sexta-feira, 29 de junho de 2012

A louca do papel contact

Apartamento alugado, grana contada, ambições decorativas: teu nome é papel contact. Barato, fácil e removível.


Ontem me tornei a orgulhosa possuidora de dois rolos, um preto e um de zebra. A primeira vítima foram umas mesinhas empilháveis cujo tampo, de um bege medonho, brigavam horrivelmente com as paredes cinza-claro. As seguintes foram as tampas lindas de duas caixinhas de madeira (presente da irmã D.), que não estavam combinando com a decoração do quarto. 


Aí eu já estava empolgadíssima e revesti diversos azulejos brancos da cozinha. Termino a parede no fim de semana. E o assento das cadeiras verde-limão? Não passam de domingo!


O problema do papel contact é que é tão fácil e rápido de aplicar, com um efeito tão imediato, que a gente começa a querer cobrir o mundo com ele. 


Ou pelo menos as paredes. 

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Segunda noite na Toca

Mudamos. Ontem foi a segunda vez que dormimos na casinha nova.

Na primeira noite, a cama diferente, a luz que vinha da janela e o barulho da rua me acordaram algumas vezes. De ontem pra hoje, dormi como uma pedra e resmunguei na hora de levantar.

O ser humano é incrivelmente adaptável. Já estamos nos sentindo confortáveis. Dois dias, e já temos os espaços para deixar bolsa e pasta, os lugares para pendurar as roupas do dia, o hábito de tirar os sapatos na entrada, e toda uma dinâmica adaptada ao novo ambiente. 


Só falta instalar a cortina do quarto, comprar adaptadores de tomada e trocar os assentos das cadeiras (verde-limão is so not my color). Aí eu fico perfeitamente contente. 

quarta-feira, 27 de junho de 2012

O golpe da mudança

Quando viemos para Brasília, comecei a trabalhar quase imediatamente. O Leo, que começou um mês depois, se encarregou de instalar cortinas e telas, providenciar internet e tevê a cabo, abrir as caixas e organizar as coisas, tudo praticamente sozinho.

Dessa vez, estamos os dois trabalhando, mas eu tenho um novo sistema entrando no ar e ele tem muitas horas de crédito com o chefe. Então, de novo, é o Leo que ficou com as burocracias do processo. Com o agravante que estamos levando tudo para a Toca por conta própria.

Ele brinca que eu estou dando o golpe da mudança - de novo. Mas, como ele deu o golpe do passaporte (quando éramos namorados, eu tinha altas esperanças de que ele ia conseguir a cidadania europeia, por causa do bisavô italiano. No fim das contas e dez anos depois, foi o meu passaporte português que saiu), acho que ficam elas por elas.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Casa de hobbits

Ainda não nos instalamos e o Leo já está meio aflito com o tamanho reduzido do novo lar. Anda planejando maneiras de não ficar muito tempo em casa, e feliz da vida que no final de julho vamos sair de férias e viajar. Já eu estou tranquilíssima. 

Hoje descobri a razão: deve ser porque o Leo e seus quase um metro e noventa nunca moraram em um lugar pequeno, enquanto eu passei vinte e tantos anos da vida em um apartamento perfeitamente adaptado à altura da minha família.

Eu meço um metro e cinquenta e oito e era a mulher mais a alta da casa. Diante desses fatos, uma amiga já perguntou se eu vinha de uma família de hobbits. 

Não, não venho, mas bem que podemos batizar o novo apê de A Toca.

segunda-feira, 25 de junho de 2012

O mundo maravilhoso da decoração faça-você-mesma

Nosso futuro lar, todo branquinho, tem uma cara danada de folha em branco (ou, em termos menos poéticos, de hospital psiquiátrico). Meus dedinhos estão coçando para começar a jogar cores pra lá e pra cá. 

Só que nosso plano é juntar o máximo de dinheiro possível. É por isso mesmo que nos mudamos para um lugar menor e mais barato. Então, a decoração vai ser na base do que já temos, do que conseguirmos pegar emprestado (não, eu não tenho o menor pudor) e do que é possível fazer de maneira fácil e barata.

