quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

E os planos começam a tomar forma...


No começo, a gente só sabia que ia. Eu queria estudar e passear, o Leo queria passear e passear, e fomos negociando até chegar a um mínimo denominador comum de interesses.


Agora, depois de muito conversar, concluímos que primeiro a gente vai viajar. Por uns meses. Pela Ásia. De mochila.


Também estou chocada. Admito que sou fresquinha, principalmente para comer. Mas decidi que não vou deixar meus chiliques impedirem minhas aventuras. Além disso, com o minimalismo, tenho me tornado uma pessoa mais simples. Tem banheiro limpo? Partiu.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Volta às aulas (de francês)

Estou toda-toda: fiz teste de nível hoje de manhã e consegui ir para a classe que eu queria. Na quinta-feira começo meu quarto semestre (ou A2.1, conforme a classificação bizarra dos níveis de français langue étrangère)

Tive que fazer o teste porque perdi o último mês de aulas no ano passado. Viajei no começo de novembro e só ia voltar para as provas, então resolvi trancar. Queriam que eu refizesse o terceiro semestre que não completei, mas vê lá se eu sou boba. Estudei em casa, aprendi por minha conta o imparfait, e lá me fui toda pimpona fazer a provinha, confiando que o TV5 e os blogues em francês tinham me deixado afiadíssima.

Fui bem nas habilidades passivas (100% em compreensão oral, 85% em compreensão escrita) e bem mal na produção escrita, que é uma habilidade ativa (abismais 53% - quelle horreur). No final, tirei 77 pontos - e precisava de 81 para ir para a A2.1. Mas a prof foi boazinha e me recomendou o nível que eu queria. Acho que minha empolgação na hora da conversation valeu um bônus.  

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Não compro mais

Economia e minimalismo são duas das estratégias que estamos usando para alcançar nosso objetivo. Em outubro do ano passado, percebemos que eliminar o consumo supérfluo ajudava nas duas. E pronto, decidimos: além de comida, produtos de limpeza e remédios, não compramos mais nada desde então.

Ok, compramos os Kindles e presentes de natal. Os primeiros foram uma ótima aquisição e já se pagaram muitas vezes: com ele, consegui me desapegar de minhas pilhas de volumes, que estão sendo distribuídos entre bibliotecas, sebos e amigos, e pude pedir vale-compras de presente, que se transformaram em inúmeros livros digitais. Sem falar que já estou imaginando a maravilha que vai ser viajar por aí com um monte de guias de viagem e obras temáticas de história e ficção guardadinhos em 170 gramas (é o que ele pesa. Sim, é incrível). Os segundos foram necessários para manter os laços afetivos (mas já estamos convencendo as pessoas a transformar futuros presentes em experiências).

Eu não era de comprar muito, mas confesso que no começo estranhei um pouco. Quase caí no papo de uma botinha linda, sem salto, na promoção. Resisti e, hoje, não sinto falta. Juro. Talvez porque eu tenha passado por uma fase consumista em 2009 e percebido que objetos, depois da primeira empolgação, não me fizeram mais feliz; talvez porque eu não tenha filhos e, portanto, nenhuma vontade de dar-lhes "o que eu nunca tive". 

Ou talvez porque eu seja uma pão-dura das maiores mesmo.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

A Chateação de Hugo Cabret

Ontem vi A Invenção de Hugo Cabret, do Scorsese. Achei o começo e o fim chatos e previsíveis; gostei do meio, que fala de cinema e tem o Ben Kingsley. Nota? Dou 5 e meio.

Achei que a Chloe Grace Moretz, que faz a Isabelle, se saiu bem.  E olha que eu costumo não gostar de crianças atuando.  O Asa Butterfield, que faz o Hugo, é detestável. Ele tem cabelos sedosos, pele de porcelana e lindos olhos azuis, mas interpreta com o nariz: toda vez que está emocionado, triste ou com medo, suas narinas palpitam. E só.

Aproveito para falar mal também dos filmes em 3D. Vi  Hugo na versão normal, e o resultado são tomadas longas e dispensáveis que tá na cara que só servem pra mostrar elementos pulando da tela. Aliás, dá pra perceber quando um filme tem pretensões tridimensionais sem ninguém avisar, né? As tais tomadas longas e dispensáveis entregam.

Outro detalhe que me incomodou é que, nos filmes originais do Méliès mostrados no Hugo, as moças tem pelos nas axilas (claro - o lugar é a França e a época são os anos 30). Mas, quando os filmes do Méliès aparecem sendo feitos, sua musa e esposa vive com os braços erguidos, e ela não só está depilada como provavelmente usa Dove Anti-Manchas. Ou seja, vamos ser um filme de época, mas só até um certo ponto. Meu feminismo palpitou, igual ao nariz do Hugo.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Aliciamento de maiores

Eu e Leo estamos tão empolgados com nossos planos que é só alguém mostrar interesse pra gente dizer: "Não quer ir também? Olha só, é fácil!".

