segunda-feira, 9 de abril de 2012

Você é o que você tem?

Houve um momento em minha vida em que tudo que eu mais queria era sair da casa dos meus pais. Então, comecei a procurar emprego feito doida e a coletar o que eu achava que seria necessário ao meu futuro lar. De ímã de geladeira a agendinha de telefones, passando por todo tipo de utensílios domésticos e móveis usados que quisessem me dar.

Na época, esses objetos me eram muito preciosos. Saber que eles existiam, guardadinhos no meu quarto, aquecia meu coração. Eles não eram lindíssimos ou requintados - e muitos nem eram novos. Mas eles simbolizavam liberdade e independência, e isso fazia com que eles valessem muito para mim.

Quando penso em me desfazer deles, junto com quase tudo que faz parte da minha casa, me dá uma tristezinha? Dá. Mas aí me lembro que eles não são liberdade e independência - eles só a representaram em um momento do passado. Liberdade e independência são atributos meus, não das coisas. Também é assim com os livros: fico um pouco melancólica ao ver que eles se vão, confesso, mas na realidade não estou perdendo nada. Já os li. As histórias e as análises estão dentro da minha cabecinha, não nas páginas de papel dos volumes guardados na estante.

Hoje levei mais livros em inglês para o CIL. Acho que esse foi o último lote.

2 comentários:

  1. Oi de novo Lud,

    (aqui é a Maria que falou do Vagabonding)

    Engraçado o que você falou. Minha amiga astróloga culpa o ascendente fortíssimo em Aquário minimizando o meu signo solar, que é Touro (eu não acredito nessas coisas); mas o fato é que eu não sou apegada em coisa, em objetos, no material. Pelo contrário, acho até que muitas vezes eu devia ter mais cuidado com o que tenho.

    Mas eu estou escrevendo isso pra fazer uma comparação (eu, mera mortal sem muitas coisas interessantes pra encher um blog todo, fico aqui enchendo sua caixa de comentários com algumas das minhas experiências, embora não saiba se esse é mesmo o lugar pra dividi-las, rs. Pareceu que fazia sentido contar isso, que nem jogar conversa fora...)
    Desde que voltei, ainda muito nova, de uma viagem longa que fiz sozinha, comecei a me preparar psicologicamente pra sair de casa. Eu tinha provado a liberdade de gerenciar meu próprio tempo e dinheiro de acordo com os meus interesses (embora na época fosse dinheiro que meus tinham me dado) e percebi que precisava logo daquilo. Sempre fui muito independente, teimosa, dona do meu nariz, e essa 'aventura' só me fez ter mais certeza de que eu não queria ser como meus primos e amigos mais velhos, que moraram com os pais até o fim da faculdade ou mestrado, as vezes até os quase 30.
    Meu processo de 'sair do ninho' foi o contrário do seu: quando eu voltei pra casa minha mãe tinha pintado meu quarto, que era roxo, de branco, e transformado ele em um semi-escritório. Eu fiz questão de deixa-lo como estava, trocando só o sofá por uma cama. Qualquer coisa que desse personalidade ao espaço, que o caracterizasse como 'meu' me parece uma maneira de dizer "esse não é só o espaço que habito, é o espaço onde vivo". Entende? Assim, fui deixando o quarto um quadrado branco com uns armários, sem fotos, sem quadros, com minhas coisas da faculdade acumuladas num canto no chão. Quanto mais provisória a situação parecer, mas provisória ela será, espero!

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  2. Oi, Maria! Fique à vontade aqui no blogue. Gosto tanto de pessoas que escrevem muito!

    Olha, uma beleza isso de não ser apegada às coisas. Estou trabalhando nisso (e, surpreendentemente, está sendo menos difícil pra mim do que eu achava que ia ser).

    Gosto muito da ideia de ir sinalizando o espaço em que vivemos (mas não habitamos). Não tinha pensado sob esse ângulo, mas é assim que nossa casa vai ficando: estantes vazias, paredes sem quadros...

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