sexta-feira, 27 de abril de 2012

Impaciência

De tanto em tanto tempo (pelo menos uma vez a cada seis semanas) eu tenho um chiliquinho, achando que falta muito tempo pra gente se jogar no mundo. 19 meses são dias demais.

Por que não vamos de uma vez? Porque faz muito mais sentido, financeiramente falando, ir no final de 2013. Mais dinheiro guardado, nada de multa pela quebra de contrato do aluguel, emprego garantido para o Leo. É muito mais sensato e razoável esperar e planejar e economizar e...

E sei lá. Eu nunca fiz uma loucura na vida; o Leo também não. Não temos filhos, dependentes ou obrigações.  Será que eu preciso mesmo de um plano B tão alinhado? Ou já está na hora de correr pro abraço e pagar pra ver? Frio e fome não vamos passar, porque eu tenho trabalho na volta.

Tanta gente nesse mundo que não se preocupa nem com o mês que vem, e eu aqui tão atormentada. Já que abandonei meu antigo lema ("quem guarda tem"), estou pensando em adotar um novo: "o universo proverá".

segunda-feira, 23 de abril de 2012

Nós possuímos as coisas ou são elas que nos possuem?

Ontem saíram lá de casa mais duas sacolas grandes de roupas, agasalhos e toalhas. Destino: doação. Dúvida: será que nossas coisas não acabam? Já faz um tempo que estamos despachando sacolas e nem por isso os armários esvaziaram.

É engraçado como é fácil juntar objetos. A gente devia ter uns cinco conjuntos de cama e outros cinco de banho. Precisa de tudo isso? Porque vejam só, não é só a questão de ter gasto dinheiro nesse monte de tecido (que poderia estar aplicado e rendendo, ter sido usado em experiências ou doado para quem precisa). É questão também de guardar esse monte de tecido, em várias gavetas grandes, que estão em um móvel, que ocupa um pedaço do quarto.

Quanto mais coisas a gente tem, mais móveis precisa ter, maior o lugar onde moramos, e mais caro o aluguel/financiamento e o IPTU. Em outras palavras, possuir coisas nos obriga a  guardá-las e mantê-las. E a gente nem sempre pensa no preço (econômico, psicológico, emocional) desse fato.

Não estou recriminando quem quer ter uma casa grande e um monte de posses lá dentro; só estou dizendo que, às vezes, a gente faz "o que todo mundo faz" sem parar para pensar se precisa mesmo, ou se vale a pena ter, cinco conjuntos de cama e outros cinco de banho.

sexta-feira, 20 de abril de 2012

Revistas femininas e eu

Faz um tempo que estou evitando revistas femininas, porque acho que elas incentivam loucamente o consumo e valorizam demais a mulher jovem, magra, bela, de cabelo liso etc. Mas assino uma revista feminina americana e uma francesa: serve para praticar o idioma, aprender termos coloquiais e ver um pouco do dia a dia lá fora. Elas custam mais barato do que as nacionais, mesmo com o frete, e não dá comprar as coisas que elas anunciam mesmo.

Até um tempo atrás, eu achava que elas tinham alguns conteúdos interessantes, especialmente a francesa, já que naquelas bandas a concepção do papel da mulher na sociedade é um pouco diferente (a luta contra o machismo está mais avançada por lá. Santa Simone de Beauvoir conserve!). Só que não durou: a americana virou o baluarte das subcelebridades de reality show, e a francesa está cada vez mais modinha-colunas-assinadas-por-homens-dizendo-como-as-mulheres-devem-se-comportar.

Tanto a revista americana quanto a francesa que eu assino, apesar de razoavelmente diferentes (embora ficando cada vez mais parecidas) fazem parte da mesma franquia: a Glamour. Ela já teve seus tempos áureos: foi a primeira revista americana a ter uma mulher negra na capa, nos anos 60, por exemplo, e sempre lutou para ampliar e proteger os direitos reprodutivos femininos. Hoje ela fez extensas entrevistas com Kim Kardashian, Kelly Osbourne (a filha do Ozzy),  e Lauren Conrad (???).

Então eu tive sentimentos dúbios quando soube que uma edição brasileira estava prestes a ser lançada. Que versão ia chegar aqui? A combativa ou a consumista?