Ainda não convencemos ninguém (a irmã I. já tinha planos de estudar na Alemanha), mas eu juro que não é difícil. A maior obstáculo a vencer está na cabeça da gente: descobrir que sim, damos conta e, se não der certo, ninguém morre disso.

Como não chegamos a essa conclusão de um dia pra outro, também não podemos achar que vamos passar o feriado na casa de alguém e sair de lá com companheiros de aventura. Mas que estamos tentando, isso estamos.

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

O Caso dos Enganos

Às vezes a gente se engana nas escolhas. Eu, por exemplo: batalhei pra ser chefe do meu setorzinho. Trabalhava fora do horário, insistia para participar dos projetos, ajudava o chefe antes dele perceber que precisava, tinha ideias, iniciativa e empolgação. Isso porque achava que, em uma posição de decisão, ia conseguir mudar as coisas e deixar a área mais útil e produtiva.

A boba. Bem que o Leo dizia pra eu ficar quieta no meu canto. Depois que virei chefe, consegui mudar tão pouca coisa que é até triste. Gasto um tempo danado lidando com distribuição de trabalho, controle de horários, aprovação de férias e feriados e pedindo pelo amor de deus pro povo mudar um pouquinho, um pouquinho só, por favor, pode ser? Trabalho muito mais do que todo mundo no meu setorzinho, vou pra casa pensando no serviço, resmungo com o Leo dos meus funcionários (e aposto que eles também resmungam de mim). E isso não é o pior - o pior que aquela empolgação sumiu.

Ultimamente, acho que o bom de ser chefe é só a mesa no cantinho e o dinheirinho a mais todo mês (vocês sabem que eu aprecio um dinheirinho). Mas estou ficando tão frustrada que, daqui a pouco, vou estar é pagando pra deixar a chefia.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Simplificando espaços

Eu não acho que um ambiente minimalista tem de parecer um espaço estéril, todo em superfícies reluzentes em preto e branco. Mas também tenho achado que menos é mais e, em consequência, estou tentando diminuir a quantidade de objetos puramente decorativos em nossa casa.

Pouco a pouco, vou guardando vasos sem flores, caixas vazias, candelabros que não acendemos, taças coloridas que só servem para juntar poeira. Ficam em exposição as lembranças que trouxemos de viagens - um hábito que já eliminamos, inclusive.

Acabei achando que fica mais fácil de ver as coisas assim. Às vezes a gente decora tanto um quarto que nem consegue prestar atenção nos objetos individuais.

Outra consequência da arrumação é que fico imaginando que vai herdar meus tesouros. A triste verdade é que adornos são extremamente pessoais. Desconfio que vou gastar uma grana transportando tudo para minha cidade natal somente pra ver as vítimas, quer dizer, os beneficiados torcendo os narizes para meus negocinhos. Por outro lado, vendê-las em um brechó de artigos do lar dá tão pouco dinheiro que me parte o coração (vejam bem, não é vender as coisas que me deixa mais triste - é não receber um bom tutu por elas!).

Ai, esses problemas de gente rica.

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Français, je t'aime

Estou impaciente para as aulas de francês recomeçarem. No ano passado, viajei em novembro e, portanto, perdi as últimas semanas do curso. Isso quer dizer quase quatro meses sem entrar em uma sala de aula. E eu gosto muito de salas de aula.

Isso não quer dizer que a minha aprendizagem de francês tenha estacionado (muito). Assino uma revista feminina francesa, procuro clássicos na internet e assisto ao TV5. Esse último é bem frustrante: há programas que entendo razoavelmente (como jornais, com apresentadores de ótima dicção) e outros dos que não pesco quase nada (como filmes sem legenda). A programação não ajuda muito: 60% são noticiários. A dicção dos apresentadores é ótima, mas perco rápido o interesse nas notícias repetidas.

Na prática, isso tudo serve para aumentar um pouco o vocabulário e manter o ouvido mais ou menos treinado, mas não dá pra dizer que estou aprendendo a conjugar verbos com perfeição. Minha tese é que meu cérebro vai aprendendo a estrutura da língua, e quando chegar a hora do caderno de exercícios, tudo vai fluir mais fácil.

Segundo um livro do qual li uns pedaços (Hiperpoliglotas - o fim da Torre de Babel), as habilidades passivas de uma língua, que são ler e escutar, são mais fáceis de aprender do que as habilidades ativas, falar e escrever. A minha experiência é um pouco diferente: ler é comigo mesmo, mas não acho escutar tão fácil assim. (Já o Leo tem um ouvido ótimo.) Prefiro escrever e falar, ainda que aos trancos e barrancos.

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012

O foco vai bem, obrigada

Desde que resolvi ser uma pessoa mais focada (há uma semana), estou me sentindo ótima. A angústia  de correr atrás de dez coisas diferentes - e mesmo assim estar perdendo outras dez - foi embora. O Kindle passou por uma limpeza: um monte de livros vagamente interessantes foi sumariamente apagado. Também estou tentando ler um só, e não três ao mesmo tempo (nunca tive esse hábito, mas nas últimas semanas a quantidade de livros disponíveis estava me tirando do sério).