Sim, eu sei que eu disse que tinha que dar um jeito de decorar o novo lar sem gastar nenhum tostão. Pois mudei de ideia. Vamos morar seis meses no quarto-e-sala, então gastar uns tostões (eu disse tostões) para ter um ambiente bacana é um gasto permissível.

Resultado: acabo de descobrir o maravilhoso mundo do papel contact. Lá na Casa de Colorir.

domingo, 24 de junho de 2012

Vida selvagem

Uma das vantagens da nossa kit (perdão, do nosso quarto-e-sala - meu cunhado me garantiu que kit é um ambiente só) é que ela fica do lado do Parque da Cidade (onde Eduardo e Mônica se encontraram, a Mônica de moto e o Eduardo de camelo).

Muito bom, muito verde, e muitos bichinhos também. Encontramos várias aranhinhas e suas teias, que eu destruí até triste, já que elas comem mosquito - um ou dois deram o ar de sua graça. Até aí, tudo bem. O Leo só perdeu a paciência quando uma baratinha correu desatinada para debaixo do sofá. Aí ele sacou suas armas - isto é, inseticida em spray - e saiu atrás dela. 


Viramos o sofá de todos os lados, e nada da danada. Só quando levantamos o móvel é que achamos o cadáver, grudado embaixo. Aproveitamos para dar uma boa vassourada no lado de baixo do sofá-cama, destruindo mais algumas teias de aranha e resmungando a respeito da qualidade da faxina que tínhamos contratado.


Nos viramos triunfantes... e demos de cara com a baratinha, parada na frente da porta de entrada - aparentemente esperando que nós a abríssemos para que ela saísse. Ela saiu, só que dessa vida, e eu fiquei arquitetando uma teoria sobre o fato de o sofá-cama ser a pirâmide das baratas, um lugar de peregrinação para a espécie, e...


Decidimos dedetizar o apê antes de mudar. 


* * * 


E colocar telinhas nas janelas. O atual-quase-ex tem, e é otimo: praticamente invisível, e protege mesmo. O Leo já ligou para a firma que instalou, e eles vão retirar as quatro imensas que tem aqui e cortar uma delas para as três janelas pequetitas de lá. 


Será que eles aceitam pagamento em espécie? 

sexta-feira, 22 de junho de 2012

Tudo ao mesmo tempo agora

É claro que tinha que acontecer tudo na mesma hora: prova final de francês, mudança de casa e, no trabalho, entrada em produção da nova intranet (da qual, por uma dessas gracinhas do destino, eu sou a sub-gerente). 


A prova já estava marcada desde o início do ano, é verdade. Só que o projeto vem se arrastando há uns meses, e bem que a mudança podia ter saído um pouquinho mais cedo, né? 


Mas vamos ver o copo meio cheio: isso tudo significa que o primeiro semestre de 2012 está terminando em grande estilo. Dá pra fazer vários "check" no caderninho mental. 


Se eu sobreviver à próxima semana, evidentemente. 

quinta-feira, 21 de junho de 2012

Novo site preferido e novo desafio

Meu novo site preferido: este aqui.

Meu novo desafio: transformar uma kitchenette totalmente habitável em um lugar aconchegante, bonito e funcional. E sem gastar nenhum tostão!

Será que dá? Estou fazendo um balanço da situação:

Ponto positivo: o novo apê é todo branquinho, incluindo banheiro e armários.

Ponto negativo: não são branquinhos o forro das cadeiras (verde-limão), o sofá (preto), as mesinhas empilháveis (tabaco) e o medonho móvel de tevê (bege-amarelado).

Ponto positivo: a kit tem muitos, muitos armários. Então tudo que ainda possuímos vai ter um lugarzinho! (Eu acho.)

Ponto negativo: a kit não tem nenhuma estante, nenhum espaço de exposição de objetos -  e olha que algumas que a gente visitou tinham. Logo, não vai dar para deixar a nossa marca com livros e lembranças de viagem à vista.

Ponto positivo: depois de enviar para BH, vender e doar montes de objetos, restaram aqueles que não deu pra desapegar... e aqueles que ninguém quis. Então, antes de partir para a rodada final de desafazimento desses últimos, vamos ver se eles funcionam de um jeito diferente no novo lar. 