Eu não comprei, é claro, inclusive porque não estou comprando (as revistas foram assinadas antes da decisão, e daqui a pouco elas param de chegar, o que até vai me deixar feliz, porque não estou dando mais conta do tanto de propaganda, tanto nas páginas de publicidade quanto nas "matérias"). Mas parece que não é grande coisa não.

quarta-feira, 18 de abril de 2012

Geografia do coração

Quanto mais leio e estudo sobre a França, mais me identifico. E não é com as belezas (moda, gastronomia, perfume), não: é com os defeitos mesmo. Eu também sou pão-dura, metida a besta, antissocial; eu também entro em discussões intermináveis pelo prazer de debater; e eu também acho que ler é uma das melhores coisas do mundo, e qualquer lugar (transporte público, fila, café) é lugar de ler.

Não acho que a França seja melhor que o Brasil - até porque a minha experiência é limitada a passear em Paris por uns poucos dias, então não dá para comparar nem se eu quisesse, e não quero. Mas a França e eu, olha, rola um clima. Quando ligo a TV5 e vejo um programa de auditório de cultura geral, um documentário de duas horas sobre uma região francesa, um debate acirrado entre especialistas com opiniões contrárias, fico pensando que eu ia me dar muito bem com esse pessoal.

Sim, eu quero morar uns tempos na França. Sim, eu sei que lá sempre serei uma estrangeira. Sim, pode ser que eu me desaponte. Mas tô achando que vai rolar.


segunda-feira, 16 de abril de 2012

Circulando!

Quando preciso me consolar de estar me desfazendo das minhas coisinhas, penso que os objetos existem para serem usados, e fechados em armários eles não ajudam nada nem ninguém.  Colocá-los de volta no mundo, nas mãos de pessoas que precisam deles ou os querem, é muito melhor.

Seria mais fácil se eu conseguisse pensar em termos de fluxos, feng shui, carma ou similares. Mas sou bem materialista: não acredito em destino ou energia (só nas forças fundamentais: gravitacional, eletromagnética, forte e fraca). Então uso a imaginação mesmo: este livro vai ser lido por um montão de pessoas, estas toalhas vão para um abrigo, estas roupas vão ter novas donas, e por aí vou, alegremente.

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Academia de ginástica? Não, obrigada

Na época em que eu achava que era minha obrigação moral ser bela, me matriculei três ou quatro vezes em academias de ginásticas. Eu era magra, mas não era o suficiente, né? Eu também tinha que ser malhada.

Eu odiava cada minuto. Achava que estava gastando um tempo danado. Não gostava do ambiente nem da música. Mas ia, direitinho, pontualmente, como boa caxias que sou. Até chegarem as férias, eu trancar a inscrição, e nunca mais dar as caras, radiante de felicidade.

Não estou dizendo que academia não funciona. Minha coordenação motora melhorava, a força aumentava, os músculos ficavam definidos. Mas a relação sofrimento/benefício, galera, era péssima.

Uma das coisas que mais me deixou mais feliz quando descobri que não precisava ser linda - que eu só precisava  ser eu - foi que a partir daí nunca mais pus o pé em academia. Tem uma perto da minha casa, e toda vez que passo na frente dela dou uma risadinha de alegria.

* * *

Dito isso, eu e Leo pretendemos ser velhinhos saudáveis e viajentos. Então a gente tenta se exercitar com frequência - ou melhor, a gente tenta com frequencia se exercitar. Já jogamos tênis (e eu estraguei o ombro direito), nadamos (e eu ficava enjoada), corremos (sem maiores problemas) e agora decidimos que o melhor exercício para nós é caminhar. Corrida é muito bacana mas muitos praticantes acabam se machucando. Já a caminhada é um movimento natural do ser humano, não tem efeitos colaterais (que eu saiba), e ainda permite que a gente vá conversando e troque um montão de ideias durante o processo.


quinta-feira, 12 de abril de 2012

Balanço em números

Vou aproveitar o post da Lud para botar as cartas, quer dizer, os números na mesa, que é o que interessa.

Durante os quatro primeiros meses deste ano tivemos um saldo bem positivo em comparação com os mesmos quatro do ano passado: diminuímos o total dos gastos do quadrimestre em R$ 6.200,00. E olha que algumas despesas aumentaram: o aluguel subiu (em R$ 250) e a Lud está pagando o dobro pelo francês (quatro aulas por semana em vez de duas).

Como conseguimos? O primeiro passo é ter controle. Sabendo onde gastamos, dá para planejar onde economizar. Resolvemos que não íamos mais gastar com restaurantes e saídas (redução de R$ 1.750) e roupas (R$ 1.500). Outra parte iríamos economizar do mesmo jeito: cerca de R$ 1.000 na montagem do apartamento (ano passado estávamos terminando de pagar algumas coisas que compramos ao mudar para cá) e R$ 2.700 de gastos com manutenção do carro (troca pneus e peças).