É legal se concentrar no momento. Como disse a Fê nos comentários, tudo rende mais, tanto no trabalho quanto na diversão. O estresse diminui. Os resultados aparecem. E resultados, ainda que poucos e modestos, são melhores do que fantasias, ainda que várias e gloriosas.

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Questão de perspectiva

Na minha cabeça, eu já estou preparada para morar em um apartamento pequetito ou um studio (quarto, sala e cozinha num mesmo ambiente - pequeno - e banheiro separado). Então, às vezes eu olho para o meu lar atual e fico espantada com o tamanho dele. Três quartos! Dois banheiros! Duas pessoas!

Brinco com o Leo que a gente pode trazer a cama para a sala e viver ali. Como a cozinha é estilo americano, pronto, virava um studio. Mas um studio luxuoso, sabe? Com um bocado de espaço. Encontrei studios para alugar em Paris com 14 metros quadrados. E não eram baratos, não! (Paris é a Brasília europeia. Estou desistindo de morar lá. Acho que vou me contentar com algumas semanas de turismo, e olhe lá. Aposto que é mais divertido mesmo.)

O engraçado é que o apartamento atual não é grande, não (talvez só pelos padrões parisienses). O namorado americano de uma amiga achou que ele era "cozy" (uma expressão simpática que quer dizer aconchegante. E pequeno.)

Mal sabe ele que queremos viver em um lugar muito mais "cozy" ainda.

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Eu e a moda, a moda e eu

Já gostei muito de acompanhar tendências, ler revistas, ver desfiles, conferir programas e blogues de moda. Aí veio uma época em que me revoltei com as expectativas da sociedade em relação às mulheres e abandonei totalmente, junto com a maquiagem e os saltos altos.

Primeira surpresa: fora minha mãe, ninguém mais ligou ou reparou. Segunda: deixar de me preocupar com o que eu - e os outros! - estavam vestindo me tornou mais feliz. Terceira: percebi que a moda, hoje, no Ocidente, é uma fabriquinha de criar desejos de consumo. Toda hora surge um produto novo, um outro estilo, uma tendência diferente - se bobear, você fica por conta. E minimalismo e consumo responsável vão na direção contrária, né?

Então hoje em dia eu sou parecida com os personagens da Turma da Mônica. Estou sempre usando o mesmo tipo de roupa: calça, camisa, sapatilha. É confortável, adequado (para o meu dia-a-dia) e eu acho bonito. E que acaba ficando coerente - uma reunião surpresa nunca vai me pegar de saia vermelha balonê. (Nada contra as saias vermelhas balonê ou quem as usa - elas só não combinam comigo.)

Acho elegante essa coerência. E acho ótimo as pessoas se lembrarem do que eu disse e não do que eu estava vestindo.

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Guardar o quê mesmo?

No fim do ano passado, estávamos decididos a nos livramos de tudo que possuíamos. Íamos vender, dar e doar todos os móveis, utensílios e eletrodomésticos, incluindo o carro. Só levaríamos o que coubesse em duas malas (pequenas). Depois de passarmos três anos fora, a a gente iria voltar e refazer nossa casinha - só adquirindo o que fosse realmente necessário. A ideia era continuarmos minimalistas pra sempre.

Em certo momento percebemos que algumas coisas fazia sentido guardar. Roupas de trabalho, por exemplo. Pelo menos dois jogos de roupa de cama e banho. Pratos. Faqueiro. Taças. Frigideira. Espátula. Garrafa térmica. Capas de almofadas que minha mãe fez. 

Aí perco o controle da lista e ela vai se estendendo. A vantagem de dar fim a tudo é que não precisa selecionar, entendem? 

Ai, ai. 

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

Minimalismo nas opções

Como eu disse, eu adoro uma oportunidade. Isso também se aplica à vida. Sou aquela fulaninha que escuta que saiu um edital de concurso, que existe um curso novo na universidade, que o chefe vai iniciar um projeto e se agita toda. O problema é que não há horas no dia que dêem conta de tudo o que eu quero fazer, e nem forças neste corpinho. Resultado: me empolgo demais, me canso rápido, e logo que surge outra novidade largo o que estou fazendo aqui para ir remexer lá. Gasto energia, tempo e não chego a lugar nenhum.

Eu me divirto, é verdade. Mas estou ficando totalmente desmoralizada perante o eleitorado. O Leo já nem reage quando conto para ele meu último plano, seja fazer um mestrado ou aprender alemão. Ele sabe que é só garganta - e que na semana seguinte já vou estar pensando em entrar no balé para adultos ou em um grupo de trabalho no serviço.

Então estou seriamente considerando aplicar o minimalismo às minhas escolhas de vida. Me decidir por um rumo só e ir por ele, firme e forte. Focar no que planejei para 2012: praticar o minimalismo, fazer economia, estudar francês.

Não acho que vai ser fácil. Eu me agarro às possibilidades como me agarrava aos objetos. Fico pensando no amanhã ao invés de viver o hoje e o agora.

Se o minimalismo me ajudar a ter foco, vai ser fantástico.