sexta-feira, 16 de março de 2012

Meus pitacos

Então, Rita, Daniela e Emília (você só pode ser chamar Emília, né, Boneca Falante?), eu também não tenho certeza de tudo, mas a gente vai vivendo e tentando.

Eu também tenho 35, igual à Emília, e agora é que eu me sinto madura o suficiente para me aventurar pelo mundo. Antes eu tinha medo, frescurinhas, insegurança. Hoje eu acho que aguento umas decepções e frustrações pelo caminho - que espero que não aconteçam, mas, se vierem, estou preparada para dizer "paciência" e continuar em frente.

Uma coisa que consegui enfiar na minha cabeça, depois de muito choro e ranger de dentes, é que toda escolha implica uma perda. Se você decide estudar História, vai ter de abrir mão de ser veterinária. Se casar, não dá pra manter a rotina de solteira. Se quer economizar, precisa cortar as idas as restaurantes caros.

Se a gente não escolher, tem a sensação de não perder nada. Na verdade, não ganha nada também. Então o jeito é fazer suas escolhas - e seguir vivendo.

Também estou meio na contramão das pessoas da minha idade. O povo está comprando apartamentos e tendo filhos e "construindo patrimônios", e se eles estão felizes, ótimo. Não digo que eu não estaria feliz também se tivesse seguido esse caminho (só desconfio que não, e é por isso que estou fazendo diferente). Eu realmente acho que as pessoas podem se realizar de várias maneiras. Não existe uma única escolha certa.

Dito isso, quem vai na contramão às vezes escuta muita borracha dos coleguinhas. Então eu tento conviver mais com as pessoas que estão numa sintonia parecida com a minha. Ou que não ficam perturbando os diferentes.

Vou finalizar com uma fábula ilustrativa:

Era uma vez Lud e sua Amiga A. Lud foi fazer direito, arrumou um emprego seguro, casou e juntou dinheirinhos. Amiga A. fez letras (como Lud queria fazer, mas não teve coragem), fez mestrado e se mandou para a Alemanha com uma bolsa de doutorado.


Anos depois, Lud e Amiga A. se reencontraram. Lud disse para Amiga A.: você é que fez certo. Foi atrás do que gostava de fazer, morou na Europa, usou sua inteligência e sua energia no que realmente importava. Amiga A. respondeu à amiga Lud: você é que fez certo. Se formou, arrumou um emprego, tem segurança financeira. 


Nem Lud nem Amiga A. convenceram uma à outra. Hoje, Amiga A. estuda para um concurso público e Lud se prepara para cair no mundo.


Moral da história: não dá pra fazer tudo ao mesmo tempo. Mas uma coisa depois da outra, isso dá.

12 comentários:

  1. É isto aí, falou tudo.
    Tudo a seu tempo.
    É sempre assim, temos sempre que seguir o modelão, senão somos taxados de loucos e desorientados, mas na verdade o que precisamos mesmo é seguir o nosso coração, nada mais importa.

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  2. Adorei também.

    Mi Malagoli Carnaval

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  3. voltei. meu irmão - que é super determinado - me disse uma vez um 'ditado' de economia que é o famoso 'there's no free lunch' - não existe almoço grátis. se lamentar pelas escolhas que a gente fez é uma bosta mesmo, e infelizmente eu me me pego me punindo muito por isso. mas não adianta, né. a gente faz as escolhas baseadas em determinadas circunstancias e situações... e não dá pra voltar atrás. é que, às vezes, dá medo de ser tarde demais. engraçado que não tenho muitos dramas com não ter casado (ainda quero, mas não rolou), porque isso é uma questão de encontro... tipo, podia estar casada, se quisesse, mas não quis. Mas com relação a carreira, pra mim o bicho pega, porque afinal foram as MINHAS escolhas, né. Eu não tinha clareza sobre o que eu queria e também fazia muito as coisas que eu achava que DEVERIA fazer, não sabia que muitas coisas que sonhava eram possíveis se eu tivesse investido nelas desde o começo e seguido o meu intuição, os meus reais sonhos. Precisei pastar e - literamente, quase morrer, aos 27 anos - pra aprender que seguir a minha intuição é a melhor coisa que eu posso fazer por mim. E aí hoje eu me sinto como alguém que apesar de ter um mestrado e quase um doutorado, não se sente exatamente confiante e nem realizada profissionalmente...e também não tem uma família. Isso tá pesando pra caramba - e sim, no num momento #mimimi, tentando superar isso e planejar de verdade, pela primeira vez, pra chegar onde eu quero. Ah, sim, Lud, sou Emilia! ahahaha. :*

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  4. Olha, eu tenho que admitir que ingenuamente esperava que você me desse a receita pronta pra solucionar o problema que eu venho tentando digerir a usn bons pares de anos: como conviver com o resultado das minhas escolhas? É mais importante ter um emprego público e garantido pro resto da vida ou morar naquele lugar do mundo onde eu me sinto mais eu? O que pesa mais para a minha felicidade? A certeza das contas pagas ou a sensação de estar bem confortável em minha própria pele. Ver o mundo ou comprar a casa própria?
    É tão difícil isso pra mim que eu tenho adiado o momento da escolha. Tanto, que fico com medo de finalmente decidir daqui a alguns anos e já ser tarde demais. Essa escolha você não pode fazer por mim, mesmo. Eu sei.
    Só que seria tão fácil se alguém pudesse... :-)

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  5. Eu vou admitir uma coisa: sempre quis a estabilidade financeira e o morar pelo mundo. E preparei minha carreira neste sentido. Fiz concurso pro Itamaraty - não como diplomata, mas como oficial de chancelaria. Meu marido também.

