sexta-feira, 25 de maio de 2012

Abaixo os saltos altos!

Eu achava que usar sapatos de salto era bonito, chique, fino. Tinha muitos pares, de todas as cores e modelos. Para trabalhar, eu usava umas versões "confortáveis", de salto médio. Para sair, saltos altões. E os pés doíam e eu chegava ao final do dia - ou da noite - com os dedinhos esmagados, mas isso não importava. Porque eu era mulher e mulher usa salto e é isso mesmo.

Aí comecei a ler blogues e textos feministas. Uma luzinha se acendeu em minha cabeça. Eu não preciso usar salto. Apesar das revistas e das novelas e dos sites dizerem que os sapatos altos deixam a mulher bonita, chique, fina e poderosa, dos estilistas falarem que scarpins e stilettos são indispensáveis ao guarda-roupa da mulher elegante, das propagandas e filmes e fotos decretarem que só mulher de salto é sexy e transa, eu posso muito bem dispensá-los e seguir minha vida, obrigada.

Desde 2009, não uso salto, ponto. Já fui a festas e casamentos usando sapatilha preta, e me acabei na pista de dança, sem maltratar os pés nem tirar os sapatos e me arriscar a pisar em taças quebradas ou bebidas derramadas. Ando a pé pra todo lado, pego ônibus, e meus pés nunca me incomodam. Juro que meu humor melhorou.

E minha mobilidade também. É incrível, mas só então percebi como ando muito mais rápido do quem usa  salto. Como não preciso me preocupar em evitar grama, terra, buracos e grades no chão (em todos eles, o salto afunda). Como "caminhar" virou uma ação muito mais simples!

Para as loucas por saltos, eu proponho um desafio simples: um mês sem eles. Mas é pra trocar por sapatos baixos confortáveis, não aquelas sapatilhas duras que mastigam os tendões ou aquelas rasteiras decoradas de solas que não se dobram. Existem sapatinhos gostosos e bonitinhos, eu juro. Depois de um mês dedicado ao conforto e ao bem-estar, quero ver quem volta para os sapatos altos!

Eu tenho 1,58 m. Se você não gosta de pessoas baixas, sinto muito. Não vou usar instrumentos de tortura modernos só pra ficar um pouquinho maior.

18 comentários:

  1. Estamos juntas nessa. Há muito tempo deixei de usar também, e olha, só me arrependo de não ter desistido dessa tortura muito antes.

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  2. Às vejo algumas motoristas com salto agulha e quase quero parabenizá-las por essa façanha - como é possível dirigir com um salto desses?

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  3. Lud, após iniciar o ano sem compras consegui, com uma régua, analisar os saltos que eram muito altos e desapegar, passando para outras pessoas.

    Não é fácil, pois o apelo comercial é quase irresistível.

    Mulheres de salto ficam parecendo uma garça! rs

    Certamente não aboli todos os saltos, mas estou usando saltos bem mais baixos e confortáveis, até em razão de minha limitação física (duas cirurgias de coluna e três hérnias de disco...rs) E, agora vc pergunta: vc ainda usada salto? A resposta trágica: sim, usava, mas já estou bem mais consciente!

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  4. Eu fico agora é achando graça (é rir pra não chorar) nos instrumentos de tortura que existem por aí... No aeroporto, agora, foi triste ver umas pessoas com cara de atrasadas e tentando correr, mas não conseguindo por conta dos saltos horríveis. Imagina perder o vôo do início das suas férias (ou para aquela entrevista de emprego conseguida a muito custo) por conta de um sapato...

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  5. Quando mudei de emprego, sabendo que a maioria dos dias além da bolsa ainda teria que carregar notebook, tomei uma decisão acertada: comprei uma coleção de flats ou quase flats, e por algum milagre achei um scarpin vermelho usaflex, um dos poucos modelos bonitos da marca o único salto que ainda uso pra trabalhar, bem de vez em quanto. Vc tem razão, meus pés não são mais motivo de reclamação ou de dor. Passei pra frente sem dó botas, scarpins e sandálias que eu amava, mas chegou uma hora em que olhava pra eles e só lembrava da dor que me causavam. Durante esse tempo, teimosa, fui trabalhar de salto 3 vezes, umas das vezes o sapato me machucou tanto, mas tanto, que antes de entrar em casa os joguei na lixeira do prédio e fui descalça até em casa, aqueles não mereciam nem ser passados pra frente. Hj eu só penso o quanto eu era tola ao querer sensualizar com saltos altos no trabalho, de salto ou sem salto, as pessoas me tratam do mesmo jeito.A gente ainda tem muito o que evoluir nessa questão.

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  6. Ashen Lady,
    faço das suas as minhas palavras!

    Anônimo,
    uma amiga minha deixava sapatilhas no carro para colocar na hora de dirigir. Não seria mais fácil usá-las o tempo todo?

    Ziula,
    dou parabéns pela sua evolução, porque sei que não é fácil, principalmente se no local de trabalho todo mundo anda de salto. Mas fico sempre pensando nos homens: eles usam sapatos baixos, confortáveis, fáceis de combinar (geralmente pretos)... também quero, oras!

    Oi, Daninha!
    então, dá dó mesmo. E as coitadinhas que são obrigadas a usar, porque o salto é parte do uniforme? Como comissárias de avião? Eu entrava com processo contra, sério.

