quinta-feira, 31 de maio de 2012

Emoção e ranger de dentes

Ontem fomos todos pimpões visitar uma kit mobiliada na Asa Norte. Estava toda arrumada, com armários sob medida. A estampa das duas poltronas era medonha, mas pelo jeito esse tipo de detalhe só afeta a mim (o Leo nem registrou).

A vantagem de um lugar mobiliado é que a gente pode vender todos os móveis e passar o segundo semestre se ocupando só dos detalhes da aventura. Na hora de ir embora, é só fazer a mala, entregar a chave e dar no pé.

A kit mobiliada era longe do francês. Não tinha lugar para caminhar perto. A estampa das poltronas era medonha (já falei nisso?). Ainda assim, pensamos e refletimos e achamos que as vantagens compensavam e quisemos fechar negócio.

Aí a dona do imóvel começou a fazer charme. Falou de outro interessado, que queria entrar imediatamente e ficar um período longo. Disse que a gente não podia por um prego na parede. Avisou que ia filmar a kit na vistoria. Chorou que ia ter prejuízo com o contrato curto. Exigiu caução. Pediu para receber em dinheiro (tombo na Receita, oi?). E não concordou com a data de início da locação (achou que ia perder uma grana imensa com a kit desocupada por 10 dias).

Então o Leo perdeu a paciência e falou que não queria mais.

Ficamos tristinhos por cinco minutos. Logo depois descobrimos uma série de outras kits mobiliadas perto daqui de casa, uma área que gostamos e conhecemos, uns reaizinhos mais caras mas mais bonitinhas, sem nenhuma estampa medonha.

Estamos animados de novo.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

A aparência da gente incomoda... quem, mesmo?

Então a tia M. disse pra irmã I. que A MAIOR DECEPÇÃO DA VIDA dela era eu ter deixado de ser vaidosa.

É tão engraçado as pessoas se sentirem pessoalmente ofendidas/incomodadas/irritadas com decisões que só dizem respeito a mim e que não afetam, nadinha, a vida delas.

A irmã I. me (nos) defendeu, dizendo que a gente era inteligente, bacana, viajada, e que será que NÃO ESTAVA BOM NÃO?

Resposta da tia M.: "Ah, mas se você tiver acabada ninguém vem conversar contigo para descobrir essas coisas."

Vamos dar um desconto pra tia M. que ela é de outra geração, de uma época em que as moças tinham que esperar alguém vir conversar com elas. Mas o comentário é danado. Como se mulher tivesse data de validade - e estando feia, "acabada", não servisse mais pra nada (nem pra conversar, aparentemente).

E vocês vêem que os padrões da tia M. (e de muitas mulheres) são muito loucos. Eu sou nova (ou semi-nova? 36, rs), magra, de cabelo liso. Tudo dentro dos padrões vigentes. Se não usar maquiagem, roupa apertada e salto me deixa acabada, não sei onde vamos parar. Aí é que está o perigo das exigências a respeito das aparências femininas: elas não tem fim.

Relatório meteorológico dos humores por aqui

Eu ando tão contente nos últimos dias. A razão: tomamos a decisão de adiantar a partida (do fim para o início de 2013) e estamos correndo atrás. Dá um trabalho danado realizar sonhos, confesso, mas é ótimo sentir que estamos no comando do nosso próprio destino. Que a gente pode.

Eu sempre desconfiei muito do ditado "Querer é poder". Achava enganação. O que eu não percebia é que ele significa que, se você realmente quer, você se dispõe a sacrificar uma série de coisas para chegar ao resultado final (e aí nem é um sacrifício, mas um investimento, uma troca).

Aguardo ansiosamente a experiência de morar em 25 metros quadrados. Acho que vai ser uma fantástica jornada  de auto-conhecimento (já o Leo está menos otimista, e acha que devemos aumentar nossa cota de chocolate e coca-cola para compensar a perda de conforto).

