terça-feira, 10 de julho de 2012

Menos espaço, mais consideração

Tendo dividido nossa área habitável por quatro, estamos desenvolvendo todo um novo modus vivendi. Não está sendo difícil, porque nós dois somos muito sossegadinhos e educados (e se entalamos juntos em algum lugar, aproveitamos para trocar uns beijinhos). Está sendo, isso sim, surpreendente: estou percebendo que, quando se tem menos espaço, o jeito é compensar aumentando o nível de consideração com o próximo.


Adoro sair do banho pingando igual ao monstro do pântano e encharcar o tapete do banheiro. Na casa anterior, eu tinha um banheiro e um tapete só pra mim, e ele secava até o banho seguinte. Na casa nova, como o tapete é um só, não faço mais isso, ponto. E escovo os cabelos de manhã e à noite, igual a um cachorrinho, para evitar o excesso de fios perdidos no chão claro. 


Nós dois gostamos de espalhar roupas pela casa, mas agora não rola, porque nem existem espaços horizontais disponíveis! E adquirimos o hábito de tirar os sapatos assim que abrimos a porta do apê, para não trazer sujeira da rua. 


Um dia desses, na aula, estávamos conversando com o professor, que é mezzo francês, mezzo brasileiro, sobre a questão do trânsito de Brasília. E como todo mundo que pode compra um carro correndo, ao invés de brigar para o transporte público melhorar. Ele comentou que acha que o fato de as pessoas usarem espaços em comum (no caso, ônibus/metrô/bonde) muito educativo - você aprende a esperar, compartilhar e ceder lugar. 


Eu concordo.

12 comentários:

  1. Eu realmente aprendi a viver de forma mais cuidadosa (leia-se: contendo a bagunça) enquanto moramos no apto pequetito! Pena que só eu aprendi... O companheiro não é lá muito ligado nessa coisa de organizacão... E eu tive que escolher entre conviver com a bagunça alheia, ou organizá-la constantemente! A segunda alternativa quase me matou de raiva... Então passei a fazer vista grossa!

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    1. Concordo: se não pode vencê-los, junte-se a eles!

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  2. Poxa, Lud, que bacana! a maior parte das pessoas simplesmente resolve esse tipo de problema se mudando para um lugar maior. Muitos casais vão achando formas de tapar o sol com a peneira e não se adaptarem e fazerem pequenas concessões para conviver melhor um com o outro. Muito bacana.

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    1. Marina, pequenas concessões são ótimas e não doem nada, não é? O problema é que só funciona se forem recíprocas... olha o caso da Milene aí em cima, rs.

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  3. Haha muito boa denominação de mudança do "modus vivendi" kkk

    A gente aprende a conviver embora a outra pessoa tem que estar no mesmo ritimo se não fica insuportável

    Essa de tirar o sapato eu bem que tento mas nunca consigo adaptar. Tenho um noivo japonês e na casa dele e de parentes sempre fazem isso e lá entro eu de sapato nem me dando conta. Queria na minha casa também fazer isso para ficar mais limpo e me acostumando com os hábitos ou "modus vivendi" como muito bem colocaste mas sempre me esqueço

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    1. Colorada,
      o latim é herança de uma faculdade de direito perdida nas brumas do passado...
      Puxa, muito legal a família do seu noivo manter as tradições (ou pelo menos essa dos sapatos).

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  4. momo', momo', momo'-mo-momo' (essa e' a melhor imitacao do monstro do pantano que eu consegui fazer). eu acho taaaaaaaaaao bonito que voces dao tao certo como casal! nao e' comum nao. :)

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    1. CBG, perfeita a sua imitação de monstro do pântano do disquinho colorido. É nele mesmo que eu estava pensando.

      Eu também acho bonito a gente dar tão certo como casal. Nós dois reconhecemos que temos a maior sorte!

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  5. Emocionante o post, Lud! E fico feliz por tudo o que vocês estão vivendo...

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    1. Brigada, Fê! E eu fiquei feliz de ver que você voltou a escrever no seu blog =).

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  6. Pegando carona no comentário da CherryBlossomGirl, também acho muito legal o "jeito casal" de vocês serem (nossa, será que essa construção semântica está certa?). Enfim, penso que é muito difícil aderir ao minimalismo e ao feminismo se o nosso parceiro não embarca junto. Ontem mesmo, sai com o meu digníssimo e ele ficou reclamando porque eu não levei bolsa: coloquei a CNH, carteira do plano, cartão de DÉBITO e dinheiros no bolso e fui super feliz para o bar sem precisar ficar de olho VIDRADO da bolsa e pude sair correndo para ver a hora em que os barmen colocaram fogo na pedra do balcão e a banda tocou uma música meio medieval-cigana muito legal e TUDO ISSO SEM ME PREOCUPAR COM A DANADA DA BOLSA (vez que inexistente)! Também não usei maquiagem (exceto um batom) e recebi reclamações :( meh! Mas a sintonia de vocês é muito bonita de ser vista, ops, lida! :)

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  7. Freetalker, é mesmo. Não é fácil adotar uma filosofia de vida diferente se quem vive conosco não adere (ou pelo menos não atrapalha).

    Quanto ao digníssimo, desculpe, mas só tenho uma sugestão: se ele reclamar que você está sem bolsa ou sem batom, responda "Se você gosta tanto, use você".

    E depois conta como ele reagiu =D.

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