terça-feira, 25 de setembro de 2012

Surto de vaidade

Decidi trocar de método anticoncepcional e parei de tomar pílula. Muita alegria, economia mensal, obrigação diária de menos e um efeito colateral: umas poucas mas terríveis espinhas no rosto.

Eu as chamo carinhosamente de "minhas perebas". Elas são gigantes e doem muito por quase duas semanas. Uma hora, decidem parar de doer mas gastam outro tempão desaparecendo. Então, deixam de lembrança uma bela mancha no lugar.

Fiquei esperando elas irem embora do mesmo jeito que vieram, isto é, sozinhas. Não funcionou. Aí emburrei. Me importo muito menos com minha aparência do que antes, mas 36 anos nas costas e espinhas na cara ninguém merece.

Desencavei do armário uns sabõezinhos anti-acne, um sérum contra manchas que por sorte não tinha perdido a validade e, glória aos céus, um corretivo. Faz um bom tempo que não me preocupo em esconder minhas olheiras: ele veio bem a calhar pra disfarçar minhas perebas.

sexta-feira, 21 de setembro de 2012

Faltam só 3 meses E preparação é tudo

Alegria, alegria: faltam só três meses pra gente puxar o carro (vamos emendar o natal com férias e licença). Na prática, são 50 dias úteis, porque tem férias no meio (que vamos usar para ir receber o sobrinho novo). A cada dia que passa eu fico mais feliz. De acordar sorrindo mesmo.

Então eu leio muitos blogs de brasileiros que foram para Europa, pra estudar e/ou trabalhar. E, desculpaê, fico com vontade de sacudir alguns. Pessoa vai ilegal, sem pesquisar nada antes, e fica de mimimi porque o único trabalho que consegue são umas faxinas, sendo que no Brasil era gerente de multinacional. Só posso imaginar que alguns realmente acreditem que o famoso "jeitinho brasileiro" se aplique ao mundo todo e que autorização de residência é para os fracos.

Eu acho que a gente está bastante preparado, até psicologicamente. Estamos indo com passaporte europeu, com dinheiro guardado, sem pretensão de trabalhar. E mesmo assim achamos que vamos passar uns perrengues, umas raivas, que umas horas vamos sentir saudades do pão-de-queijo e dos amigos.

Sinceramente, há momentos em que eu não sei distinguir audácia de burrice falta de noção.

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

O enigma das pessoas que vivem em cidades maravilhosas

Ultimamente um problema vem me intrigando: será que quem mora em cidades icônicas (Nova York, Paris, Florença, Rio de Janeiro) é mais feliz que os outros? Se sim, porque todo mundo não muda pra lá? Se não, o que eu estou indo fazer naquelas bandas?

Talvez a resposta esteja na opção: é possível que quem escolheu se instalar nesses lugares se sinta mais satisfeito do que quem nasceu em Buenos Aires ou arrumou emprego em Barcelona. Ou talvez seja questão de sorte: você pode combinar com o estilo de vida da sua cidade natal, ou não.

Nunca fui fã de grandes metrópoles. Não faço questão de baladas empolgantes. Às vezes acho que seria muito feliz em uma cidade pequetita e mimosa, como Ouro Preto - contanto que eu morasse perto de uma biblioteca e de uma faculdade.

Às vezes acho que a gente se acostuma. Depois de uns meses, a beleza das ruas e dos prédios vira lugar-comum.

Talvez a solução seja ficar se mudando sempre.


sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Portuguesa com certeza

Um dia escutei um cabeleireiro brasileiro contar que tinha passado um tempo trabalhando em Portugal. E que, enquanto no Brasil o povo gostava de escova e de progressiva, lá as portuguesas, que tinham cabelo liso e fino, queriam é volume.

Fiquei pensando na injustiça que me fez nascer no Brasil com cabelo liso e fino (meu sonho é ter uma grande cabeça redonda. Não tem xampu volumizador que dê jeito).

Nesta terça-feira, saiu meu passaporte vermelho. Agora é oficial: tenho cabelo - e tudo mais - de portuguesa, mesmo.


quinta-feira, 13 de setembro de 2012

Deixa eu contar minha historinha com Paris

A primeira cidade estrangeira que conheci foi Paris. Eu tinha 16 anos e fiquei alucinada.

Isso foi há 20 anos. Na época, não tinha internet. Viajar para outro país era caro, difícil e complicado. Você dependia das informações das revistas de turismo (poucas) e das agências de viagem. Chegando ao destino, tudo era surpresa e descoberta. Foi uma viagem de família: meus pais, irmã D. e eu (a gente escolheu viajar em vez de ganhar festa de 15 anos).