Há 8 anos, eu era a pessoa que insistia em guardar todas as caixas vazias dos presentes de casamento, porque um dia a gente podia precisar. Hoje eu me desfaço de objetos e endereços e corro pro abraço.

segunda-feira, 28 de maio de 2012

Lud & Leo vendem tudo

De repente as coisas se aceleraram: o Leo contou no trabalho que vamos embora, um colega indicou os flats bacanas e baratos, pensamos seriamente na mudança e nos demos conta que, pra dar esse passo, temos que nos desfazer de praticamento todos os móveis, eletrodomésticos e utensílios lá de casa. Agora, não daqui a seis meses.

O resultado é que passamos o fim de semana fazendo um blogue (é o que eu digo, blogues são a solução para qualquer problema):

Lud & Leo vendem tudo  

(www.ludleovendemtudo.blogspot.com)


Cliquem lá para para dar uma espiada em coisinhas legais.

domingo, 27 de maio de 2012

Cara a cara com o minimalismo

Agora que descobrimos que podemos sair do nosso apê alugado a qualquer momento, eu e Leo estamos seriamente pensado em nos mudarmos para um lugazinho menor e mais barato (ou menos caro, porque Brasília, sabem como é). Coerência, por favor: se estamos dispostos a morar em um studio em Paris, torcer o nariz para o equivalente brasileiro seria puro esnobismo.

Semana passada fomos visitar um condomínio de apartamentos de um quarto na Asa Norte. Agradamos. Ele é um pouco mais longe do trabalho, e não fica em um bairro arborizado e agradável como a superquadra em que a gente mora hoje, mas a diferença de preço é chocante: um terço do apartamento atual! Pensem na economia! (Eu penso.)

Os flats que visitamos são bem pequetitos mas, como bem aponta o Leo, o ambiente foi planejado para seus escassos metros quadrados. Então temos portas de correr, armários em várias superfícies, gavetas debaixo da cama... Cada centímetro é bem aproveitado. E é novinho, um grande diferencial: aqui em Brasília, o que se vê de cozinhas e banheiros das décadas de 60/70 não está no gibi.

Depois de superar o choque inicial (as fotos fazem o lugar parecer MAIOR do que é, juro), simpatizei:





Embora a queda vertiginosa nos gastos habitacionais seja tentadora, o que mais me atrai na mudança é a possibilidade de descobrir se o nosso discurso minimalista é sincero mesmo - ou só borracha. É fácil falar em viver com pouco morando na casinha bacana cheia de espaço e móveis.

A realidade de um quarto e de um banheiro vai mostrar quem sabe brincar e quem desce
pro play.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Abaixo os saltos altos!

Eu achava que usar sapatos de salto era bonito, chique, fino. Tinha muitos pares, de todas as cores e modelos. Para trabalhar, eu usava umas versões "confortáveis", de salto médio. Para sair, saltos altões. E os pés doíam e eu chegava ao final do dia - ou da noite - com os dedinhos esmagados, mas isso não importava. Porque eu era mulher e mulher usa salto e é isso mesmo.

Aí comecei a ler blogues e textos feministas. Uma luzinha se acendeu em minha cabeça. Eu não preciso usar salto. Apesar das revistas e das novelas e dos sites dizerem que os sapatos altos deixam a mulher bonita, chique, fina e poderosa, dos estilistas falarem que scarpins e stilettos são indispensáveis ao guarda-roupa da mulher elegante, das propagandas e filmes e fotos decretarem que só mulher de salto é sexy e transa, eu posso muito bem dispensá-los e seguir minha vida, obrigada.

Desde 2009, não uso salto, ponto. Já fui a festas e casamentos usando sapatilha preta, e me acabei na pista de dança, sem maltratar os pés nem tirar os sapatos e me arriscar a pisar em taças quebradas ou bebidas derramadas. Ando a pé pra todo lado, pego ônibus, e meus pés nunca me incomodam. Juro que meu humor melhorou.