Ponto negativo: depois de enviar para BH, vender e doar montes de objetos, restaram aqueles que não deu pra desapegar... e aqueles que ninguém quis. Aqueles que ninguém quis, gente! Sei não - de repente eu estava melhor sem eles. 

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Primeira visita ao novo lar

Hoje à tardinha recebemos a chave e fomos, bem pimpões, conhecer a casa nova, uma kitchenette mobiliada de um quarto. É tão perto que deu para ir a pé em 15 minutos.

Achamos bem bacana. A kit é toda branquinha, tem montes de armários, geladeira grande, microondas e até sofá-cama na sala. O único móvel feinho é o da tevê, mas não temam: estamos planejando levar um cubo de madeira tabaco com gavetas que temos para botar no lugar.

É pequeno? É, muito. Alguns dos nossos hábitos, como deixar roupas espalhadas, terão de ser repensados. Estamos encarando como um desafio - muito facilitado pelo fato de que a gente já deu destino a uns 70% dos nossos objetos. E como um treino para o futuro!

Além disso, estou animada com a perspectiva de decoração. Vou levar nossas almofadas, quadros, lembranças de viagem (é, alguns a gente fez questão de guardar) e em pouco tempo a kit vai ficar com a nossa cara.

Aí eu boto fotos.

Meu Brasil brasileiro

O Brasil foi - e é - muito bom para mim. Meus pais vieram do interior para a capital (de Minas), conseguiram bons empregos, subiram na vida. Tivemos babá e empregada doméstica. Eu e minhas irmãs estudamos em boas escolas particulares e depois em universidade pública (no meu caso, duas vezes). Todas nós estamos bem empregadas, ganhamos bem, viajamos. 

O Brasil tem problemas? Tem, claro. Mas eu, classe média-alta, sou uma privilegiada nesse mar de desigualdades (que vêm diminuindo, ainda bem) e tenho consciência disso. Vou morar no exterior para ter uma experiência diferente, mas não sou deslumbrada com os países ditos desenvolvidos. (Ok, talvez um pouquinho. Mas tem muito estrangeiro deslumbrado com o Brasil também.) Então, não contem comigo para só falar mal do meus país tropical e lamentar que tudo é tão melhor na Europa.

Quando fui para a Austrália pelo Rotary, em 2010, estudei história e geografia brasileiras. Vou dar uma refrescada nas lições este ano. Não pretendo sair por aí dizendo que o Brasil é um paraíso e que aqui todos são felizes: é claro que tenho críticas a fazer, e não são poucas. Mas acho o contexto importante, importantíssimo. 


Já estou me vendo como embaixadora não-oficial do Brasil. Aí, essa minha megalomania.

terça-feira, 19 de junho de 2012

Ansiosa para conhecer meu novo lar

Sim, assinamos um contrato de aluguel por seis meses sem conhecer o imóvel. Sim, vamos pagar tudo adiantado. Sim, é um comportamento pouco habitual de nossa parte.

Não, não enlouquecemos. Não, não foi totalmente às cegas: vimos fotos. Duas, no celular. Não, não achamos que foi um mau negócio: a dona é vizinha de prédio e o filho e a nora moraram um ano e meio lá.

Sim, escapamos da chatice de lidar com imobiliárias. Sim, é um alívio não ter de preencher cadastros e apresentar fiadores. Sim, tudo aconteceu muito rápido.

Não, não estou calma - estou é doida pra ver minha primeira kitchnette com meus próprios olhos. Não, eu não acho que tudo que sobrou do garage sale vai caber lá. Isso significa que vários móveis e alguns objetos serão despachados para um brechó. Não, não acredito que vou me sentir sufocada em 25 metros quadrados - o Leo é que sim.

Sim, estamos contentes.

Muito.

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Estamos praticando!