Andando pelas ruas de Paris, eu pensei: "Bem que um dia eu podia morar aqui." E botei na lista de sonhos inalcançáveis.

Uns 5 anos depois, a irmã D. arrumou um emprego, trabalhou durante um ano e juntou dinheiro para, nas férias da faculdade, passar um mês em Paris estudando francês. Achei a ideia sublime. Era um jeito de realizar aquele sonho inalcançável lá de trás. Só que a irmã D. era corajosa; eu era um serzinho tímido e sem recursos financeiros para tal empreendimento. Botei na lista de sonhos eventualmente alcançáveis.

O tempo passou. Fiquei menos boba e mais corajosa. Formei, arrumei emprego, casei. Voltei a Paris a passeio - uns poucos dias que só serviram pra confirmar que continuava rolando um clima. Só, que, em vez de realizar o sonho, eu ficava arrumando desculpas: que queria estudar mais francês para aproveitar melhor as aulas (raciocínio parecido com o de quem quer entrar em forma antes de começar a ir à academia). Que não dava pra passar o mês todo de férias lá, já que existiam tantos lugares que a gente queria conhecer. Que ficava muito caro. E que isso, que aquilo e que aquilo outro.

Mas então, 20 anos depois, o sonho está perto de se realizar. Vamos começar nosso sabático alugando um apartamentinho e morando janeiro, fevereiro e março em Paris, fazendo francês na Alliance Française, enfrentando o frio porque será inverno.

Mal posso esperar.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

Faltam só 100 dias!

Já tá decidido: 21 de dezembro é o dia da alforria. A gente sai do Planalto Central para passar o natal em BH e não volta nunca mais.

Ou pelo menos não volta logo. 15 meses de liberdade estão garantidos.

O Leo, que é o homem das planilhas, avisou que podemos começar a fazer risquinhos em nossas baias de trabalho, igual a condenados em paredes de prisão (Conde de Monte Cristo feelings). Quer dizer, já podíamos estar fazendo isso, mas 100 é um número redondo e bonitão.

Enquanto isso, na Sala da Justiça... estamos vendo apartamentitos pra alugar em Paris. Ô cidade cara, sô. Mas tem um lado bom: quase tudo que a gente encontra é do tamanho ou maior do que a nossa habitação atual. Aí achamos luxo.

"Olha, Lud! Só faltam 100 dias!"
(Edmundo Dantès e Abade Faria)

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Como viver legalmente na Europa

Para minha surpresa e alegria, descobri que as pessoas não precisam ser cidadãs europeias ou estarem matriculadas em cursos para ficarem mais de três meses (o máximo permitido aos turistas) no Velho Mundo. Hoje, setembro de 2012 (a legislação pode mudar), Portugal, França e Alemanha (e provavelmente vários outros países europeus) dão autorizações de residência se você quer dar uns longos passeios por lá.

Do que você precisa? De dinheiro ("meios de subsistência") e de seguro-saúde. De iniciar o procedimento no Brasil. E de paciência para tratar com o consulado de seu país de escolha, que pode ser razoavelmente lento ou surpreendentemente ágil, dependendo das condições metereológicas e da quantidade de pessoas na fila.

A legislação sobre o assunto, assim como a documentação para cada caso, muda muito. O melhor é falar com o consulado para saber as providências necessárias. Mas a notícia boa é que dá pra fazer, sim.

domingo, 9 de setembro de 2012

Ganha-ganha

Amigos nossos viajaram e pediram para a gente dar uma olhada na casa deles. Eu, mais que depressa, pedi para dar uma olhada especialmente próxima na máquina de lavar. Eles disseram que a gente podia ficar à vontade, e o resultado é que já lavamos umas roupinhas por lá.

Não só estamos tendo a oportunidade de usar o sabão em pó e o amaciante que herdamos da casa antiga - que tinha máquina de lavar -, como estamos economizando um dinheirinho com a lavanderia. Este mês, só pagamos para lavar as camisas socias de trabalho, que precisam ser passadas. O resto foi todo para a ótima máquina dos amigos.

O que é mais legal nessa história é que um perfeito ganha-ganha. Os amigos ficam felizes porque a gente rega as plantas; nós ficamos felizes porque lavamos roupa. O que eu acho mais chato da lavanderia aqui do condomínio é que ela gasta uns dois dias para devolver as peças, e você tem de levar pelo menos cinco de cada vez. Sem falar que, mesmo no pacote mensal, ela cobra 5 reais por unidade, o que significa que eu nunca levo meias e pijamas pra lá: lavo no braço, no tanque.

Este mês estou lavando na máquina. Alegria, alegria.