E minha mobilidade também. É incrível, mas só então percebi como ando muito mais rápido do quem usa  salto. Como não preciso me preocupar em evitar grama, terra, buracos e grades no chão (em todos eles, o salto afunda). Como "caminhar" virou uma ação muito mais simples!

Para as loucas por saltos, eu proponho um desafio simples: um mês sem eles. Mas é pra trocar por sapatos baixos confortáveis, não aquelas sapatilhas duras que mastigam os tendões ou aquelas rasteiras decoradas de solas que não se dobram. Existem sapatinhos gostosos e bonitinhos, eu juro. Depois de um mês dedicado ao conforto e ao bem-estar, quero ver quem volta para os sapatos altos!

Eu tenho 1,58 m. Se você não gosta de pessoas baixas, sinto muito. Não vou usar instrumentos de tortura modernos só pra ficar um pouquinho maior.

quarta-feira, 23 de maio de 2012

Questão de distância

Tenho lido muito sobre experiências de expatriados brasileiros. Parece que o que incomoda mais o pessoal é a distância da família e dos amigos e da dificuldade de criar novos laços no exterior.

Talvez a gente vá pagar a língua ou tenhamos corações gelados, mas isso não nos assusta. Fazem oito anos que a gente mora longe das famílias e olha, achamos ótimo. Os relacionamentos melhoraram, as visitas são divertidas, os telefonemas são para contar novidades e não para reclamar. (Aliás, começar a vida em comum em outra cidade é uma coisa que a gente recomenda pra todo mundo. O casal fica muito unido, porque só pode contar um com o outro, e não tem ninguém para perturbar com sugestões e palpites bem-intencionados.)

Para completar, não somos as pessoas mais sociáveis do mundo. Temos amigos de que gostamos muito, mas não fazemos questão de sair/socializar/conhecer gente nova todo dia (ou toda semana. Ou todo mês). Podemos passar um fim de semana inteiro trancados em casa tranquilamente. Nos divertimos com conversas, livros, filmes, internet - e planos de viagem, é claro.

Então não achamos que vamos reclamar que franceses ou alemães são frios. Achamos que são eles que vão dizer isso da gente.

Notícia bacana de hoje

Nosso contrato de aluguel é de 30 meses. Qaundo resolvemos ir embora antes do previsto, fiquei amaldiçoando as imobiliárias de Brasília e minha própria incompetência, que assinou um contrato longo desses só porque estava doida pra arrumar um teto. A multa para a quebra de contrato é igual a TRÊS MESES de aluguel.

Eu e o Leo ficamos imaginando altas estratégias de negociação com a imobiliária para que eles diminuíssem ou cancelassem a multa. Pensamos em oferecer a geladeira, ameaçar sair amanhã em vez de em dezembro e chorar. Liguei para lá para marcar uma entrevista, para a qual estávamos preparando um roteiro e todo um esquema good cop, bad cop.

Para minha grande surpresa e maior alegria, a atendente localizou o contrato nos sistemas e declarou que a gente não ia precisar pagar nada. Depois dos primeiros 12 meses, é só avisar que estamos saindo por escrito 30 dias antes e pronto. E como faz quase dois anos que estamos aqui...

Vocês não imaginam como eu estou feliz. É uma grande economia inesperada, e eu adoro economias, ainda mais quando elas são grandes e inesperadas!

Como disse nosso amigo Göethe (ou não disse, porque há divergências, mas de qualquer forma a citação é bacana):

"O que quer que você possa fazer, ou sonhe poder fazer, faça. A ousadia contém gênio, poder e mágica. Comece agora."

Eu sou partidária do materialismo histórico, mas a sensação que o universo conspira a meu favor é boa demais.

terça-feira, 22 de maio de 2012

Fazendo dinheiro com as coisinhas que não queremos mais

Como decidimos fechar a casa e correr para o abraço, temos que dar destino à montanha de objetos que compõem um lar. Um monte de coisas, principalmente objetos pessoais, foi (e vai ser) doado. Quanto aos móveis, eletrodomésticos e utensílios domésticos, a coisa é um pouco mais complicada.

