quinta-feira, 2 de agosto de 2012

Minha vida passou diante de meus olhos

Dizem  que, instantes antes de morrer, sua vida toda passa diante dos olhos. Que nada. Ela passa quando você arruma sua gaveta de documentos, isso sim.

Quando saí da casa dos meus pais, deixei algumas roupas e alguns papéis. Ok, um montão de papéis. Na gaveta grande e funda, cabiam fotos, cartões de aniversário, relatórios das professoras do maternal, boletins do segundo grau, notas do curso de inglês (e cartinhas com elogios), históricos escolares, comprovantes de estágio, o certificado da OAB, os contracheques do emprego na Disney, o convite de formatura em Comunicação, cartas solicitando leituras críticas, as notas fiscais das matérias que vendi como jornalista freelance, as revistas nas quais foram publicadas as matérias que vendi como jornalista freelance, e toda uma papelada inútil relacionada, como a autorização para a compra da passagem para a Flórida (a quem interessar possa: 3.212 reais, lá em 2002. Sim, eu comprei a minha passagem no dia em que o dólar bateu nos quatro reais. A passagem ficou em 800 dólares, o que é bem razoável. Irrazoável era a cotação).

Agora minha vida passou diante dos olhos de vocês também.

6 comentários:

  1. Lud, todas as vezes que vou à casa dos meus pais eu aproveito para tirar de lá um pouco das minhas coisas que lá estão. Saí da casa dos meus pais há 5 anos e me mudei de cidade com duas malas. Ficou muita coisa pra trás. Sempre faço isso de madrugada: separo algumas coisas e fico separando o que quero manter e o que é pra jogar fora. No dia seguinte têm sacolas com lixo dentro e não sei se quem "sofre" mais com isso sou eu ou a miha mãe: eu "sofro" por jogar fora papéis e objetos que marcarm épocas da minha vida e me sinto muito nostálgica, minha mãe "sofre" pelos mesmo motivos e porque nunca mais as coisas serão iguais e agora eu moro longe. É duro, sabe?, mas é o que eu sinto que deve ser feito. A vida passou diante dos meus olhos quando me formei e fiz as malas pra vir pra Curitiba. Eu entendo... Não sei se pra você foi difícil passar por isso mas pra mim foi; talvez pra vc tenha sido mais fácil pelo momento em que está, sei lá, talvez não.

    Abraço!

    PS- Vida interessante, a sua!

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    1. Marina,
      a primeira vez foi a mais difícil. Depois foi ficando cada vez mais fácil, porque eu aprendi que, dois ou três dias depois, eu já tinha me esquecido do que tinha jogado fora. Assim como já tinha me esquecido do que estava na gaveta antes de abri-la para desocupá-la.
      Além disso, eu acho que o momento em que estou ajuda sim. Quando a melancolia ameaça me invadir, respiro fundo e começo a pensar na viagem.
      Beijos!

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  2. Nossa Lud, o mesmo ocorre comigo. Até hoje meu pai me repassa coisas que estavam com ele, hahaha! Mas, para orgulho dele, deixei na sua estante de livros, o meu TCC, justamente com a homenagem que fiz para ele, e minha aprovação com distinção, ele ama! No mais, caderno da primeira série, carteiras de clube, cópias da certidão de nascimento, boletins, vixi! hahaha! bjos

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    1. Gabriela,
      tem coisas que eu acho legal guardar, sabe? Os boletins, cheios de notas altas, voltaram para a gaveta. Os cadernos antigos e as carteiras de clube, não!
      O meu TCC foi uma revista eletrônica, mas se tivesse sido um trabalho escrito, eu guardaria com certeza!

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  3. É verdade. Eu adoro fazer essa viagem no tempo. Rever cartões, bilhetinhos, tantas lembranças...
    Beijos.

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    1. Hélida,
      eu gosto das lembranças, mas estou tentando focar no futuro!
      Beijos.

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