Hoje à noite a gente vai pro Rio, visitar a irmã I. Normalmente a gente voltaria do trabalho para casa, deixaria o carro, pegaria as malas e tomaria um táxi para aeroporto (felizes da vida porque aqui em Bsb o aeroporto é pertinho, e não a 1 hora de distância, como Confins). Dessa vez resolvemos utilizar o minimalismo e a economia:

1) cada um está levando só uma bolsa de mão para não precisar despachar bagagem
2) vamos de ônibus para o trabalho, levando a bagagem de uma vez
3) no fim do dia, sairemos direto do trabalho para o aeroporto. Tem o ônibus de linha e o executivo: pegamos o que passar primeiro.

É tão fácil e barato que eu não sei como não pensamos nisso antes.

quinta-feira, 14 de junho de 2012

Amadurecendo, só que no sentido contrário

Uma coisa que a gente escuta bastante quando conta dos nossos planos é algo do gênero: "a ideia é boa, mas eu não tenho mais idade pra isso!". E eu acho engraçado. Porque só agora, aos 36, é que eu cheguei à idade pra isso.

Antes dos 20, eu era fresquinha e quadrada. Imagina vender-tudo-pedir-licença-e-sair-viajando. Acho que eu teria uma crise de ansiedade só de pensar na possibilidade. Quando a irmã D. quis fazer intercâmbio, no segundo grau, eu fiquei impressionada com a coragem dela. Nunca acampei, e a primeira vez que fiquei em um albergue foi no ano passado.

Sim, eu precisei amadurecer para encarar uma aventura. Ganhar coragem, confiança e desapego.

Mas sem esquecer o dinheiro guardado, as vacinas necessárias e o seguro-saúde.

terça-feira, 12 de junho de 2012

Cartela de cores ou Maneira rápida de reduzir o guarda-roupa

Dos meus tempos de grande preocupação com a aparência, guardei uma dica bacana: o grupo de cores que combina comigo. Eu sou inverno.

É uma técnica altamente minimalista: você descobre os tons que te favorecem, e só compra roupa e sapato daquelas cores. Isso elimina uns 75% das peças disponíveis do mercado. Além disso, tudo combina com tudo, o que elimina os itens que só podem ser usados com um outro específico.

O meu grupo de cores é preto, branco, cinza, azul, roxo e vermelho. Verde eu uso se for intenso e tiver bastante azul na composição. Marrom e seus parentes (bege, cáqui, esverdeado) me deixam amarela. Logo, eu os evito.

Acho que é uma boa dica para quem quer reduzir o guarda-roupa, mas está tendo dificuldades no processo de eliminação. É só descobrir/escolher seu grupo de cores e banir as outras, sem a menor pena.

* * *

A Lilly deixou nos comentários uns links ótimos da Rita sobre análise de cor e aplicação no desapego. Tô copiando aqui e aqui.

segunda-feira, 11 de junho de 2012

Minimalismo a jato

Estive minimalizando minha vida tranquilamente, desde o meio do ano passado. Agora, com a mudança para uma kitchenette mobiliada, não só estamos vendendo todos os móveis, eletrodomésticos, objetos de cozinha e decoração, como vamos ter de dar um jeito de fazer nossos bens pessoais (roupas, sapatos, remédios, material de estudo) caberem nos exiguos armários do futuro lar.

Acho que isso é bom. Nada melhor para botar uma filosofia em prática do que uma necessidade premente. Vou ter de decidir quais peças eu uso mesmo e dar destino às outras. Não no prazo confortável de seis meses, mas agora mesmo, em duas semanas.

Como tenho praticado o desapego nos últimos tempos, estou confiante. Depois eu conto o que sobreviveu e o que foi eliminado. De uma coisa tenho certeza: serão poucos sapatos, e todos pretos.

domingo, 10 de junho de 2012

E na volta ao Brasil, como faz?

Andaram nos perguntando como é que vamos fazer daqui a 3 anos, quando voltarmos para a pátria amada. Se vamos montar casa de novo, comprando tudo que estamos vendendo hoje. Ou, numa variação do mesmo tema, como faremos se por alguma razão a aventura tiver que ser adiada ou cancelada.

A resposta é: não, não vamos montar casa da mesma maneira de novo. Estamos firmes e fortes no caminho do minimalismo. Em qualquer das duas hipóteses, queremos morar em um lugar menor, mais simples, mais barato. Mais fácil de cuidar, equipado com menos objetos, fonte de menos preocupação. Mais simples de deixar para trás se surgir uma nova oportunidade, uma nova vocação.

