quarta-feira, 18 de abril de 2012

Geografia do coração

Quanto mais leio e estudo sobre a França, mais me identifico. E não é com as belezas (moda, gastronomia, perfume), não: é com os defeitos mesmo. Eu também sou pão-dura, metida a besta, antissocial; eu também entro em discussões intermináveis pelo prazer de debater; e eu também acho que ler é uma das melhores coisas do mundo, e qualquer lugar (transporte público, fila, café) é lugar de ler.

Não acho que a França seja melhor que o Brasil - até porque a minha experiência é limitada a passear em Paris por uns poucos dias, então não dá para comparar nem se eu quisesse, e não quero. Mas a França e eu, olha, rola um clima. Quando ligo a TV5 e vejo um programa de auditório de cultura geral, um documentário de duas horas sobre uma região francesa, um debate acirrado entre especialistas com opiniões contrárias, fico pensando que eu ia me dar muito bem com esse pessoal.

Sim, eu quero morar uns tempos na França. Sim, eu sei que lá sempre serei uma estrangeira. Sim, pode ser que eu me desaponte. Mas tô achando que vai rolar.


4 comentários:

  1. então fica a dica: o interior (ou o litoral, enfim, fora de Île-de-France, onde fica Paris) é muito mais legal! ;)
    Bjss!

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  2. Oi Lud,

    Lembra quando eu tava falando do meu processo de "sair do ninho"? Bem, eu disse que ele começou depois que eu passei um tempo fora, mas não me expliquei direito. Vai lá:
    (me sinto uma boba pensando esses relatos das minhas experiencias podem ser de qualquer maneira uteis, afinal, eu sou muito jovem, mas enfim, meu lado critico-racional se identifica e precisa falar...)

    Ainda muito pimpolha, com 14 anos, eu decidi que não aguentava mais a minha vidinha e precisava sair do Rio de Janeiro, da escola onde eu sempre tinha estudado, e da asa dos meus pais. Decidi fazer um intercambio. O processo foi longo, me inscrevi numa ONG que fazia intercambio interculturais, passei por uma seleção e por um ano de preparação, e aos 16 anos pude ir para a Holanda com uma bolsa de estudos. Não tinha independência financeira, claro, mas fora isso, eu era o mais local possivel: morei numa casa com um casal de holandeses que me tratava como filha, aprendi a lingua muito rápido, ia a escola como qualquer pessoa da minha idade. Passei onze meses lá, conheci o país de cima abaixo, me apaixonei pela minha provincia, fiz campanha pro partido de esquerda nas eleições locais, fiz amigos.

    Antes de ir, pesquisando sobre a Holanda e os hábitos holandeses, tive a mesma sensação que você: essas pessoas tem muito mais a ver comigo do que essas aqui. A ideia de que eu me enquadraria naquela cultura, naquele 'set' de 'regras' era muito forte. Tudo que eu lia dizia que os holandeses eram pessoas que adoravam discutir por qualquer coisa, calorosos em comparação aos outros europeus, que presavam a liberdade individual acima de tudo, que eram muito tolerantes e estavam sempre dispostos a discutir novas ideias...

    Morar fora é uma das coisas mais interessantes que se pode fazer nessa vida, eu acho, ainda que com pouca bagagem. Nunca é como a gente pensa, e é um aprendizado enorme sobre nós mesmos e sobre o outro.

    Boa sorte na sua aventura ;)

    PS. quem sabe a gente não se esbarra na França?

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  3. Bom dia Lud,

    Eu compartilho deste seu sentimento. Eu me identifiquei com a França e os franceses desde a primeira vez que fui. Sou apaixonada pela França. Sempre que posso, volto para lá. Fiz muito turismo, mas ultimamente estou querendo mesmo é viver na França, como os franceses. Apesar de tudo ser maravilhoso em Paris, o que mais me atrai sào as pessoas e o seu modo de vida. Eu gosto de fazer picnic no parque, ficar sentada olhando as pessoas passarem, frequentar bibliotecas, ir ao supermercado comprar comida, enfim, viver como uma parisiense.
    Eu li três livros muito interessante recentemente: Os Franceses , Um ano na Provence (Peter Mayle) e Como um Rei na França (Amauri Temporal). O primeiro fala tudo sobre a cultura francesa, os outros dois sào relatos de pessoas apaixonadas pela França que vão para lá apenas para apreciar o modo de viver, muito bom.
    Nào acho que os franceses são antisociais, eles são discretos e só invadem seu espaço se autorizados, não são como os brasileiros, que com a desculpa de serem calorosos estão sempre querendo invadir sua privacidade.
    Estou torcendo para que vc consigar realizar os seus sonhos!
    Abs

    Deise

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  4. Aline,
    e mais barato também! Anotado!

    Maria,
    puxa, você tão novinha já era tão esperta. Eu gastei uns anos a mais, rs.
    Espero que a gente se esbarre na França, sim. Avisa quando você for!

    Deise,
    eu também quero viver na França como os franceses! Em Paris e na "província", como dizem eles. Vamos fazendo planos?
    Obrigada pelas dicas de livros!

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