O primeiro impulso foi doar tudo e pronto. Mas o realismo bateu: 1) montar um apartamento não custa barato; 2) vamos ficar um tempo grande sem trabalhar. Logo, além de selecionar alguns objetos (poucos!) e guardá-los para um futuro longinquo, também é uma boa tentar apurar uma graninha com o que a gente possui.

Há algumas opções. A primeira é levar tudo para um brechó de artigos do lar. Eles colocam preços acessíveis e costumam vender rápido. O ponto positivo é que buscam os móveis na casa da gente e têm uma boa ideia dos preços de mercado. O ponto negativo é que a comissão do brechó é 50% sobre venda, ou seja - no final, você apura uns 25% do valor original. 

Aqui em Brasília também dá para contratar pessoas que organizam garage sales ("família vende tudo"). Eles vêem à sua casa, colocam preço nas coisas, recebem as pessoas e realizam as vendas. A comissão dessa turma é menor - 20% sobre as vendas -, mas não há garantia que tudo seja vendido. As garage sales costumam durar um único fim de semana, e a gente tem a impressão que fica muito bagulho para trás. (Não que a gente possua bagulhos, mas enfim.) Além disso, o transporte dos móveis fica por nossa conta. 

Uma terceira alternativa é o garage sale permanente. Pela internet, descobri um moço que tem um galpão no Lago Sul e permite que você exponha lá os bens que quer vender. Ele orienta na hora de dar preço e cobra os mesmos 20%. De novo, o transporte é por sua conta. 

A última e mais trabalhosa opção é fotografar tudo, levantar preços, fazer um blogue ("Lud e Leo vendem tudo") e começar a assediar os amigos, colegas e vizinhos. Essa tática promete ser mais lucrativa, mas demanda mais esforço e talvez estremeça algumas amizades.

Nada que recebê-los no interior da França não resolva, né?

segunda-feira, 21 de maio de 2012

Planos B, C e D

Eu gosto de pesquisar possibilidades e projetar futuros alternativos. Com a internet, fica mais fácil ainda. Então, nos últimos tempos, ando lendo sites e blogues e artigos para descobrir uma maneira fácil, agradável e portátil de fazer dinheiro nos próximos três anos usando meus diversos talentos (cof, cof). A ideia é que a gente se divirta no nosso ano sabático, mas eu não consigo afastar a impressão de que há uma OPORTUNIDADE (uma das minhas palavras preferidas) escondida aí.

Tenho visto muitas pessoas empolgadas recomendando que você se torne um nômade digital, trabalhando a distância de qualquer lugar do mundo, ou que faça matérias/tire fotos de seus destinos para publicações turísticas. Fiquei empolgada também, até perceber que a maioria absoluta dessas pessoas se sustenta ensinando OUTRAS pessoas a se transformarem em nômades digitais ou a escreverem matérias/tirarem fotos para publicações turísticas.

Entenderam a manha? Eu entendi.

Só não decidi se devo batizar meu curso on-line (aguardem! breve!) de "Como largar o emprego, vender tudo e gastar todas as suas economias" ou "Como se sustentar por meio da criação e venda de cursos on-line".

Desiludi, gente.

(Quer dizer, com as OPORTUNIDADES. A aventura continua firme e forte.)

Leo faz a limpa

Neste fim de semana, o Leo aproveitou para dar uma limpa no armário dele. A verdade é que ele é uma pessoa básica, um minimalista interior. Ele usa o mínimo de roupas necessárias, divididas em categorias simples: trabalho (calças e camisas social), sair (jeans e camiseta), caminhar (bermuda e camiseta). Para eventos, ele tem dois ternos e umas gravatas. E pronto.

Apesar disso, o Leo tem bastante coisa no armário. Isso porque a mãe, a sogra e a esposa dele insistem (no meu caso, insistiam) em presenteá-lo com roupas em eventos festivos. Se o Leo gosta do presente, ele usa logo; se não gosta ou não serve, ele coloca em uma gaveta distante que nunca mais é aberta, se esquece totalmente da peça, e continua usando suas roupas básicas, feliz da vida.

