sexta-feira, 1 de junho de 2012

A beleza como realização pessoal ou Acho que estão me passando a perna

A tevê, as revistas, o cinema e a internet, com  honrosas exceções, passam uma mensagem muito clara: se você é mulher, sua obrigação - e sua arma! - é ser bonita. A maioria absoluta das mulheres que é retratada nesses veículos é jovem e bela, e existe um número quase infinito de produtos/técnicas/serviços para você, indivíduo portador de dois cromossomos X, alcançar esse ideal.

Nem vou falar do tempo e energia gastos para atingir esse objetivo. Talvez a parte mais traiçoeira da  mensagem seja a ideia de que, se você é bonita, você está bem. Pode se sentir feliz, realizada, em paz com o universo. Quem se ama se cuida. Se a carreira não vai bem ou os relacionamentos não progridem, isso não importa: você é bela, maquiada, bem-vestida. Você vai a festas/boates/barzinhos/reuniões de família e tem todo direito de se sentir superior a todos que não estão dentro do padrão de beleza.

E isso é muito perigoso. Eu sei que a mesma mensagem diz aos homens que eles devem ter bons empregos e carros do ano, e isso pode ser pesado para eles também. Mas o objetivo deles gera autonomia, independência, poder de escolha. A nossa é a cara da passividade: seja bela e espere o mundo te encher de vantagens (caronas, jantares, presentes). Mas e o dia em que o mundo estiver de mau-humor? E se você não gostar da pessoa que está oferecendo as caronas, os jantares e os presentes? E quando a beleza passar (porque um dia ela passa, não tem jeito)? 

Eu não quero que as mulheres parem de usar maquiagem, esmalte, salto e frequentar academia e salão. (Bem, na verdade eu quero, mas acho difícil acontecer, então deixemos essa frente de batalha para outro momento.) Eu quero que elas reflitam por que, para que e para quem fazem isso. E se vale a pena. 

O reflexo imediato é bradar: eu faço para mim! Porque eu gosto! É claro que vale a pena! Para a minha satisfação pessoal! Eu sei - eu já fui essa pessoa. E foi todo um processo descobrir o que eu achava importante mesmo e o que era lavagem cerebral. 

Reavaliar verdades dadas como certas é doloroso, eu sei. Mas vale a pena, juro. 

3 comentários:

  1. É isso ai alguém tinha que começar,estamos todas muito passivas...

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  2. Lud, participo de um grupo em rede social onde somente falam de moda, marcas famosas, como cuidar da pele, as últimas novidades em cosméticos e cremes todos caríssimos... sim... mesmo sem comprar, participo e estou me divertindo pra caramba!!!

    É claro que adoro um creme, uma maquiagem, mas é aquilo faço porque gosto e quando quero, jamais naquela ânsia de ser a "mais" alguma coisa.

    Importante estabelecer prioridades e o que realmente traz felicidade!

    Parabéns

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  3. Anônimo, é isso aí!

    Ziula,
    pois é, eu acho que pode ser divertido sim. Maaas também acho que pode ser fácil "entrar na onda" e começar a achar que é essencial ter a bolsa/maquiagem/perfume da moda, né?
    No seu caso, como você não está comprando, acho que está protegida, rs.

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