Sei que não vai dar para o resto do ano ser tão bom assim no aspecto "redução comparativa de despesas". Não teremos esses gastos extras para cortar e no segundo semestre do ano passado a gente já tinha apertado o cinto. Mas contando que não vamos viajar este ano, estou estimando uma queda nos gastos, em 2012, de R$ 20.000,00. É muito dinheiro.

terça-feira, 10 de abril de 2012

Balanço dos meses sem compras

Em agosto de 2011, resolvemos cair no mundo. A partir daí, uma das palavras de ordem passou a ser "economizar". Li um monte de blogues de minimalismo e de consumo responsável, e pronto: decidi que a partir daí íamos ficar sem comprar.

É um desafio sem data fixa para terminar. Isto é, acaba quando nossa aventura começar. E não foi uma promessa impensada, empolgação de momento: é basicamente uma maneira de implementar as nossas metas. Queremos guardar dinheiro e queremos diminuir a quantidade de objetos que possuímos. Então nada de adquirir coisinhas novas, né?

Íamos firmes e fortes até viajarmos, em novembro. Resisti a uma botinha nova (eu já tinha outra, que funcionou perfeitamente bem), mas cedemos na hora de comprar livros (para ler nos trajetos de trem e de avião). Foi aí que nos convencemos que leitores eletrônicos seriam uma ótima aquisição: livros digitais custam mais barato e não ocupam espaço na mala.

Pra completar, comprei um blazer preto (em minha defesa, foi para devolver o que eu tinha pego emprestado da irmã I. há mil anos), um xampu para cabelos brancos (porque eu tinha uns quatro lindos fios branquinhos na cabeça, mas após a aquisição eles imediatamente pararam de se reproduzir e hoje o xampu está encostado) e presentes adiantados de natal. A festa acabou aí, mas o estrago já estava feito.

Balanço da temporada "sem compras" até agora:

1) 4 livros em papel
2) 2 leitores eletrônicos
3) 1 blazer preto
4) 1 xampu para cabelos brancos
5) presentes de natal  (para os outros, então não conta, né?)

Um período menos do que perfeito, mas esforçado.

Contágio

Sabe uma coisa muito ruim de trabalhar com pessoas que não estão comprometidas (além da raiva que a gente passa)? É acabar contagiado pelo comportamento tô-nem-ai.

Para quem é caxias como eu, o resultado é começar a trabalhar de maneira burocrática. Quer dizer, ninguém pode dizer que a gente é um mau funcionário (muito antes pelo contrário, ainda mais se comparado com as pessoas tô-nem-aí). Mas a graça, o ânimo e as ideias vão (foram) ralo abaixo.

Isso é triste. Eu me lembro da época em que acordava toda feliz e ia trabalhar praticamente saltitando. Hoje faço meu serviço, mas não sobra energia pra pulinhos: ela vai toda para a rotina de mandar-cobrar-controlar-ranger os dentes.

Novembro de 2013, vem-ni-mim!

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Você é o que você tem?

Houve um momento em minha vida em que tudo que eu mais queria era sair da casa dos meus pais. Então, comecei a procurar emprego feito doida e a coletar o que eu achava que seria necessário ao meu futuro lar. De ímã de geladeira a agendinha de telefones, passando por todo tipo de utensílios domésticos e móveis usados que quisessem me dar.

Na época, esses objetos me eram muito preciosos. Saber que eles existiam, guardadinhos no meu quarto, aquecia meu coração. Eles não eram lindíssimos ou requintados - e muitos nem eram novos. Mas eles simbolizavam liberdade e independência, e isso fazia com que eles valessem muito para mim.

Quando penso em me desfazer deles, junto com quase tudo que faz parte da minha casa, me dá uma tristezinha? Dá. Mas aí me lembro que eles não são liberdade e independência - eles só a representaram em um momento do passado. Liberdade e independência são atributos meus, não das coisas. Também é assim com os livros: fico um pouco melancólica ao ver que eles se vão, confesso, mas na realidade não estou perdendo nada. Já os li. As histórias e as análises estão dentro da minha cabecinha, não nas páginas de papel dos volumes guardados na estante.

Hoje levei mais livros em inglês para o CIL. Acho que esse foi o último lote.

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Cair no mundo - quanto custa?

