sexta-feira, 31 de agosto de 2012

Muitas emoções e datas flutuantes

Deu a louca e a gente decidiu ir no fim de outubro de uma vez. A empolgação parou na sala do chefe: sinto muito, outubro não dá. É janeiro mesmo.

Na verdade, racionalmente janeiro é melhor. Está tudo planejado para a gente ir embora no finzíssimo de 2012: o contrato de aluguel, que termina antes do natal, a marcação das férias para o fim de outubro, a compra das passagens pra visitar a família, a última dose das vacinas, o pagamento do seguro do carro...

Só que nossa cabeça já está lá, na nova etapa da vida. Estamos ansiosos, indóceis, impacientes. O lado negativo de planejar o futuro com muito antecedência é que chega uma hora que está tudo pronto - só fica faltando o tempo passar.

E o tempo, esse danadinho, tem um ritmo próprio e não aceita interferências.

segunda-feira, 27 de agosto de 2012

Filhos, melhor tê-los?

O grande problema de decidir não ter filhos é que a possibilidade fica eternamente em aberto. Por mais que você  esteja certa/o da sua escolha, sempre tem um fulaninho que prevê que você vai mudar de ideia. Quando você tem filho, não há essa chance: ninguém vai tentar te convencer que é bobagem, que bom é ficar sem. Pariu, tá parido.

Anunciar que já passei dos 35 (36, com orgulho) não adianta. As pessoas me contam da prima da vizinha do colega, que teve o primeiro rebento com 41. Engraçado que ninguém fala de adoção: sou eu que digo que, se um dia nessa vida mudar de ideia, tem esse outro jeito de ter herdeiros.

Posso imaginar eu e o Leo fazendo cinquenta, sessenta anos, e as mães/tias/primas perguntando: e vocês, quando é que vão se animar?

E a gente respondendo - como sempre respondemos: Aqui desse mato não sai coelho, não.

Nem filho.
Mato COM coelho. Não vejo nenhuma semelhança conosco.

sexta-feira, 24 de agosto de 2012

Plano B. E C.

Ainda não tenho notícia do tamanho da licença de trabalho que vão me deixar tirar. Enquanto não batem o martelo, eu e o Leo, depois de termos ficado em choque por dois minutos, vamos bolando o que vamos fazer nos cenários X, Y e Z.

Nós somos o casal Plano B. Três caminhadas de 45 minutos no Parque da Cidade e já tínhamos isolado variáveis, fechado parâmetros e estabelecido estratégias. Ainda preferimos os três anos de aventura, mas se só rolar um sabático menor, há lá suas vantagens (nós somos o casal Copo Meio Cheio também). Um ponto positivo é que o dinheiro, que estava contadinho, passa a permitir algumas extravagâncias, como almoçar todo dia (brincadeirinha). Outro é que vamos nos preocupar menos com o que levar (uma mala "Europa no frio", embora volumosa, é bem mais fácil de fazer do que uma mochila "Índia no inverno + sudeste asiático tropical + Europa na primavera").

A Ásia não saiu da jogada, não: ela vai para 2014, ou será dividida em pedaços, já que é bem fácil - e barato - chegar lá saindo de, por exemplo, Frankfurt, do que do Brasil.

E aí vamos ficar janeiro, fevereiro e março na França. Sim, será inverno, com dias curtos e temperaturas congelantes, mas o casal Copo Meio Cheio está focando em lareiras, vinho, fondue, paisagens nevadas, tardes em museus e bibliotecas, preços menores porque é baixa temporada, menos filas e menos turistas.

E noites longas. Dormir muito é um talento pessoal.

Foto daqui

terça-feira, 21 de agosto de 2012

O francês não me quer

Estou indignada. Fui fazer minha matrícula na Aliança Francesa da Asa Sul dez dias após o início das aulas e não tinha vaga para o meu nível no horário econômico de manhã. Absurdo! Como é que não previram que eu ia me rematricular? Justo eu, que sou ótima aluna e rata de mediateca? Esse povo não tem bola de cristal, não?

Brincadeirinha. Acho que fiquei em choque porque já frequentei várias escolas de idiomas e nunca, nunca tive esse problema. Jamais me impediram de pagar para estudar outra língua. Mas a Aliança Francesa tem um limite máximo de alunos em sala, sabe? Afe. E até agora nenhum deles desistiu do curso.

Eu sei, existem outros cursos de francês na cidade. Fiz várias ligações e descobri que, depois que você chega ao nível intermediário, a oferta de turmas e horários fica bem reduzida.

Estou pensando seriamente em estudar por conta própria este semestre. Isso é, me filiar à mediateca da Aliança (é só pagar uma taxa anual de 50 dinheiros), ler um monte de livros e revistas, ver uns programas no canal francês e abrir a gramática umas duas vezes.

Uma palhaçada, eu sei.

* * *

A mediateca da Aliança Francesa classifica os livros conforme o nível de proficiência dos estudantes.

Ignorem, gente, ignorem. Dependesse deles eu ainda estava lendo o Petit Nicolas.