Lar é onde o Leo e o Kindle estão (nessa ordem). O resto é perfumaria.

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Acampados em casa

Nossa mesa está cheia de cristais à venda, os criados-mudos e a cômoda foram esvaziados e os pufes e o micro-ondas já partiram. Em suma, estamos meio que acampados na nossa própria casa, fazendo refeições no sofá (com todo cuidado, já que ele também está na lista de ofertas) e numa mesinha baixa de telefone (devidamente coberta com uma toalha de mesa dobrada).

Antes de ontem partimos para o Mercado Livre, como várias almas bondosas sugeriram. E fechamos a venda da estante - o comprador pediu um desconto grande, mas vem buscar no local, então aceitamos e tá valendo.

É aquela coisa: o ser humano se adapta fácil. A casa vai esvaziando, o conforto diminuiu, mas estamos em clima de festa. Cada vez que fazemos uma venda é uma alegria. E acho que estamos fazendo uns amigos também.


quarta-feira, 6 de junho de 2012

O universo proveu

Eu e o Leo somos pessoas muito organizadas e certinhas. Somos trabalhadores, econômicos, fazemos controle financeiro, pagamos nossos impostos, separamos nosso lixo e não jogamos papel na rua (além de às vezes recolher os alheios). Somos os reis dos planos B.

Dito isso, temos desconfiados que, de vez em quando, a gente pode se dar ao luxo de arriscar um pouquinho e ver o que acontece.

Há uma semana, avisamos a imobiliária que íamos devolver o apartamento em 30 dias e começamos a vender nossos bens. SEM ter fechado o contrato para o próximo lar. (Ok, já tínhamos visitado alguns imóveis e sabíamos que havia opções. Mesmo assim, é o tipo de coisa que a gente não costuma fazer.)

A primeira pessoa que apareceu no garage sale foi uma vizinha do prédio. Conversa vai, conversa vem, ela nos conta que tem uma kit pra alugar ali pertinho, toda mobiliada e arrumada. Com condomínio fixo e barato. Na qual o filho e a esposa moraram por um ano e meio. Cuja locatária atual está saindo!

Agora é só assinar o contrato. O universo proveu, gente.

terça-feira, 5 de junho de 2012

Enxoval-cápsula

Tenho pensando se devo guardar um enxoval-cápsula na casa dos meus pais. Algo como
- 2 jogos de cama
- 2 jogos de banho
- 2 toalhas
- 2 travesseiros
- 4 copos
- 4 pratos
- 4 garfos, 4 garrafas e 4 talheres
só pra não começarmos do zero quando voltarmos da aventura e montarmos um novo lar.
Faz um certo sentido, mas é razoável deixar essas coisinhas empacotadas durante três anos? Será que não é melhor comprar na volta? Ou pegar emprestado de uma ou de outra mãe, na maior cara-de-pau?

segunda-feira, 4 de junho de 2012

O poder das redes sociais (digitais e analógicas)!

Os classificados do CouchSurfing de Brasília (valeu, Emilia!) trouxeram um casal que comprou o futon. A moça avisou a mãe da mesa do escritório, ela veio conferir e levou uma cadeira também. Botamos um anúncio ao lado do elevador e os vizinhos que foram investigar prometeram mandar os filhos que estão montando casa.  Um casal do nosso andar arrematou candelabros, panela de vidro, colher de prata e outras miudezas que o Leo achava que não iam ter saída. Uma moça e a mãe compareceram porque leram a notícia em uma lista de discussão dos servidores de um ministério. Outro casal recebeu a indicação de um amigo DJ (!).

Ficamos animados e contentes. Na ponta do lápis, vendemos 10% do total (em valores). Achamos que é  só o começo: à medida em que nossos compradores forem divulgando a garage sale para os amigos ou inimigos (dependendo se gostaram ou não!), a clientela vai aumentar.