Há algumas semanas, separamos juntos algumas roupas abandonadas e as doamos. No entanto, como íamos ficar por aqui por mais dois anos e não pretendíamos comprar mais nada no intervalo, não fomos lá muito impiedosos. Dessa vez, o Leo não teve dó. O que ele não usa e não terá utilidade na viagem foi despachado sumariamente.

Há um lugar aqui perto de casa que recebe doações. Fomos lá levar as sacolas, felizes da vida. O frio está chegando aqui em Brasília e essas roupas (e meias, e sapatos) que estavam sem uso aqui em casa devem servir para agasalhar alguém.

domingo, 20 de maio de 2012

Vacinados, doloridos e radiantes

Na terça-feira, eu e o Leo tomamos nossa primeira ação prática voltada unicamente para a viagem: um monte de vacinas (porque o minimalismo é tão bacana que a gente já decidiu continuar com ele mesmo se a aventura for adiada ou cancelada).

Aqui em Brasília, e acho que em outras capitais também, existe o Ambulatório do Viajante. Você marca um horário de atendimento por telefone para ir ao hospital conversar com um médico que analisa seu roteiro de viagem e diz as vacinas e providências que você deve tomar para não contrair malária, hepatite A e B, raiva, tétano e similares.

Da consulta fomos direto para o setor de vacinas, levar as picadinhas e gotinhas necessárias. Foi rápido, fácil e - nem acreditei! - de graça! É um serviço oferecido pela Secretaria de Saúde Estadual.

Voltaremos lá em junho e novembro para tomar as doses seguintes. Quem tem intenção de ir ao Sudeste Asiático deve se preparar com antecedência: a vacina de hepatite B é aplicada em três vezes, sendo que a última é seis meses depois da primeira.

Aqui em Bsb o Ambulatório do Viajante fica no Hospital Regional da Asa Norte, o HRan. O telefone, a quem interessar possa, é (61) 3325-4362.

Saímos do hospital muito alegrinhos, com a sensação de que as coisas estão caminhando e a que a aventura está cada vez mais próxima. Nem ligamos para os bracinhos doloridos.


quarta-feira, 16 de maio de 2012

Conflito no trabalho

Segundo de manhã, no trabalho, passei por uma situação de chorar de raiva (escondido), torcer o estômago (que é sensível) e deixar sem dormir (situação grave). Fiquei tentando me acalmar durante o dia todo, mas sabe quando você só fica com mais raiva? Pois é.

Resumo da ópera: uma pessoa no escritório teve uma explosão e me disse várias coisas odiosas. Sabe aquelas fofoquinhas de escritório que ninguém em sã consciência repete em voz alta, e ainda mais na cara da pessoa alvo? Foi o que ela fez.

Fiquei sem reação. Não consegui responder. A pessoa mesmo terminou o episódio dizendo que não queria conversar mais nada, que era pra gente se falar de novo no dia seguinte. Juro que saí da sala tremendo.

Tentei ver o episódio de um lugar de elevação espiritual, pesar se havia um fundo de verdade nas acusações, me preparar para conversar calmamente no dia seguinte.

Não deu. Não cheguei a esse nível evolutivo.

Depois de uma noite difícil, informei ao chefe do setor que nos desentendemos e que não há mais condições de trabalharmos juntas. Não entrei em detalhes, não falei mal da pessoa, não fiz o "fessora, põe ela de castigo!". Ao contrário: me ofereci pra sair do setor e até da área.

O chefe estava saindo para uma viagem e volta na quinta. Aposto que ele vai tentar por panos quentes. Mas não vai rolar. Estou firme na minha decisão. Acho que tem coisas na vida profissional que a gente não tem de aguentar. O que aconteceu foi pura e simples falta de respeito. A pessoa podia estar doente, cansada, passando um dia difícil, o diabo: não dá pra sair ofendendo os outros.

