primeiro semestre de 2012, dá pra comparar com os primeiros seis meses de 2011 e ver se nossos esforços (que nem foram tão grande assim - eu sou naturalmente pão-dura) valeram a pena.

Acho que valeram. Na primeira metade de 2011, guardamos 49% dos nossos vencimentos líquidos (não se espantem: a gente não tem filhos, só tem um carro, não gosta de balada etc.). Na primeira metade de 2012, tendo cortado compras e evitado despesas, o número pulou para 62%. Ou seja, um aumento de 26% no valor economizado!

E no segundo semestre, a economia vai aumentar ainda mais, já que nos mudamos para um apê que custa menos de metade do anterior. Ueba!

sábado, 7 de julho de 2012

O homem de pouca fé OU Meu primeiro adesivo de contact


Quando descobri as maravilhas da decoração efêmera, corri para mostrar ao Leo todas as belezas que ela podia nos proporcionar. Botei "wall stickers" no Google Images e apontei adesivos de cerejeiras em flor, pássaros em revoada e silhuetas de cidade. Ele gostou...

deste aqui

E disse: "Olha, é baratinho! Vamos comprar?"
Eu retruquei: "Imagina! Mais de 20 reais por um adesivo que eu dou conta de fazer?"
Aí o Leo me olhou com o maior ar de dúvida do mundo e falou "aaaaaah... será?" 
Ao que eu respondi: 

Challenge Accepted..>:P

Então, hoje à tarde, eu me atraquei com meus rolos de papel contact, minha tesoura e minha geladeira e...


... challenge accomplished!


* créditos: o adesivo é da adesivodeparede.mercadoshops.com.br e o o gif veio do barney-blog.tumblr.com. 

quinta-feira, 5 de julho de 2012

7 coisas que eu adoro em você (,novo lar)

E não é que o novo apê, que tem 25% da área do antigo e custa menos de metade, tem, sim, suas superioridades? Aqui vai a lista:


1) a saboneteira do chuveiro tem furinhos para a água escoar. A do apê antigo não tinha (nunca entendi a razão) e o sabonete ficava se afogando e se dissolvendo o dia todo.

2) a torneira do banheiro é ecológica (aquela que você aperta e se fecha sozinha). Dá pra ligar com o dorso da mão, uma beleza.


3) os sapatos ficam guardados no armário ao lado da cama. Você se senta, estica o bracinho e pesca os sapatos, no maior conforto (em vez de buscá-los lááá longe).


4) a tevê fica na altura adequada. O rack antigo era mais baixo do que devia, e passamos anos adorando ver televisão no chão, sem saber direito o porquê.

5) o chuveiro é elétrico, e não a gás. Isso significa que ele esquenta quase imediatamente, em vez de gastar seus bons 60 segundos.


6) o novo apê fica grudado no Parque da Cidade, que não só é ótimo para caminhar como também tem uma vista muito linda do céu de Brasília (ao entardecer e ao amanhecer, nossos horários de predileção). 


7) e custa menos de metade! Já falei, mas não me canso de repetir: o novo lar custa menos de metade do antigo! Essa diferença vai ser transformada em pelo menos três meses de aluguel... em Paris!

quarta-feira, 4 de julho de 2012

E eu achava que era minimalista...

Desde o meio de 2011 tenho abraçado o modo de vida minimalista. Tenho me recusado a comprar e doado, presenteado e vendido os objetos de que não necessitamos.


Isso me fez acreditar que o número de coisas que possuíamos tinha diminuído assombrosamente. Que a mudança para a Toca, um quarto-e-sala mobiliado, seria coisa de dois tempos: fazer duas malas e transportá-las. 


Ledo engano. Fizemos mais de 10 viagens entre o antigo e novo apê, menos tendo deixado um monte de objetos para trás (o porteiro mais bacana ganhou tudo), mesmo dando brindes para os melhores compradores da garage sale (leve o buffet e a cômoda, ganhe um rechaud!), mesmo tendo desfeito nossa biblioteca (foi o que mais me doeu), mesmo tendo enviado uns objetos mais queridos para a casa de nossos pais (e eu que eu já nem lembro mais quais foram).


Conclusão: o meu minimalismo estava caminhando mais lentamente do que eu imaginava. Eu estava me desfazendo das coisas em um ritmo razoável, só que tínhamos - e temos! - muito! 