    Unknown,
    é bizarro mesmo: embora as mídias digam que salto é importantíssimo, na prática nunca ninguém me virou a cara por causa dos sapatos baixinhos. É verdade que uma amiga já me fez um discursinho sobre como os homens apreciam os saltos, mas 1) se eles apreciam, que eles usem; 2) minha missão nessa vida não agradar os olhos masculinos, obrigada.

    Abraços para todas!

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  7. Eu amo o teu blog e sigo, desde a época do outro. Tento ser minimalista, mas, todavia, às vezes é complicado. Tu sabes Lud que vivo uma odisséia com a história das roupas e sapatos, porque quero andar mais ou menos arrumada, porém, confortável, ou seja, me sentindo bem. Agora por último, inventei que não queria mais usar aquelas calças skinny estupradoras e mostradoras de cofrinho, então investi em leggings e sobre leggings para usar com botas de montaria (de salto baixissimo). Ainda, tentei,veja bem, tentei, meia calças com vestidos de inverno, contudo, eis a minha surpresa quando na primeira usada de uma, estraguei toda com um canto de unha (não faço unhas), hahaha! Estou sempre tentanto faciliar, mas só me ferro, hahaha! bj

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  8. Ah, meu nome é Gabriela e sou advogada, imagina né? aff! Também tenho a tua altura, amo preto, e sou super básica!Ou ao menos, tento ser! hahaha!

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  9. Oi, Gabriela!
    Eu também amo preto, sou super básica, e já fui advogada (idos tempos). E também tenho essa meta: andar razoavelmente arrumada, porque o trabalho exige, e confortável.
    Me inspirei nos colegas e no marido. Percebi que terno, ou calça social e camisa, são cômodos, marcam/revelam pouquíssimo o corpo, e são tão "uniforme" que ninguém fica reparando se você tem mil modelos e cores diferentes.
    Ah, eu também não faço a unha. Será que nós somos a mesma pessoa? rs

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    1. Lud, adoro ler o que tu escreves, hahaha! Tu imaginas, na minha profissão, o que tenho que passar né? Não faço as unhas, porque me recuso a pagar o preço, e detesto perder aquele tempo imenso esperando a unha secar, cuidando para não amassar, etc, e etc. Agora, como havia te dito, mais uma frustração com as meias calças, eh, eh. Tudo isso, porque descobri que são absolutamente descartáveis. Puxam fio, rasgam, e dizem que temos que ter uma de reserva na bolsa. Muita mão, não é pra mim, hahahaha! bjos e boa sorte no teu projeto, em que pese eu já me sinta, desde já, órfã da leitura!

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  10. Eu sempre andava com saltão fino, roupa caprichadérrima, bolsa diferente todos os dias. Também sou (era) advogada.

    Hoje, morando na África, tenho uma grande vantagem: sou a única mulher no meu local de trabalho. O que significa que ninguém mais vai poder "comparar" vestimentas. Resultado? Não uso saltos pra trabalhar há meses. Ainda uso pra festas, e mantendo o mesmo padrão de antes (=uma sapatilha fofa na bolsa, pra trocar no meio da festa). Mas minhas roupas estão mais confortáveis, meus sapatos também, e eu sou uma pessoa mais feliz!

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  11. Gabriela,
    cê não vai ficar órfã da leitura não, menina! Viajando, aí é que eu vou ter assunto pra escrever muito!

    Carol,
    puxa, muito bom. Eu trabalho com muitas mulheres, e fiz para mim a regra de não comentar nada sobre a aparência de ninguém. Porque a pressão pra estar "nos trinques" também vem muito da ala feminina, né?

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  12. Sapatos confortáveis, sempre! Usava sapatilhas e rasteirinhas com frequência, além de 2 sapatos de salto médio - ambos muito confortáveis - que uso mais para sair à noite. Recentemente tive uma inflamaçâo muuuuito chatinha no calcanhar. Minha surpresa foi grande quando me explicaram que isso era causado justamente pelo uso de sapatos baixos. Mas com um detalhe importantíssimo: sapatos baixos e RETOS. Continuo usando sapatos baixos, porém nunca retos, sempre com um saltinho de 2 a 3cm (recomendação do fisioterapeuta.)E olha que eu sempre privilegiei o conforto na hora de comprar um sapato. Gente, pelo que percebi, essa inflamação é bem mais comum do que se pensa, então, todo cuidado é pouco. Sei que isso dificulta muito a compra, já que a grande maioria dos modelos ou tem saltão ou é completamente reto. Mas, procurando direitinho, a gente encontra. E o bom de ser minimalista é que não se perde nem tempo, nem dinheiro comprando uma montanha de sapatos. Alguns poucos modelos confortáveis e de boa qualidade dão conta do recado direitinho!
    Alexandra

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  13. Alexandra,
    é importante mesmo saber disso. Agora que você falou, estou reparando, e os sapatinhos "confort" têm um saltinho mínimo - deve ser pra evitar esse problema.
    E montanha de sapatos não está com nada!
    Abraços

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  15. Depois que comecei a faculdade só sei o que é o meu all star ( só tenho um, que é de couro e fácil de limpar, e não encharca) e chinelo. Cansei de ter calos e dores nos pés só pra ficar bonitinhas de saltinho e amenizar o meu 1,58 de altura.

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