Ainda mais se os outros são sua chefe.

E se você ficou com raiva porque ela estava pedindo para você trabalhar.

terça-feira, 15 de maio de 2012

Pequena crise rapidamente evitada

Semana passada me deu uma aflição: mas é isso mesmo? A gente vai se desfazer de tudo? E depois? Vamos voltar pro Brasil com a roupa do corpo? Montar casa de novo? Mas até quando eu e o Leo nos casamos a gente tinha mais coisa!

Mas é isso mesmo? Vamos pro Sudeste Asiático com uma mala pequena (para comprar mochilas em Kathmandu) e ainda deixaremos roupas pelo caminho? Vou chegar à Europa com a escova de dente, umas camisetas e duas saias indianas? (Vocês vêem o descontrole - eu NEM USO saias indianas.)

Mas é isso mesmo? A gente está se mandando para um um monte de lugares de costumes, cultura e comidas diferentes, cujo alfabeto eu não consigo sequer ler? Como é que eu vou aprender o vocabulário básico do turista em vinte línguas não-ocidentais?

Aí fui conversar com o Leo. E o Leo (que é a pessoa mais calma do mundo, sério) sugeriu que a gente cortasse alguns destinos da nossa lista inicial, que estava tão grande que me deixava tonta. E, que ao invés de irmos conforme nos desse na telha, pulando de cidade para cidade à medida que fôssemos esgotando cada uma, organizássemos direitinho nossa rota, do jeito que costumamos fazer, ainda que fosse para abandonar a organização depois.

Então eu me acalmei.

O frio na barriga permanece, mas o terror cego está sob controle.

domingo, 13 de maio de 2012

Feminista, sim senhora

É claro que sou feminista. E se você acha que todos os seres humanos, embora sejam diferentes, devem ter direitos iguais, então você também é, hohoho.

Eu me assumo feminista desde criança, quando lia a revista Claudia da minha mãe. Sim, pasmem: a revista Claudia já escreveu muito sobre a questão dos gêneros e dos direitos femininos. Só que, depois que virei adolescente/jovem adulta, acreditava piamente que eu não era limitada por ser mulher. Que para minha geração o feminismo tinha funcionado, que a gente podia votar, trabalhar e optar, que éramos seres livres e independentes.

Ah, a ingenuidade dos jovens. Gastei mais uns anos para perceber que, se eu tinha medo de sair à noite sozinha, se meus pés sofriam todo dia por causa dos sapatos altos, se eu sentia que frequentar academia era obrigação moral, bem, eu não era tão livre e independente assim.

E isso não é mimi; não é se fazer de vítima. É verdade, pô. E a verdade liberta.

Sou um ser humano. Não preciso ser decorativa para ter valor. Só eu posso decidir o que fazer com o meu corpo. Para mim isso foi uma iluminação.

Perdi o medo. Não fico mais pensando o que acham de mim. Posso doar 90% das minhas roupas, fechar a casa e sair pelo mundo, em vez de sair bem nas fotos. Fecho a cara para as piadas sobre estupro e violência doméstica,  defendo a liberdade sexual das mulheres, discuto, critico, reclamo.

Aí vem um povo e diz que as feministas são chatas. É claro que somos chatas!!! Querer mudar o mundo, achar que não tá bom assim, incomoda. Ou vocês acham que os ingleses adoravam o Gandhi?

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Inventário

A turma do minimalismo sugere que você faça um inventário de todos os objetos que possui. O objetivo é perceber a quantidade de coisas que temos. O segundo passo é avaliar elas são utilizadas ou estão só ocupando espaço.

Pelo que tenho visto, a maior parte das pessoas se surpreende. É fácil esquecer o que temos guardado em gavetas, armários e estantes. Quando fazemos uma lista, o número salta aos olhos. 

Eu entendo que fazemos parte de uma cultura que adquire e conserva. Em tese os objetos aumentam não só nosso conforto físico, mas também o psicológico. O desafio é perceber se isso é verdade pra gente, até que ponto, e se a vida não  muda nossas necessidades. 