A Lud já deve ter escrito aqui várias vezes: sou louco por controle financeiro. Para entender quanto curto, meus dias preferidos do ano são sempre o primeiro dia do mês. E não é apenas porque recebemos nosso salário - é porque fecho a contabilidade do mês que passou e posso passar o dia brincando com meus gráficos, comparativos e projeções.

E virada do ano? Para mim é natal de novo! Quase todo mundo que eu conheço adora virada do ano. Gostam de dormir tarde, festejar e comemorar o ano que passou e o ano que está para começar. Já eu adoro ano novo por outro motivo: é mais um ano que acaba. Ou seja, mais um ano completo para meus comparativos de gastos que começaram em 2002. Isso mesmo: ano passado completei 10 anos de controle financeiro. E cada ano eu invento uma moda nova para aprimorar ainda mais meu "prazer".

Sinceramente, acho que todo mundo tinha que fazer algo parecido. Não digo que todos devam ser como eu, que sabe até quanto gastamos o ano todo na padaria. Mas pelo menos saber o quanto entrou e o quanto e para onde (pelo menos categorizado de forma macro) saiu o rico e suado dinheirinho.

Com os planos de cair no mundo, ando que é uma alegria só. Além de me divertir planejando viagem (outro hobby que amo de paixão), gasto horas pesquisando e estimando o orçamento para o empreendimento.

Por onde começar? A internet ajuda e muito. Mas confesso que é bem frustante: o que não falta são blogs e sites com relatos de viagens, mas quase ninguém coloca os custos. Para ver uma rara exceção, clique aqui.

Soluções? Usar o histórico de viagens antigas nossas (em que nosso nível de controle é absurdo, incluindo  até o táxi de casa até o aeroporto, a garrafa de água comprada em uma vendinha em Orvieto na Itália e a esmola para um sem-teto em Bratislava), somado com um mega-hiper-gigante planejamento de viagem.

A ideia não é fazer uma viagem pelo mundo completamente engessada com passagens, hotéis e passeios já marcados e controlados com precisão militar. Pelo contrário - vamos tentar fugir desse conceito. Terei que aprender a viver de forma mais tranquila. Vamos ver se esse Leo existe dentro de mim...

Isso não me impede de planejar uma viagem hipotética para estimar os custos. E como é animador pesquisar preços para países do subcontinente indiano e do sudeste asiático!

A viagem fantasia atual começa saindo do Brasil e indo para a Turquia. De lá passa por Egito, Dubai, Nepal, Butão, Índia, Sri Lanka, Malásia, Cingapura, Camboja, Vietnã, Laos, Tailândia, Myanmar, Indonésia, Japão, Coréia do Sul, Taiwan, China, Mongólia e Rússia. Depois é brincar de morar/passear pela Europa. Já devo ter pesquisado preço de avião, trem, táxi, ônibus, camelo, elefante, lancha, barco, tudo quanto é meio de transporte possível. Estimativo de custo hoje? 74,32 dólares por pessoa/dia.

Aproveito para deixar o recado: se alguém já viajou para algum deste destinos, ou conhece alguém que viajou e esteja disposto a passar o quanto gastou para mim, é só falar. Prometo que ao final de nossa viagem disponibilizarei o mais completo guia de custos possível.

Até lá só sei que me divertirei fazendo controle orçamentário de mais 19 meses, completarei 11 anos de acompanhamento e comparativos de receitas e despesas e terei pesquisados inúmeros países e cidades. Acho que tanto talento está sendo disperdiçado no meu emprego atual...

quarta-feira, 4 de abril de 2012

Ovos de Páscoa - o boicote

Sou alucinada com chocolate. E, até agora, a Páscoa era uma época bem feliz pra mim, que aproveitava para experimentar ovos variados de chocolates diferentes.

Só que, esse ano, não vai rolar. Sim, eu já tinha consciência que ovos de Páscoa - assim como qualquer produto industrializado sazonal no Brasil - eram caros, mas dessa vez os produtores exageraram na dose. Os preços dos ovos estão absurdos. Estou mais que indignada - estou ofendida.

Chocolate não é um alimento barato, eu sei - embora nosso país seja produtor de cacau (outro enigma a se investigar). Mas os preços dos ovos de Páscoa passaram da conta, do limite e da noção. Me recuso a comprar. Estou boicotando mesmo.

Não estou feliz. Não é que eu não ia gostar de comer uns ovos de chocolate. É que o preço está um acinte e, como consumidora, tenho o sagrado direito de, em protesto, não consumir.

* * *

O Leo descobriu essa comparação entre o preço dos chocolates em barra e a versão pascal. Leiam  e se indignem comigo.