A sorte (?) é que o quarto-e-sala foi habitado por uma engenheira que projetou muitos, muitos armários. Então a grande quantidade de objetos que trouxemos - entre roupas, eletrodomésticos, eletrônicos, material de estudo e um resto da gaveta de presentes - está devidamente guardado. 


Só que o Leo já me lembrou que, daqui a seis meses, a gente vai embora do país. Só vamos levar o que conseguirmos carregar (o que, no meu caso, é bem pouco), porque queremos continuar móveis durante o sabático (nada de montar casa e se estabelecer por um tempão). 


Conclusão: o programa de desfazimento vai ficar mais agressivo. 

terça-feira, 3 de julho de 2012

Antes & depois: a cozinha da Toca




A cozinha já era bacaninha, toda nova e branquinha.

Então foi só botar os nossos eletrodomésticos pretos e prata (o forno elétrico e a torradeira) e nossos objetos coloridos. A fruteira em cima da geladeira é de cristal e eu sempre usei como item de decoração, mas agora ela está cumprindo sua verdadeira função. E o cabideiro, que estava no quarto, foi para perto da porta, pra gente colocar pastas, bolsa e chapéus. 


Eu só achei que estava faltando um pouco de profundidade naquele branco exagerado, e providenciei uns azulejos pretos em cima do fogão. Comecei a decorar, mudei o tamanho dos quadrados para testar, achei a combinação interessante e... vai ficando assim por enquanto. 

Detalhes coloridos!


Só ficou faltando o banheiro nas fotos. Como ele é normal, todo branquinho e nada ofensivo, não mereceu nenhuma dose de contact.  

E aqui se encerra nossa breve série de posts decorativos!

segunda-feira, 2 de julho de 2012

Antes & Depois: a sala da Toca

Algumas pessoas (como o Leo) não se incomodam com as cores de um ambiente. Já eu sou chatíssima para essas coisas e cores fora do esquema me incomodam mesmo. (Exemplo: meu primeiro voo de avião, aos oito anos, ficou marcado pela decoração LARANJA do avião da Transbrasil. Enjoei, claro. Tenho certeza que o laranjão contribuiu).

A sala-copa-cozinha da Toca tem armários brancos, paredes cinza (é difícil de ver na foto, mas comparando com as cadeiras brancas dá pra perceber), sofá preto e, até algum tempo, móvel de madeira amarelado e assento de cadeiras verde-limão. 



(Desconsiderem a sacolinha de produtos de limpeza em cima da mesa e a camiseta cinza nas cadeiras e foquem no tom de verde inexistente na natureza dos assentos.)


(Adorei o modelo das mesinhas e o acabamento em madeira escura, mas o que é esse tampo em bege-mingau, Jesus?) 

Fiquei matutando. Li blogues, passeei na net, pensei nos objetos que tínhamos e, sem esquecer que a palavra de ordem é economia, concluí que a solução mais rápida, prática e econômica era unificar a decoração em preto e branco (com uns toques de cor forte pra ficar alegrinho).


Como? Papel contact, bebê! 


A sala, depois: o medonho móvel de tevê foi substituído pelo nosso cubo com gavetas, que é de madeira escura. O tampo da mesinha virou zebra. As almofadas vieram do antigo apê: na próxima viagem a BH recupero as capas vermelhas e bordô que despachei pra lá. 


 A mesa continua igual...


... mas as cadeiras, quanta diferença!


As mesinhas eram assim:


E ficaram assim!

(O baú do tesouro fica devidamente protegido pelo guerreiro... belga.)

Custo: 20 reais por dois rolos de papel contact (o preto custou 8, 20 e o de zebra, 11,80) e umas horinhas de mão na massa (eu me diverti). A régua e o estilete peguei emprestado (tesoura resolve, mas esses dois facilitam). 

Achei que ficou bacana. (Espero que a proprietária do apê concorde.)

domingo, 1 de julho de 2012

Antes & Depois: o quarto da Toca

O Leo mediu a Toca: 23 metros quadrados. Pequetito, mas bem dividido: se a gente for pensar, são cinco ambientes: cozinha, sala de jantar, sala de estar (todos juntos), quarto (separado) e banheiro. Sem contar a área: tanque, varal e porta-vassouras atrás de uma porta grandona (já descobrimos que, quando alguém some de repente, é porque está mexendo no tanque e a porta fechou sozinha).