Já eliminamos um bocado de coisas. Por enquanto, o foco foram roupas, sapatos, livros, documentos e cosméticos. Agora vamos partir para a sala e a cozinha. 

Não tenho ideia do que devo guardar, se é que devo guardar, para a nossa volta. Talvez transportar e guardar itens fique mais caro do que seu próprio valor. Só sei uma coisa: que a gente tem montes de utensílios domésticos que não usa. Não cozinhamos de verdade em casa - só fazemos lanchinhos - então há várias panelas e acessórios que podem ser despachados sem dó. 

Decidimos que vamos fazer um inventário de tudo que temos e classificá-los em três categorias: manter, doar, em observação. Não precisamos correr, porque ainda faltam vários meses para a nossa partida, mas gostamos de ir nos organizando. Até porque acho que a categoria "manter" vai diminuir com a passagem do tempo. 

quinta-feira, 10 de maio de 2012

A lição da gaveta de sacolas

Comecei o minimalismo aqui em casa pela gaveta de sacolas. Eu tinha pilhas delas ocupando uma gavetona. Só não me dei conta que, como eu ia me desfazer de um monte de objetos, elas viriam bem a calhar para transportá-los. Resultado: virei novamente uma caçadora de sacolas - mas agora elas não se acumulam, elas são usadas.

Aprendi minha lição. Após ter me livrado de pelo menos metade do guarda-roupa e quase todos os sapatos, as eliminações de roupas ficarão temporariamente suspensas. Motivo: vamos começar a aventura pelo Sudeste Asiático e enfrentaremos temperaturas bem diferentes. Como viajar de mochila exige que a gente carregue tudo nas costas, um plano razoável é fazer a mala com roupas velhinhas e ir deixando pelo caminho as peças que não usaremos mais.

Então, até decidirmos o que vamos levar para os primeiros meses de viagem, não despacharemos mais roupas que podem ser úteis. No fim do ano, o que não for selecionado para a mochila vai para a doação. Ou...

Para-uma-caixinha-de-roupas-que-vou-guardar-na-casa-dos-meus-pais!

Siiim, eu sou a primeira a dizer que não é pra minimalizar a vida empurrando tralhas para casas alheias. Maaas acho que deixar três camisas, duas calças e um sapato de trabalho em um cantinho para minha volta é bem razoável. Afinal, minhas irmãs também estocam um monte de coisa lá.

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Mudança de planos!!!

Aproveitamos as férias de uma semana para conversar muito e testar a ideia do adiantamento da aventura com uns advogados do diabo. Os advogados do diabo disseram, "vão logo, pô!".

Então é isso: cortamos 10 meses de espera e vamos nos mandar em janeiro de 2013.

É oficial mesmo: já avisei o chefe.

Frio na barriga total.

* * *

Mudamos a data porque percebemos que o que estava fazendo a gente empurrá-la lááá para um ano e meio depois era um só: dinheiro - ou melhor, mais dinheiro. Porque grana pra viajar a gente tem (economias de uma vida!), mas se ficássemos até o final de 2013 os planetas financeiros estariam mais alinhados.

Só que temos justamente refletido como dinheiro até certo ponto é importante, mas que a partir do nível da independência + um tanto de conforto ele começa a custar muito caro: no nosso caso, mais 300 dias de trabalho não muito recompensador e um bocado de impaciência.

Chutamos o balde e os planetas financeiros.

* * *

Oito meses e contando!

domingo, 6 de maio de 2012

Autoconhecimento

Conversando com a amiga F., que também está aderindo ao minimalismo, chegamos à conclusão que um dos benefícios do processo é se conhecer melhor. Quando você se propõe a escolher o que vai e o que fica na sua casa e na sua vida, você descobre o que é essencial e o que é acessório para si mesma. E não só em relação às coisas.

Eu descobri, para minha grande surpresa, que ainda estou em processo de crescimento, mesmo tendo mais de trinta anos. Achava que já tinha minhas certezas e meu estilo de vida e que ia ser para sempre. Só que não.

