sexta-feira, 9 de março de 2012

Repasses, representes e a biltrice disso tudo

Para meus pais, quem ganha presente é obrigado a gostar E usar. O que era meio tenso, já que eu sempre recebi presentes espetacularmente nada a ver dos meus padrinhos.

Com o tempo, fui desenvolvendo uma teoria mais razoável: o objetivo do presente é deixar o receptor feliz. Logo, se o presente provoca no receptor vontade de chorar, é praticamente uma obrigação desse último trocá-lo por algo que o deixe feliz (principalmente se o presente for uma obra de auto-ajuda da seção dos mais vendidos).

Também não tenho pudor em passar para frente um presente novinho. Puxa, se eu já tenho/não me serve/não gostei, e é a cara (ou chega perto) de um(a) amiga(o), acho que é a solução mais ecológica (e  econômica, claro). Não sou mala a ponto de dar uma peça de roupa fora do prazo de troca, mas o resto eu ponho na roda.

Agora surgiu um novo dilema: estou desmontando minha casa. Tenho muitas (ok, algumas) cousas belas que acho que as pessoas gostariam. No começo, pensei em sair distribuindo. Depois percebi que ia dar trabalho e gerar ciúmes e talvez minhas coisinhas queridas não seriam valorizadas (afinal, caíram do céu). Aí tive a ideia de transformar os objetos realmente bons em presentes.

O primeiro deles foi uma linda coleção completa do Machado de Assis. Estava nova, custou caro, e era grande e pesada - logo, alvo preferencial na minimalização (já que agora eu tenho a versão eletrônica). Pensei  que seria um ótimo presente de natal para o meu pai, que adora ler. E não é que a irmã D. achou a manobra muito biltre?

O que não impediu meu pai de gostar muito mais do meu presente do que do dela (uma camisa). O interessante é que, se eu tivesse ido ao sebo e comprado exatamente a mesma coleção em condição pior, ela não teria suspirado em reprovação. Irmã D. não entende que dar aos outros o que escolhi para MIM é prova da mais alta consideração.

Logo, não acho que transformar objetos belos e em perfeito estado em presentes seja ruim. Mato dois coelhos "com uma só caixa d'água": minhas coisinhas ficam em boas mãos, e não gasto tanto, o que ajuda nas nossas economias. Por exemplo: tenho uma bolsa em verniz bordô muito linda, comprada em euros e usada pouquíssimas vezes. Sei quem vai gostar mais dela do que de algum presente aleatório comprado na véspera do natal. 

5 comentários:

  1. Sempre quis usar a palavra "biltre"

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  2. Oi, Ashen Lady! Quem ressuscitou o "biltre" lá dos confins das palavras esquecidas foi a irmã I. E ela usa mesmo, inclusive conversando. É tão simpático que a gente adotou.

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  3. Gente, tô perdida!!! COmo ser minimalista num aniversário de amigos em um sushibar carérrimo???? Malu

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  4. E o que o seu pai achou do presente recauchutado? ele soube que era e ele entendeu a questão?

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  5. Malu,
    o jeito é jantar em casa antes e pedir um copo d'água (ok, um drinque) no sushibar.
    Se seus amigos são legais, conte que você está economizando. Se são babacas (e aí é caso de repensar os amigos), diga que você fez promessa (dieta não adianta, porque peixe cru é mega saudável, né?)

    Gabriela,
    claro que meu pai não ficou sabendo que era um presente recauchutado! Aí é que está a biltrice da coisa!

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