Enquanto isso, vamos conhecendo gente interessante, rindo da nossa própria habilidade de negociar em botão, pensando como é legal que muita coisa finalmente seja usada, e sondando se alguém tem um apê pequetito e mobiliado para alugar.

E não é que tem?

sábado, 2 de junho de 2012

Minha primeira venda de garagem!

A casa virou uma grande loja: está (quase) tudo fora dos armários. Os bufês, a mesa, as bancadas da cozinha e a mesa do escritório estão em estado "vitrine", cobertos de objetos artisticamente dispostos (pelo menos eu acho) e etiquetados com preço. Talvez o valor seja a parte mais trabalhosa: a gente procura igual ou similar na internet, avalia o estado dos produtos e lasca um descontão. Fácil, né? Agora multiplique por 109, o número de objetos que está à venda!



Ontem ficamos até tarde arrumando a casa. Hoje de manhã demos os últimos retoques. Agora estamos ansiosamente esperando as vítimas, er, convidados.

O plano original era abrir a casa só hoje e no fim de semana que vem. Mas, como gastamos um tempão na arrumação, decidimos expandir o período para a tarde de domingo e todas as noites da semana. O apartamento vai ficar em estado loja... indefinidamente.

Eu achei que ia sofrer um pouco com o processo, vendo todos as coisinhas fofas que ganhamos de casamento e compramos em viagens prestes a partir. Estranhamente, está sendo tranquilo. Eu acho tudo bonito, até porque, quando viemos do interior de Minas para cá,  nos livramos do que não valia a pena pagar para transportar. Mas estou focada no futuro, no próximo (e pequeno) lar, na licença, nas viagens...

De que adianta ter cristais lindos se eles for para eles te prenderem a uma situação ou lugar que não te satisfaz mais? Não quero que escrevam no meu túmulo "Tinha uma casa muito bem-decorada". Prefiro "Rodou o mundo em busca de si  mesma". Se achou ou não, aí são outros quinhentos.

sexta-feira, 1 de junho de 2012

A beleza como realização pessoal ou Acho que estão me passando a perna

A tevê, as revistas, o cinema e a internet, com  honrosas exceções, passam uma mensagem muito clara: se você é mulher, sua obrigação - e sua arma! - é ser bonita. A maioria absoluta das mulheres que é retratada nesses veículos é jovem e bela, e existe um número quase infinito de produtos/técnicas/serviços para você, indivíduo portador de dois cromossomos X, alcançar esse ideal.

Nem vou falar do tempo e energia gastos para atingir esse objetivo. Talvez a parte mais traiçoeira da  mensagem seja a ideia de que, se você é bonita, você está bem. Pode se sentir feliz, realizada, em paz com o universo. Quem se ama se cuida. Se a carreira não vai bem ou os relacionamentos não progridem, isso não importa: você é bela, maquiada, bem-vestida. Você vai a festas/boates/barzinhos/reuniões de família e tem todo direito de se sentir superior a todos que não estão dentro do padrão de beleza.

E isso é muito perigoso. Eu sei que a mesma mensagem diz aos homens que eles devem ter bons empregos e carros do ano, e isso pode ser pesado para eles também. Mas o objetivo deles gera autonomia, independência, poder de escolha. A nossa é a cara da passividade: seja bela e espere o mundo te encher de vantagens (caronas, jantares, presentes). Mas e o dia em que o mundo estiver de mau-humor? E se você não gostar da pessoa que está oferecendo as caronas, os jantares e os presentes? E quando a beleza passar (porque um dia ela passa, não tem jeito)? 

Eu não quero que as mulheres parem de usar maquiagem, esmalte, salto e frequentar academia e salão. (Bem, na verdade eu quero, mas acho difícil acontecer, então deixemos essa frente de batalha para outro momento.) Eu quero que elas reflitam por que, para que e para quem fazem isso. E se vale a pena. 

O reflexo imediato é bradar: eu faço para mim! Porque eu gosto! É claro que vale a pena! Para a minha satisfação pessoal! Eu sei - eu já fui essa pessoa. E foi todo um processo descobrir o que eu achava importante mesmo e o que era lavagem cerebral. 

Reavaliar verdades dadas como certas é doloroso, eu sei. Mas vale a pena, juro.