* * *

Atualização: ontem mesmo fui à Aliança Francesa e me associei à mediateca. Foi só pagar 50 pilas (taxa anual), já que, como ex-aluna, eu já tinha cadastro. Saí de lá com três livros e três revistas. A mediateca é aberta à comunidade e eu recomendo fortemente.

domingo, 19 de agosto de 2012

Minha segunda casa virtual

No segundo semestre de 2011, eu e o Leo decidimos vender tudo e sair pelo mundo, mas preferimos ficar na moita antes de fecharmos com as chefias. Então, criei um outro blog, chamado Minimalizo, pra contar como estava sendo o processo de aprender a viver com menos. (É, minha vida funciona melhor quando eu escrevo sobre ela.)

Quando abrimos o jogo aqui, deixei o Minimalizo pra lá e passei a contar tudo no Lud&Leo Reloaded mesmo. Só que eu não estou sozinha nesse caminho: a Fê, amiga da faculdade de Comunicação e do resto da vida, também está simplificando.

Então, resolvemos fazer um blog em conjunto. Ressuscitamos o Minimalizo (e a Fê deixou o layout bonitão).


Continuo escrevendo aqui. Mas agora escrevo lá também.

sábado, 18 de agosto de 2012

Botaram o pé na minha janta - quer dizer, na minha licença

A má notícia de sexta-feira é que a licença que eu vou tirar do trabalho não pode ser de três anos, mas só de um.

É claro que vou tentar argumentar, negociar, chorar e ranger os dentes, mas a princípio o fato altera toda nossa programação.

Se não tiver jeito mesmo, vamos concentrar nossos esforços turísticos na Europa. O Leo quer voltar de lá tendo visitado todos os países.

Estamos meio desorientados com a notícia, mas ontem concluímos que não importa: tudo que fizemos para simplificar a vida e economizar continua válido e bacana. A jornada tem sido altamente proveitosa.

Em outras palavras: a grande aventura tem dado frutos antes mesmo de começar.



quarta-feira, 15 de agosto de 2012

Vida sem carro

Uma ideia com a qual a gente vem flertando há algum tempo é a de não ter um carro. Eu não dirijo, o Leo enjoou, e na ponta do lápis dá pra pegar muito táxi pelo preço do automóvel + combustível + seguro + imposto.

Carro é um conforto, a gente não nega. Mas, além da despesa, tem a parte chata, que é a manutenção, a revisão e eventuais acidentes (já bateram na nossa traseira. Mais de uma vez).

No nosso sabático, não vamos ter carro. Vamos andar de trem, bonde, metrô, ônibus, avião e a pé. Antes de partir, vamos vender o nosso. E aí, quando voltarmos, é bem possível que a gente continue sem.

Vamos nos organizar para isso: morar o mais perto possível do trabalho e de pontos de transporte público. E não ficar pão-durando no táxi quando quisermos sair à noite e visitar os amigos.

Se uma hora a gente achar que precisa de carro de novo, voltamos ao clube dos Senhores Volantes. Mas por enquanto estamos pensando que vamos gostar bem de sermos Senhores Andantes.



Atualização: a Isabella deixou nos comentário o link pra um texto muito bom a respeito de carros e táxis. Estou com o autor: "bom mesmo é ter vários carros e um time de motoristas à disposição. Infelizmente, nem sempre é possível."

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

Desapego do cabelo

Meu cabelo é liso e marrom. Sempre foi comprido e já passou por um monte de cortes. No passado, fui meio ruiva, tingi de preto, tive luzes de várias cores. Uma hora achei que as tinturas estavam custando muito caro e larguei mão.

Aí comecei a cortar. Cortei curtinho mesmo em 2010. Depois ele cresceu. Agora ele tá igual ao da Dora the explorer.

Quando eu tinha cabelo comprido, eu escutava elogios. E passava cremes e fazia tratamentos e comprava xampus para valorizar a cor.

Já faz tempo que acho isso uma chatice. E hoje estou querendo cortar mais curto ainda. Sabem o que é lavar o cabelo em dois minutos, secar com a toalha e sair toda pronta e pimpona? É uma beleza!

Eu fico mais bonita de cabelo comprido? Fico. O povo me acha mais gatinha? Acha.

E eu ligo? Olha, já liguei. No momento, ligo não.

segunda-feira, 6 de agosto de 2012

As loucas do papel contact

Olha só o perigo: papel contact é barato, fácil de achar e facilmente transmissível.

A Milene disse que pegou o vírus. Resultado: reformou os armários da cozinha.

Antes:
"Nossa cozinha tinha armários bege com puxadores de madeira bem desgastados."


Depois:
"Passei contact em tudo e coloquei puxadores novos."


Achei que ficou muito bacana. Com um rolo de papel contact branco (em torno de 11 reais) e puxadores, os armários ficaram novinhos! 

A loucura do contact não é só contagiosa: é também duradoura. Minha imaginação (e meus rolos) estão longe de acabar. No sábado, a irmã D. me escalou para fazer uma árvore no quarto do bebê.

Sabem de uma coisa? De turma a coisa anda muito mais rápido. Enquanto eu grudava, a irmã D. recortava e o afilhado mais fofo do mundo fazia o transporte das tiras.