A aflição do Leo passou rapidinho. Estamos bem instalados e confortáveis. Principalmente agora que as cadeiras verde-limão (ou verde-catarro, como a irmã D. poeticamente colocou, com conhecimento de causa, porque ela é mãe de menino pequeno) foram transformadas.

Vamos às fotos. O quarto era assim:


O look psychiatric chic, com uso intenso de branco e barras na janela, não agradou (eu sou meio doida, mas ainda circulo em sociedade, obrigada). Por outro lado, dava pra ver que o quarto tinha potencial. E armários (além desse à direita, a parede da porta do banheiro é coberta deles).

O criadinho-mudo era nosso e a dona do apê comprou na garage sale, olhem que simpático.

O Leo bateu o olho e achou que a disposição dos móveis não era boa (e eu concordei entusiasticamente, porque não gosto de cama de casal encostada na parede - sempre tem um que fica preso no canto, coitadinho. E dormir com a cabeça debaixo das persianas também não é bacana. Poeira, oi?). 

Então, colocamos a cama paralela à janela e o armário do lado da janela e, depois de uns dias, o quarto  ficou assim:



O foto grande em cima da cama foi o Leo que tirou, em Haia, e o prédio creme, no centro, foi a casa do Maurício de Nassau, governador da Holanda no Brasil (chegado).


As gravuras de flor eu trouxe lááá de Fabriciano. Quem guarda tem, gente. 


Conversemos sobre esse meu lema e sua aplicação ao minimalismo - ou não - depois. 

sexta-feira, 29 de junho de 2012

A louca do papel contact

Apartamento alugado, grana contada, ambições decorativas: teu nome é papel contact. Barato, fácil e removível.


Ontem me tornei a orgulhosa possuidora de dois rolos, um preto e um de zebra. A primeira vítima foram umas mesinhas empilháveis cujo tampo, de um bege medonho, brigavam horrivelmente com as paredes cinza-claro. As seguintes foram as tampas lindas de duas caixinhas de madeira (presente da irmã D.), que não estavam combinando com a decoração do quarto. 


Aí eu já estava empolgadíssima e revesti diversos azulejos brancos da cozinha. Termino a parede no fim de semana. E o assento das cadeiras verde-limão? Não passam de domingo!


O problema do papel contact é que é tão fácil e rápido de aplicar, com um efeito tão imediato, que a gente começa a querer cobrir o mundo com ele. 


Ou pelo menos as paredes. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Segunda noite na Toca

Mudamos. Ontem foi a segunda vez que dormimos na casinha nova.

Na primeira noite, a cama diferente, a luz que vinha da janela e o barulho da rua me acordaram algumas vezes. De ontem pra hoje, dormi como uma pedra e resmunguei na hora de levantar.

O ser humano é incrivelmente adaptável. Já estamos nos sentindo confortáveis. Dois dias, e já temos os espaços para deixar bolsa e pasta, os lugares para pendurar as roupas do dia, o hábito de tirar os sapatos na entrada, e toda uma dinâmica adaptada ao novo ambiente. 


Só falta instalar a cortina do quarto, comprar adaptadores de tomada e trocar os assentos das cadeiras (verde-limão is so not my color). Aí eu fico perfeitamente contente. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O golpe da mudança

Quando viemos para Brasília, comecei a trabalhar quase imediatamente. O Leo, que começou um mês depois, se encarregou de instalar cortinas e telas, providenciar internet e tevê a cabo, abrir as caixas e organizar as coisas, tudo praticamente sozinho.

Dessa vez, estamos os dois trabalhando, mas eu tenho um novo sistema entrando no ar e ele tem muitas horas de crédito com o chefe. Então, de novo, é o Leo que ficou com as burocracias do processo. Com o agravante que estamos levando tudo para a Toca por conta própria.

Ele brinca que eu estou dando o golpe da mudança - de novo. Mas, como ele deu o golpe do passaporte (quando éramos namorados, eu tinha altas esperanças de que ele ia conseguir a cidadania europeia, por causa do bisavô italiano. No fim das contas e dez anos depois, foi o meu passaporte português que saiu), acho que ficam elas por elas.