    Com 25 anos decidimos pegar nosso primeiro posto - e apostamos num bem bizarrinho. Estamos abrindo a embaixada brasileira na Mauritânia. Casamos exatamente 1 semana antes de vir pra cá. Estamos juntando muitos dinheirinhos - porque o salário no exterior, sobretudo na África, é bom - e em dois anos vamos pra outro país.

    É nossa forma de ver o mundo. Os dois sempre quiseram passar a vida mudando, sem ficar tanto tempo em um lugar. E tendo estabilidade financeira. A família fica preocupadíssima. Estamos na África, num dos países mais pobres do mundo. Mas as experiências que estamos vivendo não tem dinheiro que pague.

    Ah, outra vantagem: a cada 3 meses, temos 10 dias de folga, além dos 30 dias anuais. Moral da história, estamos conhecendo a África inteira - ano que vem é a vez da Europa.

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  6. Emília,
    ah, eu te entendo. E acho que você está fazendo a coisa certa: já descobriu o que você quer (o que é dificílimo!) e agora está se organizando para conseguir. A gente só consegue mudar o futuro, né? O passado já foi. Força aí.
    Quanto à questão de família, eu acho que é supervalorizado pela sociedade. Só é bom quando funciona e quando você quer. Senão, é uma prisão, né? A minha maneira de lidar com isso é explorar a liberdade que as opções (no meu caso, a ausência de filhos) nos dão. Se fosse para ter uma vida quadrada, era melhor ter logo uns dois pirralhos. No seu caso, ser solteira que dizer que você pode arrumar um emprego e se estabelecer em qualquer lugar do país - e do mundo! Ou passar um mês em um mosteiro budista. Ou viajar pela América do Sul. Ou participar de uma expedição à Antártica. E sem dar satisfações a ninguém!
    Muito bom isso.

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    1. pois é. eu fico pensando isso: j´que eu não casei, já que eu não tenho filhos, então eu sou livre e vou fazer o que eu quiser. a gente tem que olhar o lado bom das coisas, né? se organizar, planejar, sonhar, e esperar pelo melhor :)
      um beijo, Lud

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  7. Daniela,
    mas eu escolho para você, pode deixar! =D
    Se eu estivesse no seu lugar, preferia ver o mundo a ter casa própria. Escolhia o lugar no qual você se sente você em vez do emprego garantido.
    Dito isso, não dá pra ter os dois, não? Funcionário público pode tirar licença sem remuneração por até 3 anos. É um bom teste para ver se o lugar dos seus sonhos é tão bom quanto você imaginava. E a casa própria, tem de ser uma cobertura na praia? Ou pode ser um quarto e sala novinho e arrumado perto das pessoas que você ama, financiado a perder de vista, depois que você deu a volta ao mundo?
    Tem tanta gente sem noção nesse mundo que não se preocupa com o amanhã e no final as coisas dão certo (não tô dizendo que eles não passem uns apertos, mas "Paris vale uma missa", né não?).
    Beijos!

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  8. Carol,
    essa ideia de vocês é fantástica. Eu e o marido pensamos nisso a sério, mas o concurso não saía nunca, aí deixamos como uma possibilidade para o futuro.
    Boneca de pano, Daniela, olha aí mais uma escolha legal para somarmos às que a gente já tem =D.

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    1. Pois é. Eu conheci a carreira meio sem querer - tinha a idéia de ser diplomata. No meio do caminho, conheci a carreira de Oficial de Chancelaria e cheguei à conclusão que era essa a minha carreira.

      E fica de olho: dizem as más linguas que sai concurso esse ano.

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  9. Lud! Obrigada pelo post nominal! rsr
    Esse lance de idade é tao relativo.. acreditam meninas, que qd fui fazer o intercambio na Irlanda, com vinte e um aninhos de idade eu me achava velha?? rs pq as outras au pairs da minha regiao tinha 18 e os outros da minha idade ja eram formados.. eu fiquei com medo de "atrasar" as coisas, mas no fim foi tao bom que estiquei pra 2 anos minha estadia.... E nao foi caro nao!!! nao gastei 8 mil entre passagem e curso e tals (acho que as pessoas nao sabem q é barato e por isso tem medo)e com mesadinha que ganhava da minha host family eu pude viajar pela europa. E no mes passado foi visitar uma amiga na slovenia, aproveitei e fui esquiar na austria (chique haha) e passei pela italia .. tudo pela pechincha de 4 mil reais! nao comprei nada, fui de mochileira e sozinha (pos separacao) e foi maravilhoso mesmo sendo por pouco tempo.

    Penso que no caso de lud e leo exige muito mais preparacao pq ficar sem trabalhar, se for nos eua ou europa precisa de muito dindin :) mas pra uma coisa mais light eh muito possivel.

    E só fazendo pra saber né?? (mas as chances de ser a melhor coisa da vida é grande ;)

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