Depois de umas três horas de trabalho, tínhamos uma árvore ventosa na parede do berço. (Os macaquinhos   simpaticíssimos são adesivos prontos.)


No final, depois de fazermos só mais uma folhinha e só mais um galhinho diversas vezes, a irmã D. confessou que também achou o contact viciante. 

Até deixei um pedaço na casa dela para casos de necessidade. 

sábado, 4 de agosto de 2012

Estamos treinando: viagem de ônibus

A gente tem carro e costuma viajar com ele. Quando vamos visitar nossos pais de avião, pegamos um carro deles emprestado para ir de lá pra cá.

Só que, durante nossa aventura, não vamos ter essa moleza não. Vamos aproveitar os ótimos transportes públicos e usar transportes coletivos em conta para distâncias longas.

Então já estamos treinando: viemos visitar minha irmã, marido e afilhado de ônibus. Fomos de táxi até a rodoviária de BH (14 reais) e pagamos 29,75 por cada passagem para Divinópolis.

O ônibus era grande e confortável, com ar condicionado e cadeiras altamente reclináveis. Pegamos um trânsito danado em Betim e, se estívessemos de carro, ia rolar aquele stress da demora, do anda-e-pára e das buzinadas. De ônibus, não precisamos nos preocupar com nada disso: ficamos escutando música, conversando e dorminhocando.

Viagem de ônibus: aprovado.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

Nova carreira em vista: decoradora de interiores familiares

Como li vários blogues sobre o assunto e recobri minha casa de papel contact, estou achando que sei tudo de decoração. Ou pelo menos o suficiente para dar palpite nos apartamentos da família.

(Na verdade, é muito mais fácil fazer sugestões quando a gente não mora no lugar, simplesmente porque o olhar ainda não está viciado no jeito em que os móveis estão arranjados.)

O apartamento dos meus pais tem uma daquelas salas grandonas, de três ambientes. Minha mãe vive dizendo que "quer dar um jeito" na decoração, já que, quando se mudaram, simplesmente instalaram os móveis do apartamento antigo. Ela até já chamou uns decoradores para fazerem propostas, mas ela nunca gosta do que eles propõem.

Aí eu disse que EU ia ajudá-la a arrumar a sala. E comecei a entender porque às vezes os decoradores ignoram os clientes. É porque eles podem ser MUITO teimosos.

Minha mãe acha que sala da gente tem de ter a cara da gente, e não a cara da decoradora. Eu concordo. Só que "cara da gente" não pode ser um monte de objetos sem nenhuma relação entre si: móveis de vários acabamentos, enfeites de vários estilos, tapetes de várias cores. Quer dizer, até pode, mas aí não dá pra dizer que alguém se preocupou em deixar o ambiente harmônico. E  não sou eu que quero "dar um jeito" na decoração. É a minha mãe. Faz uns 10 anos.

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Minha vida passou diante de meus olhos

Dizem  que, instantes antes de morrer, sua vida toda passa diante dos olhos. Que nada. Ela passa quando você arruma sua gaveta de documentos, isso sim.

Quando saí da casa dos meus pais, deixei algumas roupas e alguns papéis. Ok, um montão de papéis. Na gaveta grande e funda, cabiam fotos, cartões de aniversário, relatórios das professoras do maternal, boletins do segundo grau, notas do curso de inglês (e cartinhas com elogios), históricos escolares, comprovantes de estágio, o certificado da OAB, os contracheques do emprego na Disney, o convite de formatura em Comunicação, cartas solicitando leituras críticas, as notas fiscais das matérias que vendi como jornalista freelance, as revistas nas quais foram publicadas as matérias que vendi como jornalista freelance, e toda uma papelada inútil relacionada, como a autorização para a compra da passagem para a Flórida (a quem interessar possa: 3.212 reais, lá em 2002. Sim, eu comprei a minha passagem no dia em que o dólar bateu nos quatro reais. A passagem ficou em 800 dólares, o que é bem razoável. Irrazoável era a cotação).

Agora minha vida passou diante dos olhos de vocês também.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

A Grande Cooperativa de Amigos

Uma maneira fácil de ser minimalista é ter amigos e pedir emprestado para eles coisas que você não quer comprar. O problema é que essa tática só funciona quando seus amigos não são minimalistas e não moram em apartamentos quarto-e-sala para economizar para uma grande aventura, e isso me deixou me sentindo um pouco egoísta.

Logo pensei em uma solução: fazer uma cooperativa de amigos minimalistas. Aí cada um teria só um objeto útil que é usado de vez em quando, como furadeira, grampeador industrial ou aparelho de fondue. Além de ninguém precisar de comprar e estocar um monte de ferramentas e eletrodomésticos, a gente estaria sempre se encontrando e trocando favores. Eu me candidataria para ser a guardiã do aparelho de fondue e ninguém derreteria queijo em sua casa sem me convidar.

* * *
As leitoras me deram a dica: tem várias pessoas no mundo falando e pensando sobre consumo cooperativo, que é a ideia por trás da grande cooperativa de amigos. Uma delas é a Rachel Boltman. Vejam um vídeo muito bacana clicando aqui.