Ainda bem.

É clichê dizer que a gente muda e aprende sempre. E não sei não, viu: conheço pessoas que parecem não ter mudado nem aprendido nada nos últimos tempos. Eu mesmo passei uma temporada longa achando que estava tudo dominado.

Estou feliz em perceber que ainda há muitas aventuras pela frente. Dentro e fora de mim.

sexta-feira, 4 de maio de 2012

Filhinhos

Quando a gente fala que não quer ter filhos, as pessoas 1) acham que é uma fase e que uma hora vamos mudar de ideia e 2) tentam nos convencer a mudar de ideia.

Olha, eu dou o maior apoio para quem quer ter filhos (vai que eu tô te vendo). Mas não quero, obrigada. Quando me dizem que filho é "a melhor coisa do mundo", eu acredito, juro. Só não pra mim.

E nem acho que criança impede nosso estilo de vida: vejam aqui um casal que viaja de montão com o filho pequetito. O Felipe fez dois anos na Transmongoliana - estão entendendo o nível da coisa?

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Não compro, mas faço aniversário

E aí aproveito para dizer com todas as letras o que estou ambicionando. Antes eu achava que isso era trapacear, que eu tinha que sofrer e usar as mesmas roupas até que elas começassem a se desfazer, mas depois que isso era bobagem e um desserviço ao minimalismo (quem vai querer adotar uma filosofia de vida que obriga a trajar trapos?). Além disso, já que as pessoas iam me dar presentes mesmo,  podiam muito bem me dar o que eu queria.

Meus amigos trouxeram vinho e chocolate, meus consumíveis preferidos. Minha mãe se lembrou de onde vinham minhas camisas de trabalho e me deu mais uma. Irmã I. e irmã D. perguntaram, com todas as letras, o que eu queria (protetor solar e sapatinho confortável) e providenciaram. 

Já estou pensando nas camisas e nos sapatos que serão despachados. A receita "entra um, sai um" funciona bem para quem não quer acumular, mas eu ainda tenho gordura pra queimar. Comigo é "entra um, saem dois". Ou três. 

quarta-feira, 2 de maio de 2012

A beleza das férias

Tiramos uma semana de férias para passar em BH. Eu tinha me esquecido como é bom ficar à toa, sem hora para nada, sendo o único compromisso encontrar os amigos, ir a festinhas de família e dar várias dormidinhas após as refeições.

Se afastar da rotina é uma ótima maneira de ver de longe a vida da gente e avaliar o que está dando certo ou não. Tive até umas ideias a respeito do meu trabalho, que tem me deixado frustrada e resmunguenta.

Vou tentar aplicar algumas abordagens diferentes por lá. Mas a melhor ideia, é claro, é largar dele o mais rápido possível. Pelo menos por três anos, né.

terça-feira, 1 de maio de 2012

Inesperados

Estamos de férias em BH. Como quem não quer nada, jogamos para meus pais que estamos pensando em adiantar a aventura e começar com quatro meses passeando pela Ásia. Eles meio que ignoraram o fato de que o Leo vai ter que batalhar outro emprego quando voltar e mais que depressa se candidataram pra... IR JUNTO.

Gente, eles têm mais de sessenta anos. Meu pai fica mal-humorado quando o almoço atrasa. Minha mãe toma um monte de remedinhos para uma condição auto-imune. Acho que, na hora do vamos ver, não vai dar. Mas fiquei bem orgulhosa com a confiança: eles já viajaram conosco, gostaram da experiência, e nem a perspectiva de hotéis sem água quente e pratos irreconhecíveis os assustou.

* * *

E tem pessoas que não escutam a gente. Falamos e falamos que estamos nos desfazendo das coisas, que não queremos nem precisamos de objetos, que se insistirem em nos presentear preferimos bens consumíveis ou úteis. E as pessoas que não escutam a gente nos ignoram solenemente.

É assim que a gaveta de presentes engorda.