domingo, 13 de maio de 2012

Feminista, sim senhora

É claro que sou feminista. E se você acha que todos os seres humanos, embora sejam diferentes, devem ter direitos iguais, então você também é, hohoho.

Eu me assumo feminista desde criança, quando lia a revista Claudia da minha mãe. Sim, pasmem: a revista Claudia já escreveu muito sobre a questão dos gêneros e dos direitos femininos. Só que, depois que virei adolescente/jovem adulta, acreditava piamente que eu não era limitada por ser mulher. Que para minha geração o feminismo tinha funcionado, que a gente podia votar, trabalhar e optar, que éramos seres livres e independentes.

Ah, a ingenuidade dos jovens. Gastei mais uns anos para perceber que, se eu tinha medo de sair à noite sozinha, se meus pés sofriam todo dia por causa dos sapatos altos, se eu sentia que frequentar academia era obrigação moral, bem, eu não era tão livre e independente assim.

E isso não é mimi; não é se fazer de vítima. É verdade, pô. E a verdade liberta.

Sou um ser humano. Não preciso ser decorativa para ter valor. Só eu posso decidir o que fazer com o meu corpo. Para mim isso foi uma iluminação.

Perdi o medo. Não fico mais pensando o que acham de mim. Posso doar 90% das minhas roupas, fechar a casa e sair pelo mundo, em vez de sair bem nas fotos. Fecho a cara para as piadas sobre estupro e violência doméstica,  defendo a liberdade sexual das mulheres, discuto, critico, reclamo.

Aí vem um povo e diz que as feministas são chatas. É claro que somos chatas!!! Querer mudar o mundo, achar que não tá bom assim, incomoda. Ou vocês acham que os ingleses adoravam o Gandhi?

6 comentários:

  1. Eu já achava que voce era feminista, mas esta declaração foi tão linda.
    Pois é, tamos juntas na luta sempre chatas, mau-humoradas e radicais. E algumas de nós tentando ser minimalistas e outras conseguindo! ♥
    beijos

    ResponderExcluir
  2. Lud, praticamente reli seu blog inteiro hoje e entrei completamente em crise, acredita? E fiquei pensando um moooonte de coisa... Sabe, você mudou muito, né? Lendo você falar sobre como vc era, as coisas que valorizava, os medos que tinha, o que fazia, o que gostava, vejo você cada vez mais livre e fazendo suas escolhas. Ah! Mas você sabe que eu às vezes sinto que estou vivendoa vida meio no automático, meio "de roldão", sei lá e tudo parece completamente sem sentido. A minha vida segue impávida e a angústia é realmente um colosso que às vezes acho que sou feliz só de birra mesmo. Às vezes eu queria que um oráculo doido me dissesse o que é que eu devia fazer. Ser psicóloga não me curou dessas crises existenciais malucas, pelo contrário, só tornou tudo mais intenso. O mais maluco é que todo mundo acha que eu levo a vida mais certinha do mundo.... kkk... Bem, não quero ficar aqui contando toda a história da minha vida.. só dizer que estou muito feliz por você, de coração, por todo o seu processo que adoro acompanhar. Não sei se significa alguma coisa, mas quando penso em você e em tudo que está passando, eu fico alegre.

    ResponderExcluir
  3. Daniela, obrigada!

    Liliane, a gente vai aos trancos e barrancos no minimalismo, né? Eu só vou dizer que consegui quando a casa estiver desmontada e eu tiver em meu poder só uma mala de tamanho médio!

    Rita, só é!

    Marina, é, eu mudei bastante. E justamente depois de ter pensado que minha vida estava pronta e que era daquele jeito mesmo! E você também mudou bastante no seu desafio, né? O ser humano, esse danadinho.
    Mas ó, acho que a angústia é meio inevitável. Já ouvi dizerem que a vida não tem sentido, mas pode ter graça. A ateia materialista aqui gostou. Tô procurando essa graça.
    Puxa, fico muito feliz que pensar em minha jornada te deixe alegre. Significa muito nesse mundo maluco. Ah, e fique à vontade pra contar sua vida... a gente vai trocando figurinhas.

    Beijos!

    ResponderExcluir
  4. Oi Lud,
    Faz tempo que não passo por aqui...

    Estou escrevendo pra dizer que precisamos mais disso: de feministas esclarecidas, assumidas e inconformadas!

    Boa sorte com tudo :)

    ResponderExcluir